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17/04 - Nasa contrata SpaceX para levar astronautas à Lua
Empresa de Elon Musk venceu concorrência com outras gigantes do ramo aeroespacial dos EUA. Nave Starship, que deve levar pessoas à Lua pela primeira vez desde 1972, é reutilizável. Foto de janeiro de 2019 mostra protótipo da Starship, da SpaceX Miguel Roberts/The Brownsville Herald via AP, arquivo A Nasa selecionou a SpaceX para levar os primeiros astronautas americanos à Lua desde 1972, anunciou nesta sexta-feira (16) a agência espacial dos Estados Unidos, o que representa uma grande vitória para a empresa de Elon Musk. O contrato de US$ 2,9 bilhões inclui o protótipo da nave espacial Starship, que está sendo testado nas instalações da SpaceX no sul do Texas. "Hoje estou muito emocionada, e todos estamos muito emocionados, de anunciar que elegemos a SpaceX para continuar com o desenvolvimento do nosso sistema de pouso humano integrado", disse Lisa Watson-Morgan, gerente deste programa na Nasa. Imagem divulgada pela NASA do foguete SpaceX Falcon 9 com a nave Crew Dragon. AFP PHOTO/ NASA/Aubrey Gemignani A SpaceX vence assim a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a empreiteira de defesa Dynetics e se torna o único fornecedor do sistema. É um marco surpreendente nas práticas da Nasa, que normalmente escolhe várias empresas, a fim de se prevenir caso ocorra alguma falha. Analistas da indústria disseram que a decisão ressalta que a companhia, fundada por Musk em 2002 com o objetivo de colonizar Marte, é o parceiro de maior confiança da Nasa no setor privado. No ano passado, a SpaceX se tornou a primeira empresa privada a enviar com sucesso uma tripulação à Estação Espacial Internacional, restabelecendo a capacidade norte-americana de realizar o feito pela primeira vez desde o fim do programa de ônibus espaciais. Para a proposta de pouso na Lua, a SpaceX apresentou a nave espacial reutilizável Starship, projetada para transportar grandes tripulações e cargas para viagens espaciais ao espaço profundo, e fazer um pouso vertical tanto na Terra quanto em outros corpos celestes. Protótipos da nave estão sendo testados nas instalações da empresa, embora todas as quatro versões que tentaram até agora voos de teste tenham explodido. Veja no VÍDEO abaixo VÍDEO: veja imagens do novo voo de teste do foguete Starship da SpaceX que fracassou Programa Artemis Como parte do programa Artemis para voltar a levar humanos à Lua, a Nasa quer usar seu Sistema de Lançamento Espacial para transportar quatro astronautas a bordo de uma cápsula da tripulação Orion, que então se acoplará a uma estação espacial lunar chamada Gateway. A Starship estará esperando para receber dois integrantes da tripulação para a etapa final da viagem à superfície da Lua. A ideia é que o Gateway seja uma estação intermediária, mas para a missão inicial, a Orion poderia se acoplar diretamente à Starship, explicou Watson-Morgan. Os astronautas passariam então uma semana na Lua antes de embarcar na nave da SpaceX para voltar à órbita lunar e, em seguida, embarcar na Orion de volta à Terra. Por outro lado, a empresa de Musk tem planos de combinar a espaçonave Starship com seu próprio foguete de carga super pesada, para fazer uma nave combinada que teria 120 metros de altura e seria o veículo de lançamento mais potente já implementado. A humanidade pôs os pés na Lua pela última vez em 1972, durante o programa Apollo. A Nasa quer retornar e estabelecer uma presença sustentável, com uma estação espacial lunar, para testar novas tecnologias que abram o caminho para uma missão tripulada a Marte. Em 2019, o então vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence desafiou a Nasa a colocar a primeira mulher e o próximo homem na Lua até 2024, mas esse prazo provavelmente será relaxado sob a presidência de Joe Biden. Outra mudança do governo atual é sua meta declarada de levar a primeira pessoa não-branca à Lua no âmbito do programa Artemis.
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16/04 - Brasil supera 369 mil mortos por Covid; estados registram 3.070 mortes em 24 horas
País contabilizou 13.834.342 casos e 369.024 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Brasil registra 3.070 mortes por Covid em 24 horas O país registrou 3.070 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou nesta sexta-feira (16) 369.024 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 2.870. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +2%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta sexta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Já são 86 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 31 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia; e já são 21 dias com a média acima da marca de 2,5 mil. Veja a sequência da última semana na média móvel: Sequência da média móvel de mortes na última semana Arte/G1 Sábado (10): 3.025 Domingo (11): 3.109 Segunda (12): 3.125 (recorde) Terça (13): 3.051 Quarta (14): 3.012 Quinta (15): 2.952 Sexta (16): 2.870 Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.834.342 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 76.249 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 65.561 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -1% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Seis estados estão com alta nas mortes: AP, ES, GO, PA, PR e RR. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 16 de abril Total de mortes: 369.024 Registro de mortes em 24 horas: 3.070 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 2.870 por dia (variação em 14 dias: +2%) Total de casos confirmados: 13.834.342 Registro de casos confirmados em 24 horas: 76.249 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 65.561 por dia (variação em 14 dias: -1%) Estados Subindo (6 estados): AP, ES, GO, PA, PR e RR Em estabilidade (15 estados e o Distrito Federal): AC, AL, AM, BA, CE, DF, MA, MG, MS, PE, PI, RJ, RN, SE, SP e TO Em queda (5 estados): MT, PB, RO, RS e SC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 desta sexta aponta que 25.777.943 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 12,17% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 9.134.959 pessoas (4,31% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 34.912.902 doses foram aplicadas em todo o país. Variação de mortes por estado Estados em que há alta no número de mortes Arte/G1 Estados em que há estabilidade no número de mortes Arte/G1 Estados em que há queda no número de mortes Arte/G1 Sul PR: +21% RS: -32% SC: -21% Sudeste ES: +29% MG: +6% RJ: +5% SP: +11% Centro-Oeste DF: -12% GO: +24% MS: -5% MT: -18% Norte AC: +11% AM: +3% AP: +36% PA: +28% RO: -17% RR: +63% TO: - 11% Nordeste AL: +8% BA: +2% CE: -6% MA: +13% PB: -25% PE: +11 % PI: +10% RN: - 5% SE: +14% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
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16/04 - 'Meu filho poderia ter sobrevivido se tivesse sido testado': a tragédia das crianças mortas por Covid no Brasil
Dados compartilhados com a BBC News Brasil mostram que pelo menos 2 mil crianças de até nove anos morreram em decorrência das complicações do novo coronavírus no país; baixa testagem, falta de diagnóstico adequado e más condições socioeconômicas são apontadas como grandes culpadas. Lucas não foi testado e morreu de Covid-19 Arquivo pessoal/Jessika Ricarte A pandemia de Covid-19 vitimou também os pequenos no Brasil: mais de 2 mil crianças com menos de nove anos já morreram devido ao novo coronavírus, das quais 1,3 mil bebês. Essas mortes, apesar de raras, são resultado de uma combinação de baixa testagem, falta de diagnóstico adequado e más condições socioeconômicas, dizem especialistas e médicos ouvidos pela BBC. O filho da professora cearense Jessika Ricarte, Lucas, de um ano, foi uma das vítimas do coronavírus. Grávidas e vacinas contra a Covid no Brasil: entenda as novas regras de vacinação Um médico se recusou a testá-lo para Covid-19, dizendo que seus sintomas não se encaixavam no perfil dos doentes. Dois meses depois, ele morreu de complicações da doença. Lucas foi uma criança muito esperada. Chegou após dois anos de tentativas e tratamentos de fertilidade malsucedidos. Jessika e seu marido, Israel, quase desistiram de ter uma família. Então, ela engravidou. "O nome Lucas quer dizer 'iluminado'. E ele foi uma luz em nossa vida. Lucas mostrou que a felicidade era muito maior do que imaginávamos", diz ela à BBC News Brasil. Jessika primeiro suspeitou que algo estava errado quando Lucas, que nunca teve problemas para se alimentar, perdeu o apetite. Combate ao coronavírus deve ter foco em evitar a transmissão pelo ar, defendem pesquisadores Combinar distanciamento social, máscaras e higiene das mãos é melhor estratégia para combater Covid-19, mostra estudo A princípio, pensou que seu filho estava tendo problemas de dentição. A madrinha de Lucas, uma enfermeira, sugeriu que o menino poderia estar com a garganta inflamada. Mas depois que Lucas desenvolveu febre, fadiga e dificuldade para respirar, Jessika o levou ao hospital e pediu que seu filho fosse submetido a um teste de Covid. "O médico colocou um oxímetro nele. Os níveis de oxigenação de Lucas estavam em 86%. Agora sei que isso não é normal", diz Jessika. Mas Lucas não estava com febre, e o médico disse: "Minha querida, não se preocupe. Não há necessidade de fazer o teste de Covid. Provavelmente é apenas uma pequena dor de garganta." Ele explicou a Jessika que a Covid-19 era rara em crianças, deu alguns antibióticos ao menino e mandou mãe e filho de volta para casa. Jessika suspeitou do diagnóstico, mas não havia outra opção para testar Lucas na época. Jessika diz que alguns dos sintomas desapareceram no fim do curso de antibióticos de 10 dias, mas o cansaço permaneceu - assim como suas preocupações com o coronavírus. "Mandei vários vídeos para a madrinha dele, meus pais, minha sogra, e todos falaram que eu estava exagerando, que deveria parar de assistir ao noticiário, que estava me deixando paranóica. Mas eu sabia que meu filho estava diferente, que ele não estava respirando normalmente", lembra. Era maio de 2020 e a epidemia de coronavírus se alastrava pelo Brasil. Duas pessoas já haviam morrido em sua cidade, Tamboril, no Ceará. "Todo mundo se conhece aqui. A cidade estava em choque." Lucas, de um ano, morreu de Covid-19; sua mãe, Jessika, diz que se ele tivesse feito teste, poderia ter sobrevivido Arquivo pessoal/Jessika Ricarte O marido de Jessika, Israel, temia que outra visita ao hospital aumentasse o risco de ela e Lucas serem infectados com o vírus. Mas as semanas se passaram e Lucas foi ficando cada vez mais sonolento. Em 3 de junho, Lucas vomitou várias vezes depois de almoçar, e Jessika sabia que precisava agir. Eles voltaram para o hospital local, onde o médico testou Lucas para Covid, para descartar a possibilidade da doença. A madrinha de Lucas, que trabalhava lá, deu ao casal a notícia de que o resultado do exame foi positivo. "Na época, o hospital não tinha nem ressuscitador", conta Jessika. O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95 Lucas foi transferido para uma unidade de terapia intensiva pediátrica em Sobral, a mais de duas horas de distância, onde foi diagnosticado uma doença chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica (SIM). A SIM é uma resposta imunológica extrema ao vírus, que pode causar inflamação de órgãos vitais. Especialistas dizem que a síndrome, que afeta crianças em até seis semanas após a infecção pelo coronavírus, é rara, mas Fátima Marinho, médica epidemiologista e especialista sênior da consultoria Vital Strategies, afirma que, durante a pandemia, os casos de SIM aumentaram, embora não sejam responsáveis por todas as mortes. Quando Lucas foi intubado, Jessika não teve permissão para ficar no mesmo quarto. Ela ligou para a cunhada para tentar se distrair. "Ainda podíamos ouvir o barulho da máquina, o apito, até que a máquina parou e emitiu aquele apito constante. E sabemos que isso acontece quando a pessoa morre. Depois de alguns minutos, a máquina voltou a funcionar e eu comecei a chorar. " Os médicos disseram a ela que Lucas havia sofrido uma parada cardíaca, mas eles conseguiram reanimá-lo. A médica pediatra Manuela Monte, que cuidou de Lucas por mais de um mês na UTI de Sobral, disse que ficou surpresa com a gravidade do estado do menino, pois ele não apresentava fatores de risco. Lucas e seus pais, Jessika e Israel Arquivo pessoal/Jessika Ricarte A maioria das crianças afetadas pela Covid tem comorbidades - doenças existentes como diabetes ou doenças cardiovasculares - ou está acima do peso, de acordo com Lohanna Tavares, infectologista pediátrica do Hospital Infantil Albert Sabin em Fortaleza. Mas esse não foi o caso de Lucas. Durante os 33 dias em que Lucas ficou na UTI, Jessika só teve permissão para vê-lo três vezes. Lucas precisava de imunoglobulina - um medicamento muito caro - para desinflamar seu coração, mas felizmente um paciente adulto que comprou a sua própria doou uma ampola restante para o hospital. Lucas estava tão doente que recebeu uma segunda dose de imunoglobulina. Ele desenvolveu uma erupção cutânea e estava com febre persistente. O menino precisava de ajuda para respirar. Então, Lucas começou a melhorar e os médicos decidiram tirar seu tubo de oxigênio. Eles ligaram para Jessika e Israel para que ele não se sentisse sozinho ao recuperar a consciência. "Quando ele ouviu nossas vozes, começou a chorar", diz Jessika. Foi a última vez que o casal viu o filho. Durante a videochamada seguinte, "ele tinha uma aparência paralisada". O hospital solicitou uma tomografia computadorizada e descobriu que Lucas havia sofrido um derrame. Mesmo assim, Jessika e Israel foram informados que Lucas se recuperaria e logo seria transferido da UTI para uma enfermaria geral. 'É importante que médicos façam teste' Quando Jessika e Israel foram visitá-lo, o médico estava tão esperançoso quanto o casal, conta ela. "Naquela noite, coloquei meu celular no modo silencioso. Sonhei que Lucas veio até mim e beijou meu nariz. E o sonho foi um grande sentimento de amor, gratidão e acordei muito feliz. Aí acordei e vi as 10 ligações que o médico fez." VÍDEO: Entenda como o coronavírus age no corpo humano O médico disse a Jessika que a frequência cardíaca e os níveis de oxigênio de Lucas caíram repentinamente, e ele morreu pela manhã. Jessika tem certeza de que, se Lucas tivesse feito um teste para diagnosticar Covid quando ela o solicitou, no início de maio, seu filho teria sobrevivido. "É importante que os médicos, mesmo que acreditem que não seja Covid, façam o exame para eliminar essa possibilidade", argumenta. "Um bebê não diz o que está sentindo, então dependemos de testes." Jessika acredita que a demora no tratamento adequado agravou seu quadro. "Lucas tinha várias inflamações, 70% do pulmão estava comprometido, o coração aumentou 40%. Era uma situação que poderia ter sido evitada". Manuela Monte, que tratou de Lucas, concorda. Ela diz que embora a SIM não possa ser evitada, o tratamento tem muito mais sucesso se a doença for diagnosticada e tratada precocemente. Vacina contra a Covid-19 no Brasil: veja como está vacinação hoje na sua cidade "Quanto mais cedo ele tivesse recebido cuidados especializados, melhor", diz ela. "Ele chegou ao hospital já gravemente doente. Acredito que o resultado poderia ter sido diferente se pudéssemos tê-lo tratado mais cedo." Jessika agora quer compartilhar a história de Lucas para ajudar outras pessoas que podem não perceber os sintomas críticos da doença em crianças. "Todas as crianças que eu conheço foram salvas por algum aviso e a mãe diz: 'Eu vi seus posts, levei meu filho para o hospital e ele está em casa agora.' É como se fosse um pouquinho do Lucas", diz ela. "Tenho feito por essas pessoas o que gostaria que tivessem feito por mim. Se eu tivesse informações, teria sido ainda mais cautelosa." Para Marinho, da Vital Strategies, há um equívoco de que as crianças são "imunes" à Covid. Ela coordenou um estudo que mostrou um número assustadoramente alto de crianças e bebês afetados pelo vírus. Entre fevereiro de 2020 e 15 de março de 2021, a Covid-19 matou pelo menos 852 crianças brasileiras de até nove anos, incluindo 518 bebês menores de um ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas Marinho diz que esse número é, na verdade, muito maior - foram pelo menos 2 mil. A culpa das subnotificações recai na falta de testes da Covid, assinala. Marinho calculou o excesso de mortes por síndrome respiratória aguda não especificada durante a pandemia e descobriu que havia 10 vezes mais mortes por síndrome respiratória não-especificada do que nos anos anteriores. Ao somar esses números, ela estima que o vírus de fato matou 2.060 crianças menores de nove anos, incluindo 1.302 bebês. Por que isso está acontecendo? Especialistas dizem que o grande número de casos de Covid no país - o terceiro maior número do mundo - aumentou a probabilidade de bebês e crianças pequenas no Brasil serem afetadas. Veja perguntas e respostas sobre a vacinação contra a Covid-19 "Claro que quanto mais casos tivermos e, por consequência, mais hospitalizações, maior é o número de mortos em todas as faixas etárias, incluindo crianças. Mas se a pandemia estivesse controlada, esse cenário poderia evidentemente ser minimizado", diz à BBC News Brasil Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Essa alta taxa de infecção sobrecarregou todo o sistema de saúde brasileiro. Por todo o país, o suprimento de oxigênio está diminuindo, há uma escassez de medicamentos básicos e em muitas UTIs por todo o país simplesmente não há mais leitos. O presidente Jair Bolsonaro continua a se opor ao lockdown e a taxa de infecção está sendo impulsionada pela variante P.1 que surgiu em Manaus, no Amazonas, no ano passado, e é considerada muito mais contagiosa. Duas vezes mais pessoas morreram no mês passado do que em qualquer outro mês da pandemia, e a tendência de aumento continua. Outro problema que impulsiona as altas taxas em crianças é a falta de testes. Marinho diz que para as crianças muitas vezes o diagnóstico de Covid chega tarde, quando já estão gravemente doentes. "Temos um problema sério na detecção de casos. Não temos exames suficientes para a população em geral, menos ainda para as crianças. Como há um atraso no diagnóstico, há um atraso no atendimento à criança", afirma. Isso não ocorre apenas porque há pouca capacidade de testagem, mas também porque é mais fácil não perceber, ou diagnosticar erroneamente, os sintomas de crianças que sofrem de Covid-19, já que a doença tende a se apresentar de forma diferente em pessoas mais jovens. "Uma criança com Covid tem muito mais diarreia, muito mais dor abdominal e dor no peito do que o quadro clássico nos adultos. Como há um atraso no diagnóstico, quando a criança chega ao hospital, já está em estado grave e pode acabar tendo complicações - e morrendo", diz ela. Mas as mortes de crianças também estão ligadas à pobreza e ao acesso à saúde. Um estudo observacional de 5.857 pacientes com Covid-19 com menos de 20 anos , realizado por pediatras brasileiros liderados por Braian Sousa, ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e com supervisão de Alexandre Ferraro, identificou comorbidades e vulnerabilidades socioeconômicas como fatores de risco para as mortes de crianças pela doença. Marinho concorda que esse é um fator importante. "Os mais vulneráveis são as crianças negras e as de famílias muito pobres, porque têm mais dificuldade em obter ajuda. Essas são as crianças com maior risco de morte". Em sua visão, isso ocorre porque as condições de moradia superlotadas impossibilitam o distanciamento social quando infectados e porque as comunidades mais pobres não têm acesso a uma UTI local. Essas crianças também correm o risco de desnutrição, o que é "péssimo para a resposta imunológica", diz Marinho. Quando o auxílio emergencial terminou, milhões voltaram para a pobreza. "Passamos de 7 milhões para 21 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza em um ano. Portanto, as pessoas também estão passando fome. Tudo isso está afetando a mortalidade". Sousa diz que seu estudo identifica certos grupos de risco entre as crianças que devem ser priorizados para vacinação. Atualmente, não há vacinas disponíveis para crianças menores de 16 anos. As visitas de familiares às crianças em UTI foram restritas desde o início da pandemia, por medo de infecção. Cinara Carneiro, pediatra da UTI do Hospital Infantil Albert Sabin, diz que isso tem sido um grande desafio, não apenas porque os pais são um conforto para seus filhos, mas porque também podem ajudar no sentido clínico - eles podem dizer quando seu filho está internado com dor ou sob sofrimento psicológico e quando precisam de calmantes em vez de medicamentos. Ela acrescenta que essa ausência acaba se tornando uma experiência traumática para os próprios pais quando recebem a notícia que a condição do filho piorou e eles não estiveram lá para testemunhar. "Dói ver uma criança morrer sem ver os pais", diz Carneiro. Na tentativa de melhorar a comunicação entre pais e filhos, a equipe do hospital Albert Sabin se reuniu para comprar telefones e tablets para facilitar as chamadas de vídeo. Carneiro diz que isso ajudou imensamente. "Fizemos mais de 100 videochamadas entre familiares e pacientes. Esse contato reduziu muito o estresse." Cientistas enfatizam que o risco de morte nessa faixa etária ainda é "muito baixo" - os números atuais indicam que 0,58% das mais de 360 mil mortes de Covid no Brasil até agora foram de 0-9 anos - mas isso significa mais de 2 mil crianças. "Os números são realmente assustadores", diz Carneiro. Quando procurar ajuda Embora crianças possam contrair a Covid-19, raramente desenvolvem o quadro grave da doença. Mas o Royal College of Paediatrics and Child Health, a associação de médicos pediatras do Reino Unido, aconselha os pais a procurarem ajuda urgente se a criança: Apresentar aparência pálida, com manchas e sensação de frio anormal ao toque Ter pausas na respiração (apnéias), um padrão respiratório irregular ou começarem a grunhir Ter dificuldade para respirar, ficando agitados ou sem resposta Apresentar coloração azul na boca Ter espamos ou convulsões Ficar extremamente angustiada (chora sem parar apesar da distração), confusa, muito letárgica (difícil de acordar) ou sem resposta Desenvolver uma erupção cutânea que não desaparece com a pressão (o 'teste do copo') Ter dor nos testículos, especialmente em meninos adolescentes Veja mais vídeos sobre a Covid-19
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16/04 - Grávidas e vacinas contra a Covid no Brasil: entenda as novas regras de vacinação
Ministério da Saúde recomenda que as gestantes, lactantes e puérperas procurem os serviços de saúde somente quando chegar a fase de vacinação do grupo prioritário no qual elas estão inseridas. Uma portaria do Ministério da Saúde recomenda que mulheres grávidas que tenham doenças prévias (comorbidades) recebam a vacinação contra a Covid-19. A indicação é uma mudança em relação a diretrizes anteriores da pasta. As novas orientações foram publicadas em 15 de março. Abaixo, nesta reportagem, você vai entender em perguntas e respostas quais são as novas recomendações sobre a vacinação de grávidas, lactantes e puérperas (mulheres no período de até 60 dias após o parto): A recomendação do Ministério vale para todas as grávidas? Grávidas sem doenças prévias podem ser vacinadas, se quiserem? Mulheres amamentando e que estão no puerpério podem ser vacinadas, se quiserem? As grávidas vacinadas devem manter os cuidados contra a Covid após receber a vacina? As mulheres grávidas, lactantes e puérperas podem escolher não se vacinar? Quando começa a vacinação de mulheres grávidas? Se a mulher estiver amamentando, ela precisa interromper o aleitamento para se vacinar? Mulheres vacinadas podem doar leite materno? Há contraindicações à vacinação de mulheres grávidas, puérperas e lactantes? 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x 1) A recomendação do ministério vale para todas as grávidas? A nova recomendação é para que as mulheres grávidas com doenças prévias (comorbidades) sejam vacinadas. As doenças listadas são as seguintes: diabetes hipertensão arterial crônica obesidade (IMC maior ou igual a 30) doença cardiovascular asma brônquica imunossuprimidas transplantadas doenças renais crônicas doenças autoimunes 2) Grávidas sem doenças prévias PODEM ser vacinadas, se quiserem? Sim, o Ministério da Saúde abre essa possibilidade, mas considera que a decisão deve ser tomada depois de uma avaliação de risco e benefícios. As grávidas sem doenças prévias não eram citadas no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, divulgado em janeiro. Agora, elas podem ser vacinadas após uma avaliação de riscos e benefícios, principalmente em relação às atividades desenvolvidas pela mulher. Isso porque alguns dos critérios de definição dos grupos prioritários do Ministério da Saúde envolvem a profissão, e não doenças prévias. Por exemplo: professores, caminhoneiros e membros das Forças Armadas são grupos prioritários, com ou sem doenças prévias. 3) Mulheres amamentando e que estão no puerpério PODEM ser vacinadas, se quiserem? Sim, desde que façam parte dos grupos prioritários, segundo o ordenamento do Plano Nacional de Vacinação. Ou que esperem a futura convocação por idade após os grupos prioritários. Relembre os grupos abaixo – alguns deles não se aplicam a mulheres lactantes e no puerpério. Eles estão em ordem de prioridade: Pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas Pessoas com deficiência institucionalizadas Povos indígenas vivendo em terras indígenas Trabalhadores de saúde Pessoas de 90 anos ou mais Pessoas de 85 a 89 anos Pessoas de 80 a 84 anos Pessoas de 75 a 79 anos Povos e comunidades tradicionais Ribeirinhas Povos e comunidades tradicionais Quilombolas Pessoas de 70 a 74 anos Pessoas de 65 a 69 anos Pessoas de 60 a 64 anos Pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades Pessoas com deficiência permanente Pessoas em situação de rua População privada de liberdade Funcionários do sistema de privação de liberdade Trabalhadores da educação do ensino básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA) Trabalhadores da educação do ensino superior Forças de segurança e salvamento Forças Armadas Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário Trabalhadores de transporte aéreo Trabalhadores de transporte aquaviário Caminhoneiros Trabalhadores portuários Trabalhadores industriais 4) As grávidas vacinadas devem manter os cuidados contra a Covid após receber a vacina? Sim. As grávidas vacinadas devem manter os cuidados mesmo após a aplicação das duas doses da vacina e de esperar o período necessário para o corpo criar a defesa contra o vírus. O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95 Combate ao coronavírus deve ter foco em evitar a transmissão pelo ar, defendem pesquisadores Combinar distanciamento social, máscaras e higiene das mãos é melhor estratégia para combater Covid-19, mostra estudo 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x 5) As mulheres grávidas, lactantes e puérperas podem escolher NÃO se vacinar? Sim. As grávidas e lactantes, mesmo nos grupos prioritários, podem escolher não se vacinar. Elas devem ser apoiadas em sua decisão e instruídas a manter medidas de proteção como higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. 6) Quando começa a vacinação de mulheres grávidas? Segundo o secretário de Atenção Primária a Saúde, Raphael Parente, as grávidas já podem ir ao posto de saúde se vacinar. Entretanto, lembrou que as definições de quando cada grupo será vacinado estão sendo tomadas pelos municípios. Em uma coletiva nesta sexta-feira (16), o secretário respondeu à seguinte pergunta: "se [a grávida] chegar num posto de saúde [hoje], pode receber a vacinação?" Parente disse que essa era a recomendação do Ministério da Saúde. "A recomendação do Ministério da Saúde é essa", respondeu o secretário, que acrescentou: "agora, o Ministério da Saúde coloca um guarda-chuva de recomendação. Quando chega lá no município, aí a gente tem visto de tudo – desde as coisas seguidas da forma mais lógica e outras, não. Isso é uma questão local do município." Segundo a portaria de março, a vacinação de grávidas, com ou sem doenças prévias, deve seguir o calendário de vacinação dos grupos prioritários, disponíveis no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Em nota desta sexta, o Ministério da Saúde recomenda que o "as gestantes, lactantes e puérperas procurem os serviços de saúde somente quando chegar a fase de vacinação do grupo prioritário no qual elas estão inseridas". 7) Se a mulher estiver amamentando, ela precisa interromper o aleitamento para se vacinar? Não. As lactantes não devem interromper o aleitamento ao receber a vacina e podem doar leite mesmo vacinadas. 8) Mulheres vacinadas podem doar leite materno? Sim. Mulheres vacinadas que desejem doar leite poderão fazê-lo. 9) Há contraindicações à vacinação de mulheres grávidas, puérperas e lactantes? Não. A portaria do Ministério da Saúde afirma que não há contraindicação para vacinação dessas mulheres com as vacinas em uso no Brasil atualmente (CoronaVac e vacina de Oxford). Mesmo assim, os profissionais de saúde devem informar as mulheres sobre as limitações do conhecimento, até o momento, da eficácia e segurança das vacinas contra a Covid-19 em gestantes, puérperas e lactantes, para que elas possam tomar uma decisão esclarecida, segundo o documento. As recomendações serão atualizadas conforme o surgimento de novas evidências, de acordo com a portaria. 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
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16/04 - Ministério da Saúde pede que, se possível, mulheres adiem gravidez até melhora da pandemia
Grávidas com doenças prévias devem se vacinar contra Covid-19 e gestantes sem doenças também podem receber vacina, segundo secretário de Atenção Primária à Saúde. Mulher grávida é vista com roupas protetoras contra a Covid-19 em Nova York, no dia 27 de abril. Johannes Eisele / AFP O secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Parente, pediu, nesta sexta-feira (16), que as mulheres adiem a gravidez até haver uma melhora da pandemia, se for possível. "Caso possível, postergar um pouco a gravidez, para um melhor momento, em que você possa ter a sua gravidez de forma mais tranquila. A gente sabe que na época do zika, durante um, dois anos, se teve uma diminuição das gravidezes no Brasil, e depois aumentou. É normal. É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42, 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher um pouco ali o seu momento de gravidez, o mais indicado agora é você esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma", disse o secretário, que é médico e tem doutorado em ginecologia. Parente justificou o pedido afirmando que a gravidez é, por definição, uma condição que favorece as tromboses – a formação de coágulos no sangue. A Covid-19 também favorece a ocorrência de tromboses, o que pode tornar a doença ainda mais perigosa na gravidez. No ano passado, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) já havia alertado que grávidas corriam mais risco de desenvolver formas graves da Covid. Grávidas em grupos de risco devem se vacinar Raphael Parente também reforçou que, conforme portaria do Ministério da Saúde publicada no dia 15 de março, mulheres grávidas que tenham doenças prévias têm recomendação de receber uma vacina contra a Covid-19 e já podem ir aos postos se vacinar. As grávidas que não têm doenças também podem ser vacinadas depois de passar por uma avaliação de risco e benefícios. Segundo as novas orientações, é recomendado que as gestantes com as seguintes condições prévias sejam vacinadas: diabetes hipertensão arterial crônica obesidade (IMC maior ou igual a 30) doença cardiovascular asma brônquica imunossuprimidas transplantadas doenças renais crônicas doenças autoimunes A vacinação de grávidas, com ou sem doenças prévias, deve seguir o calendário de vacinação dos grupos prioritários, disponíveis no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. A vacina também pode ser dada a mulheres no puerpério (período de até 60 dias após o parto) e que estejam amamentando (lactantes). As lactantes não devem interromper o aleitamento ao receber a vacina e podem doar leite mesmo vacinadas. No caso de lactantes e puérperas, as mulheres devem pertencer a um dos grupos prioritários listados no Plano Nacional de Vacinação, divulgado em janeiro. O documento listava 29 grupos com prioridade e não incluía gestantes (entenda abaixo). O que mudou? Em janeiro, o Ministério da Saúde divulgou um Plano Nacional de Vacinação que previa algumas regras para vacinação de grávidas, lactantes e puérperas. Algumas dessas regras foram mudadas. Veja algumas das alterações: Gestantes de grupos prioritários poderiam ser vacinadas, após uma avaliação de riscos e benefícios. Essa orientação mudou: agora, o Ministério da Saúde recomenda que grávidas com doenças prévias sejam vacinadas. As grávidas sem doenças prévias não eram citadas no documento de janeiro; agora, elas podem ser vacinadas após uma avaliação de riscos e benefícios, principalmente em relação às atividades desenvolvidas pela mulher. Isso porque alguns critérios de definição dos grupos prioritários da pasta envolvem a profissão, e não doenças prévias. O ministério acrescentou a informação de que mulheres vacinadas podem doar leite materno. O que ficou igual? As mulheres lactantes e no puerpério podem se vacinar, desde que façam parte dos grupos prioritários. As grávidas e lactantes, mesmo nos grupos prioritários, podem escolher não se vacinar. Elas devem ser apoiadas em sua decisão e instruídas a manter medidas de proteção como higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. Se forem vacinadas, as lactantes não devem interromper o aleitamento. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
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16/04 - Covid: 'Quem cometeu erros graves na pandemia precisa ser punido', diz Drauzio Varella
Médico avalia o enfrentamento da covid-19 no Brasil e os fatores que fizeram o país ter números tão elevados e chegar ao colapso do sistema de saúde. Para ele, Bolsonaro atuou para pessoas 'pegarem o vírus'. Drauzio Varella: 'As pessoas se acostumaram com a tragédia no Brasil' Em abril de 2020, o médico Drauzio Varella deu uma entrevista à BBC News Brasil em que analisou a evolução da Covid-19 e disse que a pandemia poderia resultar numa "tragédia nacional". 'Deu no que deu essa irresponsabilidade toda', lamenta Drauzio Varella Passado um ano, ele entende que seus prognósticos estavam corretos e se revelaram ainda piores do que o esperado. De acordo com o especialista, reconhecido em todo o Brasil por sua participação ativa em programas de televisão e pela publicação de vários livros, essa catástrofe foi intensificada pela desorganização do Ministério da Saúde e por um "presidente da República que dá exemplo pessoal do que fazer para disseminar a epidemia". Falhas na resposta à Covid levam Brasil a 'catástrofe humanitária', dizem Médicos Sem Fronteiras Estudo aponta erros graves do governo brasileiro no combate à pandemia de Covid-19 Numa nova entrevista exclusiva à BBC News Brasil, Varella avalia que toda a discussão sobre o tratamento precoce foi armada intencionalmente para desviar a atenção das pessoas e entende que a vacinação contra a Covid-19 está num ritmo "ridículo". "Se tivéssemos começado a vacinar em dezembro ou janeiro, não estaríamos com mais de três mil mortes diárias como acontece atualmente", observa. O médico também destaca o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) e entende que os erros cometidos precisam ser apurados e julgados. "O Brasil tem menos de 3% da população mundial. No momento atual, de cada quatro pessoas que morrem de Covid-19 no mundo, uma é brasileira. É uma mortalidade absurda", critica. Confira a seguir os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil - Na entrevista que o senhor nos concedeu em abril de 2020, uma das frases que chamaram a atenção foi: "Eu acho que vai acontecer uma tragédia nacional, eu não tenho dúvida disso". Passado um ano, o senhor avalia que esse prognóstico se cumpriu ou foi ainda pior que o esperado? Drauzio Varella - Infelizmente, esse prognóstico se cumpriu e foi pior do que eu esperava naquela época. Eu passei três fases nesta epidemia. A primeira foi em janeiro do ano passado, quando a doença estava só na China, não tinha nem chegado direito na Europa. Quer dizer, já tinha chegado, mas não havia ainda um número grande de casos. E as informações que a gente tinha é que não haveria mais mortos por esse coronavírus do que pelas epidemias de gripe. E que a maioria das pessoas, por volta de 80%, teria sintomas leves. Isso foi antes da epidemia chegar à Itália. Quando chegou lá, nós já tivemos noção do que estava acontecendo. Em abril do ano passado, nós já sabíamos o que estava se passando em Nova York e que estávamos diante de uma epidemia grave. E os primeiros casos começaram a acontecer em São Paulo. A primeira morte por Covid-19 no Brasil foi em março do ano passado. O médico aponta que o Ministério da Saúde se tornou irrelevante em meio à maior pandemia das últimas décadas BBC E eu achei que ia ser uma tragédia porque você tem uma epidemia de um vírus que se transmite por meio de gotículas que a gente elimina quando fala, tosse e espirra. E esse vírus, quanto mais próxima uma pessoa fica da outra, mais fácil de pegar. Quando se tem uma epidemia dessas, o ideal então era fechar e ter isolamento, que é o que começava a ser feito na Itália e na China. Isso é clássico na saúde pública, ninguém inventou nada agora. Isso é feito assim há milênios: afastar as pessoas, trancar, deixar em casa para proteger. Mas eu sabia que fazer isso no Brasil seria muito difícil. Eu já rodei muito pelas periferias das cidades brasileiras por causa dos programas de televisão, e nós temos um cinturão de pobreza e miséria em volta de cada metrópole e até ao redor cidades menores... São pessoas que não têm condição de ficarem isoladas. Elas não têm condições porque dependem do trabalho diário para poder comer e levar alimento à família. Como é que essas pessoas iam fazer isolamento? Eu já imaginava naquele momento que teríamos um problema sério e que o Brasil ia ser fortemente assolado pela epidemia. Mas eu não tinha previsto que haveria uma desorganização do Ministério da Saúde, a ponto de o ministério perder completamente a relevância no país. E ter um presidente da República que dá exemplo pessoal do que fazer para disseminar a epidemia. Porque se você acordar amanhã e disser: o que vou fazer para disseminar a epidemia no Brasil, o que você faria? Você sairia sem máscara e faria aglomerações. É a única coisa que você poderia fazer para disseminar a epidemia. E foi o que ele fez, e é o que ele tem feito. Eu não previ que isso pudesse ter um impacto tão grande. E a epidemia foi ficando cada vez pior. Você se lembra que nós tivemos uma fase em que todo mundo ficava esperando o pico? Lembra disso no ano passado? O pico vai ser em maio, em junho... O que aconteceu no Brasil? Nós atingimos esse pico e ele não foi seguido por uma queda, como aconteceu em vários países. Ele foi seguido por um platô. E ficamos com um número grande de mortos até setembro e outubro, só começou a cair um pouco depois disso. Aí veio a segunda onda. A gente sabia que existia essa possibilidade, mas não dava para prever nem quando e nem como ela aconteceria. BBC News Brasil - Em outro trecho dessa entrevista do ano passado, o senhor comentou: "Nos últimos dez anos, nós tivemos 13 ministros da Saúde. A média de permanência no cargo foi de dez meses, porque o Ministério da Saúde foi usado como troca política". Naquele período, em abril de 2020, o Brasil estava à beira de trocar o então ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta. Depois dele, vieram Nelson Teich, Eduardo Pazuello e agora Marcelo Queiroga. Ou seja: a média de troca, que era de dez meses, caiu nesse período para quatro meses. Como essa troca constante em meio à pandemia prejudicou a resposta do Brasil à crise sanitária? Varella - Quando você tem uma epidemia, você tem que ter um governo central que decida combater a epidemia. A decisão de combater a epidemia é política. É o presidente da República que tem que tomar essa decisão. E aí o que ele faz? Bom, ele é o presidente, ele não tem obrigação de ser formado na área da saúde. Ele então escolhe um ministro da Saúde que tenha. O ministro da Saúde não precisa ser um médico, um especialista naquela área. Mas precisa ser uma pessoa com formação para se cercar dos profissionais competentes que possam definir a orientação. E aí o ministro da Saúde impõe essas medidas e o presidente da República apoia. Nós não tivemos nada parecido com isso. Na verdade, quem conduziu o combate à pandemia foi o presidente da República. Um ex-ministro disse claramente: um manda, outro obedece. O que está acontecendo agora? A mesma coisa. O que você pode cobrar do atual ministro da Saúde, se ele não pode falar a favor do isolamento social e tem que manter essa enganação que é o tratamento precoce? Ele não pode dizer para parar com essa história de hidroxicloroquina, ivermectina... Ele simplesmente não pode fazer isso. Ele tem que dizer que os médicos possuem o direito de prescrever. Quer dizer, ele está numa situação em que foi escolhido para obedecer o presidente da República e esse é o problema todo. BBC News Brasil - Ao longo dos últimos meses, o nome do senhor e trechos de vídeos antigos foram utilizados fora de contexto para relativizar a Covid-19 ou espalhar desinformação sobre a pandemia. Como foi lidar com isso do ponto de vista individual? Varella - É muito desagradável. Eu tenho uma carreira e comecei a divulgar temas de saúde numa época em que médicos sérios não apareciam na televisão ou nas rádios. E eu me expus ainda nos anos 1980, por causa da epidemia de aids. Eu achei que a informação tinha que chegar à população, porque naquela época a aids era tratada como peste gay. E mantenho esse trabalho até hoje. Uma parte importante de minha atividade é essa, de divulgar informação sobre saúde. Aí tem gente que vai buscar um vídeo que você fez em janeiro de 2020, quando não havia nenhum caso de Covid-19 no Brasil ou qualquer descrição da doença no país. E essas pessoas pegam esse material e jogam nos meios de comunicação como se eu tivesse acabado de dizer aquilo. Acontece que eu tenho um desprezo tão profundo por essas pessoas que sinceramente eu nem me sinto ofendido. Eles pretendem o que com isso? Se pretendem me atingir, com que finalidade? Eu não sou candidato a nada. Não sou político, nunca fui e nunca serei. O que pode acontecer com isso? Nada. Não vão me atingir de maneira nenhuma. Não vão prejudicar a minha carreira por causa disso. E também não vão prejudicar as minhas pretensões, simplesmente porque não as tenho. A finalidade disso é confundir a população. Esse é o aspecto mais doloroso. É dizer: olha, o nosso presidente disse que é uma gripezinha, mas o Dr. Drauzio Varella também fala o mesmo. Mas eles não avisam que esse vídeo foi feito antes de a epidemia chegar de verdade. O Dr. Anthony Fauci, que é a maior autoridade em doenças infecciosas nos Estados Unidos, falou a mesma coisa. Assim como várias outras autoridades mundiais em saúde do mundo inteiro. À época, havia uma série de razões científicas para essa interpretação. BBC News Brasil - Por um lado, a internet tem esse lado perverso, da descontextualização e do uso político de certas falas e personalidades. Mas ela também possui um lado leve, como os memes, os stickers de WhatsApp, os vídeos virais. Como o senhor encara esses materiais feitos com sua imagem? Varella - Olha, eu me divirto com eles. Eu acho engraçado, ainda mais quando jovens e crianças repassam esses stickers e memes com minhas caricaturas. Eu acho que isso faz parte da comunicação. Você é jornalista e é interessadíssimo em comunicar as coisas para as pessoas. No decorrer de seu trabalho, você está sempre pensando: como que eu consigo atingir mais gente? Como é que essa informação que eu tenho pode ir mais longe, não é verdade? Eu penso assim também. Como eu posso levar essa informação mais longe do que ela poderia chegar? Se eu quero que as pessoas entendam e aprendam coisas de saúde que são importantes para o dia a dia delas, quanto mais gente eu atingir, melhor. E eu acho que a internet, ao lado dos mil problemas que causa, tem essa vantagem. De as pessoas poderem interferir e tornar a informação mais leve e interessante. BBC News Brasil - O Brasil também gastou (e ainda gasta) muito tempo com discussões sobre tratamento precoce e remédios como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. Como esse assunto desviou o foco e nos atrasou no combate à pandemia? Varella - Essa discussão foi armada justamente para isso. Ela foi armada para desviar a atenção, não aconteceu por acaso. Nós temos um presidente que adotou medidas para as pessoas saírem na rua e pegar o vírus. E ele deu exemplo de medidas assim. O que ele podia dizer? "Pode ir à rua, não seja maricas, forme aglomerações. Mas se você ficar doente, pode ser que você não ache vaga na UTI". Ele não poderia dizer isso, não é mesmo? Então qual foi a estratégia? Se você ficar doente e pegar o vírus, faça o tratamento precoce com cloroquina ou ivermectina. Quando o presidente teve Covid-19, ele deu exemplo disso. Ele pegou um copo d'água e disse: "Já tomei um comprimido de cloroquina, estou me sentindo melhor. Vou tomar o segundo agora". O que ele estava querendo? Enganar as pessoas. Enganar. Em outras palavras, a mensagem era: se você pegar o vírus, é só tomar isso aí que você vai ficar bom e está acabado. Não precisa se preocupar... OMS: Hidroxicloroquina não deve ser usada como prevenção contra a Covid Paciente morre com Covid após ser tratada com nebulização de hidroxicloroquina em Manaus Associação Médica Brasileira diz que uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia contra Covid-19 deve ser banido O Donald Trump fez a mesma coisa nos Estados Unidos. Só que a legislação americana pune os médicos que prescrevem medicações que não são indicadas para o tratamento daquela enfermidade. O médico americano que receitar cloroquina no tratamento da Covid-19 pode ser punido legalmente. Não pelo conselho de medicina ou seu equivalente, mas pela justiça comum. E aí o Trump fez o quê? Desovou no Brasil toda a cloroquina que estava encalhada nos Estados Unidos. Porque os médicos americanos não vão prescrever um medicamento que não tem indicação e eficácia numa doença, porque podem ser processados criminalmente e pagar indenizações milionárias. Com isso, a cloroquina sobrou por lá. Ela foi encaminhada pra cá, para ser distribuída e enganar as pessoas, como se aquilo tivesse alguma capacidade de proteger da doença. BBC News Brasil - O senhor citou o Conselho Federal de Medicina (CFM) e, nas últimas semanas, eles têm batido muito na tecla da autonomia, que o médico é quem sabe o melhor tratamento para seu paciente. Eles não chegam a falar de tratamento precoce ou da hidroxicloroquina diretamente, mas esse debate acontece dentro dessa discussão. Como o senhor vê a atuação do CFM e das outras entidades representativas da medicina brasileira durante essa pandemia? Varella - Elas são entidades políticas, que não representam os médicos brasileiros. Essa coisa de dizer que o médico tem autonomia para fazer o que ele acha melhor, não é bem assim. Como autonomia? Eu tenho autonomia de receitar um medicamento ou um procedimento inútil para tratar a doença de um paciente? E o paciente? Ele não tem o direito de receber apenas tratamentos que sejam ativos contra a doença dele? Quer dizer, o médico diz e escolhe o que fazer? E digo para o paciente que determinado remédio tem eficácia quando isso é mentira? É isso, eu proponho uma mentira para meu paciente? Isso é antiético. Aí você pode me dizer que muitos médicos prescrevem o tratamento precoce. Olha, os médicos que prescrevem fazem-no por duas razões. Primeiro, por ignorância. Por não estudarem, por não acompanharem a literatura. Faltam para eles os fundamentos de formação científica. São até pessoas bem intencionadas, mas despreparadas. E o segundo grupo são médicos políticos. São pessoas que defendem as posições do presidente da República e acham que eles têm que fazer isso por razões políticas. As duas situações não falam a favor dessas pessoas... BBC News Brasil - Como o senhor avalia o atual ritmo da vacinação contra a Covid-19 no Brasil? Varella - É um ritmo ridículo em relação ao que poderia ter sido. Nós temos um dos melhores programas de imunização do mundo. Não sou eu que estou dizendo isso, é a Organização Mundial da Saúde e muitas outras instituições. O Brasil tem 38 mil salas de vacinação pelo país inteiro. No Brasil, ninguém precisa viajar para ser vacinado. As pessoas vão para as unidades básicas de saúde e recebem a vacina lá. O que nós fizemos foi desorganizar o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Foi colocar nos quadros de chefia pessoas que não tinham noção, que nunca participaram de campanha nacional. Você pega o ministro anterior: ele mesmo dizia que não tinha nenhuma experiência. Não tinha vacinado uma pessoa na vida dele e, de repente, tem esse desafio pela frente. E ainda tem que lidar com um presidente que não se interessou pelas vacinas logo de cara. Ele falava mal da vacina do Butantan, que hoje é o que está salvando a pele dele e do PNI. As vacinas do Butantan são responsáveis por 80% das vacinas administradas no Brasil. Nós não compramos vacinas, não nos preparamos para esse momento. O mundo inteiro estava comprando: os Estados Unidos, a Comunidade Europeia, o Japão, os países asiáticos… As vacinas estavam disponíveis. Mas nós não compramos. E caímos na situação que a gente se encontra hoje. Bom, é claro que vamos ter vacinas. Mas quantas pessoas terão morrido até lá sem necessidade? Pessoas essas que poderiam já ter sido protegidas. Se tivéssemos começado a vacinar em dezembro ou janeiro, não estaríamos com mais de três mil mortes diárias como acontece atualmente. BBC News Brasil - E como foi a sensação de poder tomar a vacina? Como o senhor se sentiu? Varella - É engraçado, você tem um sentimento contraditório nessa hora. De um lado, é um alívio grande. Bom, tomei a vacina, posso até pegar a doença, mas parece que a chance de morrer agora é muito pequena. O que eu não quero é morrer. Ficar doente e me curar, está bom. Não quero também, mas é menos grave. Drauzio Varella é vacinado contra a Covid-19: 'confie na ciência, confie na vacina' Do outro lado, é uma sensação de frustração, de saber que a gente podia estar vacinando milhares e milhares de pessoas por dia. Eu vejo pessoas da minha própria família e amigos meus que ainda vão demorar para tomar a vacina. Então você tem alívio e frustração pelos outros que não tiveram a mesma sorte que tive. Varella compartilhou nas redes sociais imagens de quando foi vacinado contra a covid-19, no dia 15/02 Reprodução/Redes sociais BBC News Brasil - Os últimos meses foram marcados por recordes nos números de casos e óbitos por covid-19 e um colapso do sistema de saúde em vários locais do país. Como o Sistema Único de Saúde (SUS) se portou diante deste desafio? E como seria a situação se não tivéssemos ele? Varella - Bom, vou começar pela segunda pergunta. Se não tivéssemos o SUS, seria a barbárie. As pessoas estariam morrendo nas ruas. Para dizer a verdade, eu acho que o SUS me surpreendeu. Ele reagiu muito melhor do que as possibilidades que tinha. Com a criação de leitos de UTI, de leitos hospitalares, de programas de atendimento... Eu sinceramente acho que o SUS teve uma atuação impecável. Eu não consigo dizer que vi algum desleixo. Teve essas coisas de desvios de dinheiro, claro. Mas não são coisas que o SUS fez, mas bandidos que se aproximam do serviço público. Me parece que pela primeira vez os brasileiros entenderam o que é o SUS. Porque até agora a impressão dos brasileiros era que o SUS era aquela bagunça, que você vai ao pronto-socorro, não é atendido, fica em maca no corredor... Agora nós vimos o que aconteceu. Agora os brasileiros têm uma dimensão do que é o SUS. Eu acho que isso pode ser uma das boas consequências da epidemia, se é que a gente pode dizer assim. Ela chamou a atenção para a importância do Sistema Único de Saúde no Brasil. Você vê, no Reino Unido existe NHS [National Health System, ou Sistema Nacional de Saúde numa tradução literal] e os ingleses têm um orgulho dele. Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, eles colocaram o NHS no centro do gramado. Nós fizemos as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e não colocamos o SUS. E olha que o SUS é muito mais importante do que o NHS. Primeiro, o NHS surgiu depois da Segunda Guerra Mundial. Então ele está aí na faixa dos 70 anos de existência. Houve tempo para aprimorá-lo. Isso num país rico, com população de alto nível educacional, muito organizado e com cerca de 66 milhões de habitantes. Até eu organizo um sistema de saúde assim. Quero ver fazer essa organização num país de 210 milhões de habitantes, com essa tremenda desigualdade social e regional que nós temos e com esse baixo nível de escolaridade. Não é fácil. Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes tem um sistema de saúde com as características do brasileiro. É um caso único, citado no mundo inteiro. Aqui no Brasil nós não temos a visão dessa importância que o SUS tem. Eu acho que agora, passada a epidemia, quando as coisas acalmarem um pouco, nós vamos ter a ideia de como nós podemos contribuir para o aprimoramento do SUS. Isso é possível. Como? Você não precisa trabalhar no SUS para ajudar a aprimorá-lo. O SUS tem a organização do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais de Saúde. Mas o SUS acontece no município. É lá que você vai procurar a unidade básica de saúde. Então é no município que a nossa participação pode ser muito mais eficiente e eficaz. Porque você fala com o vereador, você cobra do prefeito, você participa dos conselhos de saúde... A população brasileira tem que participar da organização do Sistema Único de Saúde. BBC News Brasil - Os últimos meses também foram marcados por muitos pedidos de cientistas por um lockdown nacional de algumas semanas. Como o senhor vê essa questão? E como lidar com um lockdown num país tão desigual como o nosso? Varella - Vamos dizer que agora, por um passe de mágica, você conseguisse deixar todos os brasileiros dentro de casa, sem receber visita nenhuma, por duas ou três semanas. Você acabaria com a epidemia. Acabaria. O vírus vai passar pra quem? Só que isso é inviável: as pessoas acham que basta decretar lockdown. Não é verdade. Você tem pessoas que precisam sair de casa para manter os serviços essenciais. E você tem pessoas no Brasil que saem de casa para ganhar o suficiente, comprar o alimento e levar para a família. Se elas não fizerem isso, a família passa fome. 'Não vai ter lockdown', diz Bolsonaro após Brasil registrar 4,2 mil mortes em um dia O nível de pobreza é muito grande. Nós estamos vendo isso agora. Temos 120 milhões de pessoas com a segurança alimentar sob risco. Olha a desigualdade social no Brasil! A gente encarava a desigualdade como? Ah, o Brasil é desigual, é assim mesmo... Não é possível aceitar esse nível de desigualdade, não podemos permanecer dessa maneira. Vacinação intensa e lockdown ajudaram países a se recuperar, dizem especialistas Então como você faz lockdown? Nós temos um exemplo importante, que foi Araraquara, cidade do interior de São Paulo. O prefeito chamou os industriais da cidade, os comerciantes, os sindicatos, conversou com todos, explicou o que estava acontecendo, e o que temos que fazer. Ele disse que as pessoas estavam morrendo e iam morrer muito mais se nada fosse feito. E aí eles fizeram um lockdown rápido. Mas as pessoas que estavam em casa recebiam cestas básicas, que foram doadas pela Prefeitura e pela iniciativa privada. Não foi fácil, o prefeito foi até ameaçado de morte. E eles conseguiram dessa maneira fazer cair rapidamente o número de ocupação de leitos, de pessoas internadas na UTI e as mortes. O resultado só não foi melhor porque as cidades em volta não fizeram lockdown. Por isso, você tem que ter uma coordenação central. Eu acho que um lockdown em território nacional nunca vai ser realizado no Brasil. O que vai acontecer é que, de acordo com a evolução dos casos, com a lotação das UTIs e o colapso dos sistemas de saúde, vai ter que fazer pequenos fechamentos regionais. Eu não vejo outra alternativa. BBC News Brasil - Outra discussão muito forte no Brasil ao longo dos últimos meses foi a dicotomia entre saúde e economia. Muitos de nossos representantes, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disseram que medidas restritivas quebrariam nossa economia e isso seria até pior que a própria Covid-19. No entanto, estamos no pior momento da pandemia até agora e sem perspectiva alguma de retomada econômica. O senhor vê algum caminho para lidar com essa questão? Varella - Houve um mal entendido desde o início. Se dizia que as pessoas precisavam trabalhar para preservar a economia. Mas o que provoca a crise econômica e financeira é a existência da epidemia. Não é o fato de as pessoas ficarem em casa, não é o combate à epidemia. É justamente o contrário. Quanto mais rápido a epidemia desaparecer, mais depressa a gente retoma a economia. Isso é um clássico da história das epidemias. Aqui foi o contrário. Você vê agora, o ministro da Economia dizia há uns dois meses que a solução é a vacina. A única coisa que vai recuperar a economia é a vacina. Veja as montadoras aqui no Estado de São Paulo, que fecharam as fábricas. Elas não fecharam porque queriam fazer um lockdown. Fecharam porque são incapazes de garantir a segurança dos funcionários numa situação em que a epidemia está correndo solta, sem nenhum controle. Ou você vacina e recupera a economia, ou a economia vai ficar patinando nessa situação grave. E quanto mais tempo levar, pior. Mais tempo durará a crise. BBC News Brasil - Nos últimos dias, aumentou a discussão sobre uma CPI para apurar as ações do Governo Federal e até dos governos estaduais e municipais durante a pandemia. O senhor pessoalmente acha que é necessário rever o que foi feito até agora e responsabilizar agentes públicos por ações que foram tomadas ou ignoradas? Varella - Veja, o Brasil tem menos de 3% da população mundial. No momento atual, de cada quatro pessoas que morrem de Covid-19 no mundo, uma é brasileira. É uma mortalidade absurda. Nossa participação é de 27% das mortes. O país não precisava se encontrar nessa situação. E isso é muito grave, porque são pessoas que perderam a vida. E se cria esse clima de que estamos numa guerra... Não estamos numa guerra. As pessoas que pegam o vírus só morrem porque pegaram o vírus. Se elas não tivessem pegado o vírus, estariam vivas. Portanto, são mortes evitáveis. Quem cometeu erros graves na pandemia precisa ser punido. Que tipo de punição? Não tenho ideia, não sou jurista. Isso vai ficar para os advogados, para o Supremo Tribunal Federal, para o sistema jurídico brasileiro. Eles que vão estabelecer quais são as responsabilidades. CPI da Pandemia: veja a lista de senadores que irão integrar a comissão Pacheco lê requerimento da CPI da Pandemia e oficializa criação da comissão no Senado Se receito para o meu paciente um remédio que não tem ação para tratar a doença dele e tem efeitos colaterais, eu posso ser punido eticamente pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. E também posso ser punido pela justiça comum. E isso quando prejudico uma única pessoa. Agora, imagina se eu prejudiquei centenas de milhares de pessoas. Eu acho que isso tem que ser apurado e não pode ficar sem um processo jurídico. BBC News Brasil - O senhor sempre viajou muito pelo país e tinha uma rotina de atendimentos e consultas constantes. Como foi a adaptação ao trabalho neste último ano? Varella - Olha, não tive tempo de me adaptar. Eu passei de uma vida para outra imediatamente. Eu tinha muita atividade mesmo. Eu lembro que, em novembro de 2019, teve uma semana que eu peguei avião todos os dias. Entre idas e vindas, às vezes eu pegava dois aviões num dia, um pra ir e outro pra voltar. Eu saía de São Paulo, fazia uma palestra numa cidade do Nordeste ou do Norte, e voltava, tudo no mesmo dia. Fazia parte de minha rotina. De repente, fiquei fechado em casa. Por outro lado também, comecei a ter uma demanda para manter atividade educacional, o que foi muito bom. E é um trabalho completamente diferente daquele anterior. Eu gosto de fazer, mas às vezes fico um pouco tumultuado quando tem muita coisa na agenda. E essa comunicação pela internet é esquisita. A gente não estava habituado com ela. Se você vai numa reunião com dez pessoas em torno de uma mesa, uma está anotando, a outra está tirando um dado de um celular, uma terceira está olhando pra cima e ouvindo a conversa... Nós não estamos acostumados a nos encarar tanto tempo como a gente se encara hoje. E mais: nós não estamos habituados a ver nossa própria imagem na tela o tempo inteiro. Nós não estamos acostumados a ver a nossa imagem enquanto falamos. Esse estímulo é invasivo. Eu estou olhando pra você, as suas reações, olhando nos seus olhos. Você está olhando nos meus. E, ao mesmo tempo, você está olhando para você mesmo numa tela. É uma comunicação que gera estresse. Tanto que você participa de uma live e se sente cansado. Cansado até fisicamente, porque ficar sentado o tempo todo cria problemas. A nossa espécie não tem adaptação ainda para esse tipo de comunicação. E isso causa um estresse geral. BBC News Brasil - O senhor é oncologista e sabemos que essa é uma área da medicina em que as novidades não param. Durante este ano, o senhor conseguiu se atualizar nas últimas descobertas sobre o câncer, ou o foco total foi em entender a pandemia? Varella - Eu continuo lendo e estudando, até porque eu gosto e não sou capaz de me afastar desse conhecimento. Mas você fica muito mais desfocado. Muito mais. Eu tenho que participar de uma mesa redonda sobre um tipo de câncer do aparelho digestivo. Eu me preparo para essa aula, estudo, leio... Mas tenho também que acompanhar o que está acontecendo com a Covid-19, porque eu sou solicitado a dar opinião. Eu não posso estar desinformado e isso me desfoca um pouco. E é algo que está acontecendo com os médicos de forma geral. BBC News Brasil - E a rotina? O senhor conseguiu criar novos hábitos de exercício, alimentação e bem-estar diante das necessidades de restrição? Varella - Antes da pandemia, eu levava uma vida muito complicada. Não parava nem para almoçar. Às vezes, comia um pão de queijo na hora do almoço para aguentar até o jantar. Era uma vida muito irregular. Saía de manhã pra trabalhar e ia até de noite. Às vezes, chegava tarde. Em casa, você estabelece um regime mais disciplinado. Isso foi bom, eu consegui me manter. Não ganhei peso, ao contrário, até emagreci um pouco. Mas fiquei com medo. Pensei: agora, com atividade reduzida e em casa, com a geladeira à disposição, se eu bobear vou ganhar peso. Na minha idade, ganhar peso é muito ruim. Aliás, em qualquer idade é ruim, mas na minha é pior. Eu continuo fazendo exercício. Eu não tenho corrido na rua agora por uma série de razões. Mas eu subo a escadaria do meu prédio. Era um exercício que eu já fazia antes e agora faço com muito mais regularidade. Subo as escadas até o último andar e desço de elevador, até porque na descida de escada a gente pode machucar o joelho. Esse é o exercício que eu faço. Eu me convenci do seguinte nesses 50 anos de medicina: todo mundo quer viver muito, claro. Você também quer, imagino. Mas não a qualquer preço. Se eu disser que, aos 80 anos, sua memória vai começar a ir para o espaço, você vai ficar restrito, não vai ter coordenação motora para levar o garfo à boca, não vai conseguir ir até o banheiro, precisará usar fralda... Aposto que assim você não vai querer. BBC News Brasil - E para evitar isso, é preciso tomar aquela série de cuidados e medidas de saúde... Varella - Aí é que está. Isso não vem de graça. Para alguns, até vem de graça, por causa da genética. São pessoas muito privilegiadas. Mas são raras também. É pouco provável que isso aconteça com você ou comigo. Nós vamos ter que batalhar mesmo. É fazer exercício, não deixar o corpo parado… Corpo parado estraga depressa. BBC News Brasil - Em outro trecho da entrevista de abril de 2020, o senhor disse: "Esse vírus vai ficar um bom tempo entre nós. Não com essas características que está tendo agora, promovendo essa mortalidade absurda, mas ele vai levar muito tempo para desaparecer do contato com a humanidade." O senhor já enxerga alguma luz no fim do túnel? Varella - Eu acho que daria agora exatamente a mesma resposta que eu dei há um ano atrás. Só espero que, daqui a um ano, eu não tenha que dar essa mesma resposta também. O que eu acho é que esse vírus vai ficar por aí mesmo. E isso por várias razões. Primeiro, as vacinas que nós temos protegem contra a doença. Todos os estudos foram feitos assim. Vamos dar a vacina para um grupo e para outro não. Depois, nós vamos ver quantos morreram, foram parar na UTI e comparar com o outro grupo. Mas, até agora, nós não fizemos nenhuma comparação de quantos vacinados vão adquirir o vírus e ficaram assintomáticos. Se eu pego o vírus e fico assintomático, está ótimo. Só que aí eu vou para uma festa, vou visitar meus filhos, minha netas... Eu vou transmitir o vírus, apesar de ter sido vacinado. Nenhuma vacina provou até agora que é capaz de inibir a transmissão do vírus. Segundo ponto, será que nós vamos conseguir vacinar a população brasileira inteira? Nós vamos conseguir vacinar grande parte da população. Mas inteirinha, não vai dar. Porque tem gente que se nega a tomar vacina, que toma a primeira dose e não vai tomar a segunda... Enfim, é muito difícil você vacinar 100% das pessoas. Terceiro, podem aparecer variantes que não respondam às vacinas que nós desenvolvemos. E isso obriga a gente a criar novas vacinas e ficar vacinando periodicamente. Então é muito pouco provável que a gente elimine o vírus definitivamente. Agora, quanto mais gente vacinada, mais cairá o número de casos e o número de mortes. Mas vamos ter o vírus presente por aí por bastante tempo ainda. E isso quer dizer que as medidas que nós temos que tomar hoje, especialmente o uso de máscaras, precisarão ser mantidas. No ano que vem, nós vamos usar máscaras ainda. Porque, veja, você tem a Covid-19. Passam seis, sete meses, e tem outra vez a mesma doença. Quer dizer, provavelmente não há imunidade permanente. Com isso, é possível, ou pelo menos existe uma grande probabilidade, de que as vacinas também não o façam, o que vai obrigar a novos ciclos de vacinação. Não tem drama, é o que a gente faz com a gripe hoje. Mas não conseguimos ficar livres do vírus da gripe. E não vamos conseguir ficar livres desse coronavírus. BBC News Brasil - Que recomendação o senhor deixaria para as pessoas diante desse momento que estamos na pandemia para proteger a si e a todos aos redor? Varella - A primeira medida a tomar é identificar em que fase da epidemia nós estamos. No momento atual, estamos numa fase muito dura. Os hospitais seguem lotados de gente. O sistema de saúde está em colapso. E as pessoas muitas vezes não entendem o que é colapso. Colapso quer dizer: não tem jeito de atender. É como se não tivesse hospital para as pessoas que precisam dele. Você é atropelado na rua, tem um afundamento de tórax, precisa ser levado para UTI e não tem lugar. Você morre no pronto-socorro por essa falta de atendimento. Nessas fases, em que a doença está dessa maneira, a gente tem que tomar cuidado o máximo possível. E qual é o cuidado? Usar máscara. E não é só evitar aglomeração. Porque aglomeração é um bando de gente. A gente não acha que três ou quatro pessoas façam uma aglomeração. Você pode até não ir numa balada ou no pancadão. Mas imagina que você resolve reunir dois casais de amigos para uma pizza num domingo. Se uma dessas pessoas estiver infectada, o risco de você se infectar vai ser grande. Ah, mas eu conheço e sei que essas pessoas estão se cuidando... Não dá pra assumir quarentena alheia. Não dá. Porque cada pessoa tem o seu jeito de fazer. Portanto, numa fase como essa, todo cuidado é pouco. Quando as coisas começarem a melhorar, você estiver vacinado, as pessoas ao seu redor também, aí você vai ter mais liberdade. Até para eventualmente convidar os dois casais de amigos para a pizza de domingo. Daí você vai abrir as janelas, deixar ventilar o máximo possível o ambiente. E vai evitar ficar em lugares apertados, com gente sem máscara. E você vai continuar a usar máscara. A máscara é hoje uma peça do vestuário. Você não sai à rua sem camisa, mesmo que esteja calor. Você põe a camisa. A máscara é a mesma coisa. As pessoas vão ter que entender a necessidade dessas medidas. Se nós fizermos isso direito, vamos proteger a nós mesmos e os nossos familiares. Se a gente continuar nessa coisa de sair e negar o problema, nós vamos correr riscos e vamos correr risco pelos nossos familiares. E esse é um problema muito sério. Uma lição que a gente tem que aprender nessa epidemia para não repetir na próxima é o conceito de grupo de risco. Espero que nunca mais se fale numa coisa dessas nas epidemias. Olha o que aconteceu na aids. Quem eram os grupos de risco naquela ocasião? Os homossexuais e os usuários de droga injetável. Isso saía em tudo quanto é jornal. Na prática, uma mulher que não é homossexual e que não usava droga na veia, achava que não corria risco nenhum e não usava preservativo. Ela não era do grupo de risco... Quantas mulheres não se infectaram assim? Agora, na Covid-19, quem é grupo de risco? Pessoas acima de 60 anos e quem tem pressão alta, diabetes ou obesidade. Aí eu estou com 32 anos, não tenho essas condições, e penso que está tudo bem, se eu pegar vai ser uma doença de nada. Olha o que está acontecendo agora: mais da metade das pessoas nas UTIs brasileiras tem menos de 40 anos de idade. Grupo de risco não existe. O que existe é o comportamento de risco. Porque eu posso estar numa aglomeração com 100 pessoas e, se nenhuma delas estiver infectada, eu não vou pegar o vírus. E eu posso estar num jantarzinho íntimo de quatro, cinco pessoas e uma pessoa infectada pode infectar todos os outros. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil
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16/04 - BLW: entenda os benefícios e o que ainda é discutível sobre o método de introdução alimentar para bebês
A sigla, traduzida para o português, significa 'desmame guiado pelo bebê'. A ideia consiste em deixar a criança iniciar o contato com os alimentos de forma mais independente - mas método não é consenso entre especialistas. Conheça o BLW, uma técnica que está fazendo sucesso entre os pais de bebês Criado pela enfermeira Gill Rapley, no Reino Unido, o método BLW (baby-led weaning, "desmame guiado pelo bebê" em português) defende mais autonomia para os bebês na hora da introdução de novos alimentos que não sejam o leite materno. A ideia, que está longe de ser uma unanimidade entre especialistas, prevê o fim da papinha e do uso de talheres. O que é o método BLW? Tradicionalmente, a partir dos 6 meses, os bebês podem começar a fazer uma transição alimentar e experimentar novos alimentos. Fora do método BLW, os pediatras recomendam que os pais conduzam gradualmente o filho no caminho até uma mastigação mais firme - o processo começa pela apresentação das papinhas líquidas, depois pastosas, depois semissólidos até chegar aos alimentos sólidos. Mulher com bebê compra frutas em feira em Xangai, na China AFP O BLW prevê a menor interferência possível dos pais na hora de apresentar novos alimentos. Tudo o que for oferecido precisa manter ao máximo a textura original, com a comida cortada em pedaços ou tiras, sem o uso de talheres. O bebê deve receber as porções, usar as mãos e escolher o que deve comer e o quanto tempo quer demorar. "É a oferta de alimentos que não sejam adaptados em consistência, que o preparo seja o mais natural possível em termos de consistência e de apresentação" - Hélcio de Sousa Maranhão, membro do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Vantagens A inclusão de alimentos cada vez mais in natura e um despertar sensorial mais cedo para os bebês é, segundo os cientistas, uma medida que pode reduzir a chance de a criança ter problemas alimentares no futuro e desenvolver obesidade. "Talvez o BLW desperte na família a necessidade que foi ao longo do tempo sendo desprestigiada. De que essa criança tenha contato com o alimento, que ela pegue, que ela manuseie, que ela sinta o cheiro, e que ela sinta a consistência da forma original", disse Maranhão. Uma revisão dos estudos científicos já publicados sobre o assunto, divulgada em janeiro de 2020 por pesquisadores brasileiros, analisou 17 artigos sobre o BLW. O método, segundo os autores, aumentou a saciedade do bebê e gerou uma adequação do ganho de peso. De acordo com o pediatra, de certa forma, há um resgate de uma alimentação natural. Ele defende que o manuseio e a manipulação são fundamentais na infância, o que pode contribuir para a criança ser menos seletiva no futuro e os pais poderem dizer finalmente: meu filho come de tudo. "Muitas vezes a criança não é estimulada no que diz respeito a perceber as cores dos alimentos, o sabor, a textura, e isso pode ser um risco para que futuramente seja uma criança seletiva. Porque ela não conheceu isso ao longo desse aprendizado". Método BLW prevê que criança coma sem talheres para aumentar a relação com alimentos naturais Pixabay/Divulgação O que ainda é incerto Esta relação direta entre o BLW e alimentação mais completa durante os primeiros anos de vida ainda não foi comprovada. Além de evitar uma seletividade por parte da criança, a criação do BLW também esperava taxas menores de obesidade e outros distúrbios alimentares. O revisão brasileira também apontou a chance de redução da absorção de alguns nutrientes importantes. Além disso, em um estudo randomizado controlado sobre o método, as pessoas foram divididas aleatoriamente em dois grupos. No total, foram 206 mães no final da gravidez, sendo que metade administrou o BLW e, a outra metade, não. Segundo a pesquisa, que foi publicada na revista "Jama Pediatrics", "nenhuma evidência sugeriu uma diferença na prevalência de "excesso de peso" entre as crianças ao longo do acompanhamento. "Uma abordagem conduzida por bebês (BLW) para a alimentação complementar não parece resultar em um crescimento mais saudável ou em um risco reduzido de excesso de peso em comparação com as práticas tradicionais de alimentação", escreveram os autores do artigo. Unicef cria cartilha com 10 passos para alimentação e hábitos saudáveis até os 2 anos Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição Magalhães também diz que outros estudos apontaram uma leve deficiência de alguns nutrientes, como o ferro, comum em alimentos com consistência mais firme. Por ser uma escolha do bebê, segundo ele, não há a garantia de que ele irá comer de tudo um pouco, medida geralmente estabelecida pelos pais. "Nessa alimentação, a vontade pessoal do bebê pode prejudicar a relação com alguns produtos que contêm zinco e vitaminas como a B12. Então, existem alguns estudos iniciais que já demonstraram que pode acontecer uma ingestão menor de micronutrientes". Além disso, há o risco de a criança engasgar em saber exatamente como mastigar corretamente durante o desenvolvimento, o que assusta e precisa de monitoramento constante - isso também foi um dos pontos relatados na revisão brasileira publicada em janeiro de 2020. O método, apesar de ter menos intervenção dos familiares na preparação, precisa de uma vigilância para evitar acidentes. "A nossa impressão é que o BLW poderia inclusive dar mais trabalho. A vigilância teria que ser até maior, justamente para evitar o engasgo. Mas o que o método recomenda? Que os pais não sejam um agente facilitador. Confiar na capacidade dessa criança de se autoalimentar", completou Magalhães. Juntando as duas coisas O pediatra recomenda um meio-termo. Uma alimentação guiada pelos pais, respeitando também o tempo do neurodesenvolvimento da criança, como a mastigação, a deglutição e o próprio paladar. Mas, de fato, incluir alimentos naturais e, além disso, respeitar a sensação de saciedade. "Quando você faz uma alimentação balanceada no prato, atendendo à consistência cada vez maior para as crianças, atendendo às particularidades daquela determinada faixa de idade, certamente essa alimentação vai ser muito mais facilitada e não vai ser conturbada ou perturbada", opina Magalhães. "Importante é ela comer em um período de tempo razoável. Agora, a gente não pode querer que uma criança faça uma refeição ultrarrápida. Mesmo estando nos tempos que estamos". Vídeos: Viva Você
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15/04 - Brasil tem mais de 365 mil mortos por Covid; estados registram 3.774 mortes em 24 horas
País contabilizou 13.758.093 casos e 365.954 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Brasil passa de 365 mil mortes por Covid O país registrou 3.774 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou nesta quinta-feira (15) 365.954 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 2.952. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -2%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta quinta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Já são 85 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 30 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia; e já são 20 dias com a média acima da marca de 2,5 mil. Veja a sequência da última semana na média móvel: Sexta (9): 2.938 Sábado (10): 3.025 Domingo (11): 3.109 Segunda (12): 3.125 (recorde) Terça (13): 3.051 Quarta (14): 3.012 Quinta (15): 2.952 Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.758.093 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 80.529 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 67.396 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -7% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Seis estados estão com alta nas mortes: AP, ES, MA, PR, RJ e RR. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 15 de abril Total de mortes: 365.954 Registro de mortes em 24 horas: 3.774 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 2.952 por dia (variação em 14 dias: -2%) Total de casos confirmados: 13.758.093 Registro de casos confirmados em 24 horas: 80.529 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 67.396 por dia (variação em 14 dias: -7%) Estados Subindo (6 estados): AP, ES, MA, PR, RJ e RR Em estabilidade (16 estados): AC, AL, AM, BA, CE, GO, MG, MS, MT, PA, PE, PI, RN, SE, SP e TO Em queda (4 estados e o Distrito Federal): DF, PB, RO, RS e SC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 deste quinta-feira (15) aponta que 25.460.098 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 12,02% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 8.558.567 pessoas (4,04% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 34.018.665 doses foram aplicadas em todo o país. Variação de mortes por estado Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: +19% RS: -33% SC: -19% Sudeste ES: +28% MG: -1% RJ: +21% SP: -1% Centro-Oeste DF: -17% GO: +13% MS: +2% MT: -10% Norte AC: +4% AM: +3% AP: +42% PA: +14% RO: -22% RR: +50% TO: - 13% Nordeste AL: +8% BA: -6% CE: -14% MA: +18% PB: -29% PE: +13 % PI: +10% RN: - 9% SE: +14% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
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15/04 - Reinfecção por Covid-19 é possível mesmo entre jovens saudáveis, diz estudo com militares nos EUA
Investigação feita com cerca de 3 mil jovens saudáveis entre 18 e 20 anos apontou que anticorpos gerados na primeira infecção não evitaram nova infecção. Risco de contrair a doença novamente, entretanto, é menor, se comparado com pessoas que ainda não tiveram a Covid-19. Exame de RT PCR usa amostras de nasofaringe Reprodução/TV Globo Jovens saudáveis podem contrair a Covid-19 mais de uma vez, aponta um estudo com cerca de 3 mil fuzileiros navais nos Estados Unidos. De acordo com os pesquisadores, os anticorpos desenvolvidos após a primeira infecção não foram suficientes para gerar imunidade contra o vírus. Publicado nesta quinta-feira (15) no jornal "The Lancet Respiratory Medicine", o estudo acompanhou durante seis semanas a resposta imunológica de recrutas com idade entre 18 e 20 anos – antes, eles haviam passado por um período de duas semanas de quarentena supervisionada pela Marinha. Puxada pelo Brasil, América do Sul é a região que mais registra mortes por Covid do mundo Brasil tem mais mortes por Covid em 1 semana do que EUA, México, Itália e Rússia somados Os dados foram colhidos entre março e novembro de 2020. Nesse período, os pesquisadores identificaram que 10% dos participantes que tiveram Covid-19 anteriormente foram reinfectados. Entre os que nunca tiveram contato com a doença, esse percentual foi cinco vezes maior. “A mensagem para todos os jovens, incluindo nossos militares, é clara – a imunidade resultante de infecções naturais não é garantida. Você ainda precisa ser vacinado”, afirmou Dawn Weir, um dos autores do estudo e membro do Centro de Pesquisa Médica Naval dos Estados Unidos. A pesquisa foi liderada pelos seguintes institutos americanos: Centro de Pesquisa Médica Naval Silver Springs; Icahn Escola de Medicina de Monte Sinai; e Departamento de Patologia e Laboratório de Medicina da Universidade de Vermont. VÍDEO: Entenda como o coronavírus age no corpo humano Reinfecção por Covid-19 Os recrutas passaram por um período de quatro semanas de quarentena. Foram duas semanas em isolamento domiciliar e duas semanas em quarentena supervisionada pela Marinha americana. Em seguida, foram acompanhados em diferentes grupos durante seis semanas. Todos os participantes realizaram teste de sorologia, para identificar a presença de anticorpos contra o coronavírus no sangue, e teste PCR, para identificar quais indivíduos estavam contaminados no momento na realização do exame. Os testes foram realizados antes do início da quarentena supervisionada e repetidos nas semanas 1, 2, 4 e 6 de acompanhamento. Eles apontaram que 189 dos recrutas tinham sido infectados anteriormente e que 2247 deles, não. Ao todo, 1.098 pessoas foram infectadas durante o período a investigação. Entre os participantes com resultado positivo para coronavírus, 19 (10%) foram reinfectados. Dos recrutas com resultado negativo, 1.079 (48%) foram infectados pela primeira vez. “Nossos resultados indicam que, embora os anticorpos induzidos pela infecção sejam amplamente protetores, eles não garantem imunidade efetiva contra a infecções futuras”, afirmaram os autores do estudo. Pessoas que já tiveram Covid-19 ainda podem transmitir o vírus? Comparando as novas infecções entre participantes do estudo que já haviam contraído a doença e aqueles que estavam na primeira infecção, os autores descobriram que a carga viral (quantidade mensurável do vírus) em recrutas soropositivos reinfectados era dez vezes menor do que em participantes soronegativos infectados pela primeira vez. O número, entretanto, não parece ser suficientemente baixo para impedir a transmissão do vírus a outras pessoas. Além disso, pesquisadores continuaram a investigar o potencial de transmissão do coronavírus por pessoas reinfectadas. Veja mais vídeos sobre a Covid-19
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15/04 - Após empresa doar kit intubação, Queiroga cobra estados e é criticado pelo presidente do Conass
Ministério não divulgou total de medicamentos obtidos pelo governo federal para contornar falta de material em UTIs. Queiroga usou doação da Vale para sugerir que "grandes estados" também podem buscar fornecedores. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, em 23 de março de 2021 Ueslei Marcelino/Reuters O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, cobrou nesta quinta-feira (15) que "grandes estados" do Brasil tenham protagonismo na compra de medicamentos do chamado "kit intubação", que são sedativos e neurobloqueadores usados para manter pacientes em leitos de UTI com respiração artificial. SP cobra do ministério envio de medicamentos do 'kit intubação' em até 24h para evitar colapso Setor privado critica requisição de remédios para 'kit intubação'; secretarias defendem medida A compra dos medicamentos é uma responsabilidade de estados, municípios e hospitais, mas com o aumento das internações que lotam UTIs pelo Brasil, o Ministério da Saúde determinou a "requisição administrativa" dos itens do kit intubação, ou seja, toda a produção nacional que ainda não está comprometida em contrato deve ser enviada ao governo federal para posterior distribuição. Durante evento no qual anunciou o recebimento dos medicamentos doados por empresas, Queiroga disse que é hora de "sair do Twitter" e "responder a sociedade com políticas públicas". Na coletiva, o Ministério da Saúde não divulgou o total de medicamentos comprados pela pasta. "Os próprios governadores, sobretudo dos grandes estados, poderiam buscar esses medicamentos no mercado nacional ou internacional. Eles têm elementos para fazer isso. Não adianta só ficar enviando ofício para o ministério" - Marcelo Queiroga, ministro da Saúde "Não é só empurrar isso para as costas do Ministério da Saúde. Por que grandes estados não fazem isso?", questionou Queiroga. A cobrança do ministro para os estados foi criticada pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula. "Uma fala de quem, infelizmente, desconhece o que aconteceu. Não se trata de falta de planejamento dos estados, mas de necessidade de coordenar a escassez e a crise. O Ministério se furta a seu papel. Apontar o dedo para responsabilizar o outro é sempre mais fácil" - Carlos Lula, presidente do Conass 11 estados enfrentam falta de kit intubação Doação de medicamentos O ministro usou o anúncio de entrega da doação de 2,3 milhões de unidades dos medicamentos do kit intubação liderada pela Vale para dizer que é possível fazer as compras. Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde tem sido alvo de cobranças de secretários de saúde de estados (e até de entidades que representam hospitais privados) para fornecer o suprimento dos medicamentos do "kit intubação". Na cobrança mais recente, o governo de São Paulo pediu o envio em até 24 horas dos medicamentos para evitar o colapso no atendimento. Em nota, o estado afirmou que mais de 640 hospitais seguem com estoques críticos e que o governo ainda não sinalizou nenhuma entrega de medicamentos. São Paulo afirma que o governo federal ficou seis meses sem realizar nenhuma entrega e que o mais recente envio, feito na segunda quinzena de março com 552.507 medicamentos, "equivale a cinco dias de consumo diante da demanda mensal", que é de 3,5 milhões de sedativos e neurobloqueadores. Impacto da doação no atendimento Representantes do ministério concederam entrevista nesta tarde para anunciar a chegada da doação de 2,3 milhões de medicamentos feita por empresas lideradas pela Vale. De acordo com a empresa, a previsão é entregar "3,4 milhões de medicamentos para intubação, quantidade suficiente para a gestão de 500 leitos pelo período de um mês e meio". Durante a apresentação, o Ministério da Saúde não informou qual o total de leitos é possível atender com as 2,3 milhões de unidades. Perguntado durante a entrevista, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti Neto, disse que há diferenças entre os protocolos de uso entre hospitais. Em sua apresentação, Hélio Angotti citou que há estimativa de que o tempo de cobertura seja de 15 dias para o medicamento propofol e de 10 dias para os medicamentos cisatracúrio, midazolam e fentanil. O carregamento doado deve chegar nesta noite ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O governo acredita que, em até 48 horas, todos os medicamentos já tenham sido entregues aos estados. Requisição administrativa Hélio Angotti negou que o governo - que em agosto cancelou uma compra de remédios - tenha demorado a agir para evitar a falta de medicamentos. "Não houve em nenhum momento um desativamento das ações contingenciais de emergência. Monitoramos continuamente essas demandas. Quando surgiu, foi um crescimento exponencial dos casos, e os mecanismos de controle foram disparados no ministério", disse o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Doria diz que requisição é confisco e impede compras de medicamentos produzidos no Brasil O secretário lembrou que a "requisição administrativa" - exigência de que as fábricas repassassem para o governo os medicamentos produzidos - não afetou contratos existentes. "O que foi requisitado retorna aos próprios estados para harmonizar os estoques", disse Hélio Angotti. No fim de março, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) disse que "houve uma desorganização na cadeia de suprimentos que foi causada por conta dessa requisição administrativa". A entidade cobrava ação do ministério para aliviar as dificuldades que atingiam hospitais de todos os portes. Em audiência na Câmara em 23 de março, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) criticou a medida, que foi defendida pelo diretor-executivo do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira. Na mesma audiência, o assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) Heber Dobis ressaltou que os gestores precisavam aceitar as entregas parceladas vindas das requisições administrativas. "Assim como não tem para o setor privado comprar, não tem para o setor público", disse Dobis na ocasião.
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15/04 - UFMG começa testes em macacos de vacina contra Covid-19 que pode se tornar 1ª brasileira
Nos testes em camundongos, animais ficaram 100% protegidos. Expectativa é que testes em humanos comecem no segundo semestre. UFMG começa testes em macacos de vacina contra Covid-19 Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) começaram nesta semana os testes em primatas da vacina que pode se tornar o primeiro imunizante brasileiro contra a Covid-19. A expectativa é que o testes em humanos comecem no segundo semestre deste ano. Atualmente, a UFMG desenvolve pesquisas de sete vacinas. O imunizante, batizado provisoriamente de Spintec, do tipo quimera proteica, está entre os mais avançados do país. De acordo com a UFMG, os testes em micos-estrela devem durar cerca de dois meses. Eles já receberam a primeira dose da vacina e, daqui a um mês, terão a segunda dose aplicada. Antes, a vacina foi testada em camundongos. De acordo com o professor Flávio Fonseca, os animais ficaram 100% protegidos. "O resultado foi extremamente positivo. Todos os animais sobreviveram e não desenvolveram a doença", destacou. UFMG começa testes de vacina contra Covid-19 em macacos Flávio Fonseca/Arquivo pessoal A fase de testagem em animais é pré-requisito para que a vacina possa avançar para os testes clínicos em humanos. “A gente está nessa fase de avaliação pré-clínica para montar o dossiê que será enviado à Anvisa para autorizar os testes em humanos”, explicou o professor. De acordo com Fonseca, os micos que são usados nos testes foram resgatados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Após a conclusão dessa fase da pesquisa, eles serão reencaminhados ao órgão para que possam ser devolvidos ao meio ambiente. Nesta etapa, os pesquisadores avaliam a segurança e a capacidade de gerar resposta imunológica da vacina, verificando se ela provoca algum efeito colateral e se gera anticorpos nas células de defesa. A intenção é que o testes clínicos em humanos, que são divididos em três fases, comecem ainda no último trimestre deste ano. As fases 1 e 2, que podem ser realizadas concomitantemente, devem durar de dois a três meses. A expectativa é que a etapa final dure cerca de seis meses. 'A partir desse momento, a gente já poderia solicitar à Anvisa a utilização emergencial da vacina num prazo que vai até o fim de 2022", disse. O professor destaca a importância de se ter uma vacina brasileira contra a Covid-19, mesmo depois de outros países terem desenvolvido imunizantes contra a doença. "A gente acredita que a Covid-19 vai se comportar de forma semelhante à gripe, sendo necessária aplicação de novas doses depois de algum tempo. Por isso, a gente quer evitar a dependência extrema", afirmou. Recursos A reitora da universidade, Sandra Goulart, reuniu-se na semana passada com deputados federais da bancada mineira para pedir apoio para garantir a continuidade de pesquisas de vacinas contra a Covid-19 e conseguir recursos para financiamento de testes. Segundo Sandra, a estimativa feita pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI) é que o desenvolvimento das fases 1 e 2 custe R$ 30 milhões. Nesta quarta-feira (14), a reitora também participou, de forma virtual, de uma reunião no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Segundo a UFMG, o presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV), comprometeu-se a incluir em projeto de lei relacionado à indenização da Vale pelos danos causados em Brumadinho a destinação dos recursos para viabilizar os próximos passos dos estudos da vacina. Vídeos mais vistos do G1 MG:
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15/04 - Risco de desenvolver coágulo raro é de 8 a 10 vezes maior depois da Covid do que depois de vacina, dizem cientistas de Oxford
Risco de ter o problema pós-Covid também é 100 vezes maior em relação à população em geral; tipo de coagulação analisada foi a trombose venosa cerebral. Estudo ainda precisa ser revisado por outros cientistas e autores pedem cautela na interpretação. Profissional de saúde prepara dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech em Ashkelon, sul de Israel, no dia 20 de dezembro. Gil Cohen-Magen/AFP Pesquisadores da Universidade de Oxford constataram que o risco de desenvolver um tipo raro de coágulo é de 8 a 10 vezes maior depois de ter a Covid-19 do que depois de receber uma vacina contra a doença. Além disso, o risco de ter o coágulo depois da Covid é cerca de 100 vezes maior do que entre a população geral. A coagulação analisada foi a trombose venosa cerebral, que ocorreu em 6 pacientes entre os quase 7 milhões que receberam a vacina da Johnson – menos de 1 por milhão. O estudo com os resultados de Oxford ainda não foi revisado por outros cientistas e nem publicado em revista científica, mas está disponível on-line. Veja a diferença no risco: Entre mais de 500 mil pessoas analisadas que tiveram a Covid-19, o risco foi de 39 casos de trombose venosa cerebral a cada 1 milhão de pacientes infectados. O risco foi significativamente maior entre pacientes com histórico de doenças cardiovasculares. Entre mais de 480 mil pessoas que receberam a vacina da Moderna ou da Pfizer, o risco de trombose venosa cerebral foi de 4 a cada 1 milhão de pacientes vacinados, cerca de 10 vezes menor do que o risco após a Covid; Em pacientes que receberam a vacina de Oxford/AstraZeneca, o risco foi de 5 a cada 1 milhão, cerca de 8 vezes menor do que após a Covid. Na população geral, o risco foi de 0,41 caso de trombose a cada 1 milhão de pessoas. Isso significa que o risco de ter a trombose venosa cerebral depois da Covid é cerca de 100 vezes maior do que na população como um todo. Os pesquisadores, Paul Harrison e Maxime Taquet, do Grupo de Neurobiologia Translacional de Oxford, analisaram os casos detectados em até duas semanas depois de o paciente ter um diagnóstico de Covid ou de receber a primeira dose de uma das vacinas. Entenda os riscos de não tomar a segunda dose da vacina da Covid-19 "Chegamos a duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, a Covid-19 aumenta significativamente o risco de trombose venosa cerebral, aumentando a lista de problemas de coagulação do sangue que esta infecção causa", explicou Paul Harrison. "Em segundo lugar, o risco da Covid-19 [em causar trombose] é maior do que nas vacinas atuais; algo que deve ser levado em consideração ao considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios para a vacinação", ponderou. Pesquisadores sugerem mudar classificação da Covid-19 para febre viral trombótica Interpretação cautelosa No artigo, os pesquisadores alertam, entretanto, que os riscos relativos calculados devem ser interpretados com cuidado. Não é possível, por exemplo, comparar diretamente os riscos de ter uma trombose venosa cerebral associada à vacina de Oxford com qualquer uma das outras vacinas ou com a infecção pelo coronavírus. Um dos motivos para isso é que os dados de riscos associados à vacina de Oxford vêm do monitoramento da Agência Europeia de Medicamentos – a agência regulatória da União Europeia –, enquanto os das outras vacinas são da TriNetX, uma rede eletrônica de registros de saúde. Nenhum paciente da rede, por exemplo, recebeu a vacina de Oxford – refletindo o fato de que ela é quase inteiramente baseada nos Estados Unidos, onde a vacina ainda não foi aprovada para uso e não está sendo aplicada. Outro ponto é que a magnitude do risco de ter a trombose pós-Covid-19 em comparação com a linha de base da população ou com o vírus Influenza – para o qual os riscos de trombose também foram calculados – não é baseada em amostras de população ajustadas por idade ou outros fatores demográficos. Por isso, pontuaram os pesquisadores, não é possível concluir que as vacinas da Pfizer e da Moderna estão associadas a um risco aumentado de ter trombose venosa cerebral; amostras muito maiores são necessárias para responder a esta questão, dizem os cientistas. "No entanto, os sinais de que a Covid-19 está ligada à trombose venosa cerebral, bem como à trombose da veia porta – um distúrbio de coagulação do fígado – são claros e devemos tomar nota", observou Maxime Taquet. A trombose venosa cerebral ocorre quando um coágulo se forma nos seios venosos do cérebro, impedindo que o sangue seja drenado do órgão. Como resultado, as células sanguíneas podem se romper e vazar sangue para os tecidos cerebrais, formando uma hemorragia. Já a trombose da veia porta ocorre na veia que leva o sangue dos intestinos para o fígado. Um fator importante que requer mais pesquisas é, por exemplo, se a Covid e as vacinas levam à trombose venosa cerebral pelo mesmo mecanismo ou por mecanismos diferentes. Também pode haver subnotificação ou codificação incorreta da trombose nos registros médicos e, portanto, incerteza quanto à precisão dos resultados, disseram os pesquisadores. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
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15/04 - Pesquisadores sugerem mudar classificação da Covid-19 para febre viral trombótica
A nova classificação foi criada após pesquisadores de instituições de assistência médica e científica no Brasil compararem o impacto do coronavírus com outras viroses. Especialistas apontam que denominação atual não é fidedigna aos efeitos da doença no corpo Imagem vírus molécula Covid-19 coronavírus Peter Linforth/Pixabay Um grupo de pesquisadores defendeu em artigo publicado na quarta-feira (14) que a Covid-19 seja a primeira doença infecciosa classificada como febre viral trombótica. Atualmente, a doença é reconhecida como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os especialistas apontam que termo não é fidedigno aos efeitos da patologia no corpo. “Nossa proposta é mais abrangente e pretende enquadrar a Covid-19 em uma terminologia mais clínica”, afirmam os autores em artigo publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Vacina contra a Covid-19 no Brasil: veja como está vacinação hoje na sua cidade A nova classificação foi criada após pesquisadores de instituições de assistência médica e científica no Brasil compararem o impacto do coronavírus com outras viroses. O efeito correspondia ao oposto do que era observado em doenças como a febre amarela e a dengue, que são caracterizadas como febres virais hemorrágicas. Apontado como o primeiro agente infeccioso capaz de aumentar a formação de coágulos – ou trombos – no corpo humano, os pesquisadores sugerem que a Covid-19 seja classificada como primeira febre viral trombótica. A discussão sobre a nova adequação da Covid-19 reuniu um time especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Ao todo, Hospital Pró-Cardíaco, IOC/Fiocruz (Instituto Oswaldo Cruz), Unifase (Faculdade de Medicina de Petrópolis), Inca (Instituto Nacional do Câncer), Fiocruz Paraná (Instituto Carlos Chagas) e United Health Group. Incidência de coágulos na Covid-19 Um ano depois do início da pandemia no mundo, pesquisas comprovam que o impacto do coronavírus vai além do sistema respiratório. De acordo com o estudo, as infecções, de forma geral, aumentam as chances na formação de trombos, mas a Covid-19 se destaca justamente pelos danos causados ao endotélio, tecido que reveste os vasos sanguíneos. “A Covid-19 emergiu afetando a todos, mas promovendo um pior desfecho, em geral, naquela população mais idosa, com síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, diabetes, ou seja, naqueles onde uma inflamação do endotélio pré-existente teria maior impacto”, explica o médico cardiologista Rubens Costa Filho, que liderou o artigo. Fiocruz diz que mortes por Covid seguem em alta apesar de leve queda e vê risco de estagnação em patamar elevado Segundo o médico, que também é fundador e coordenador da UTI do Hospital Pró-Cardíaco, a incidência de desenvolvimento de tromboembolismo venoso no ambiente de terapia intensiva pode chegar a 80%. “Outros estudos mostram que o risco de complicações trombóticas da Covid-19, quando comparada a Influenza, em pacientes hospitalizados com infecções pulmonares, chega a ser 2 vezes maior", explica. Vacina pode agravar a formação de coágulos? Na terça-feira (13), duas agências federais americanas, o FDA e o CDC, recomendaram que a aplicação da vacina da Johnson contra a Covid-19 fosse pausada nos Estados Unidos depois de 6 casos de coágulos raros em pacientes que receberam o imunizante. Vacina de Oxford: risco de trombose é raríssimo e não há motivo para interromper imunização Após raros casos de coágulos, agência europeia mantém recomendação para vacina de Oxford A vacina da Johnson é a única aplicada em uma única dose. Ela também já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada no Brasil, mas ainda não está sendo aplicada no país. VÍDEO: Veja perguntas e respostas sobre importância da 2ª dose de vacina contra Covid De acordo com o cardiologista, não é novidade que as vacinas podem raramente desenvolver uma tendência trombótica. Essa tendência também não é considerada um sintoma adverso dos imunizantes contra a Covid. Outros medicamentos possuem o mesmo efeito. No caso da heparina, a incidência é de 0,1 a 5% daqueles que a utilizam. Ainda assim, o fármaco é administrado em larga escala no mundo todo. “Até o momento para as vacinas Covid-19foram descritos 11 casos pelo grupo do professor Andreas Greinacher, na Alemanha, e 4 casos descritos pelo grupo da professora Nina Schultz entre 130 mil vacinados”, aponta o cardiologista. “É muito mais risco de se fazer tromboses contraindo a Covid-19 do que tomar uma vacina ou heparina”, completa Veja mais vídeos sobre a Covid-19
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15/04 - Estudo aponta erros graves do governo brasileiro no combate à pandemia de Covid-19
Pesquisa foi publicada na revista científica Science. Entre os erros do governo, o estudo cita a promoção da cloroquina como tratamento e a falta de coordenação nacional entre os diferentes níveis do governo. Um estudo publicado na revista científica Science nesta quarta-feira (15) aponta erros do governo brasileiro na resposta à pandemia de Covid-19. Segundo os pesquisadores, o fracasso do combate ao vírus foi uma combinação perigosa de inação e falhas, como o uso de tratamentos sem eficácia comprovada e a falta de coordenação nacional entre os diferentes níveis de governo. Falhas na resposta à Covid levam Brasil a 'catástrofe humanitária', dizem Médicos Sem Fronteiras “No Brasil, a resposta federal foi uma combinação perigosa de inação e erros, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências científicas”, dizem os pesquisadores. OMS: Hidroxicloroquina não deve ser usada como prevenção contra a Covid Paciente morre com Covid após ser tratada com nebulização de hidroxicloroquina em Manaus Associação Médica Brasileira diz que uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia contra Covid-19 deve ser banido A pesquisa aponta que o fracasso em combater o vírus vai facilitar o surgimento de novas variantes, isolar ainda mais o Brasil como uma ameaça à saúde global e “levar a uma crise humanitária completamente evitável”. Science: pesquisa aponta inação do governo brasileiro na pandemia A pesquisadora Márcia Castro, professora da escola de políticas públicas da Universidade Harvard, que participou do estudo, falou sobre como a falta de alinhamento político prejudicou o combate da pandemia no Brasil. “Fica muito claro que em um contexto de extrema desigualdade social é absolutamente fundamental que a ação seja coordenada. E no caso do Brasil, seguindo o pacto da saúde que foi estabelecido com o SUS. A ação precisa ser coordenada de tal forma que municípios possam implementar um plano nacional, com apoio do estado e do governo federal” - Márcia Castro, pesquisadora. O estudo cita cinco motivos para a propagação do vírus nos estados brasileiros: O Brasil é grande e desigual, com disparidades em quantidade e qualidade de recursos de saúde (por exemplo, leitos hospitalares, médicos) e renda Uma densa rede urbana que conecta e influencia os municípios por meio de transporte, serviços e negócios não foi totalmente interrompida durante picos de casos ou mortes O alinhamento político entre governadores e presidente teve um papel no momento e na intensidade das medidas de distanciamento e a polarização politizou a pandemia com consequências para a adesão às ações de controle O SARS-CoV-2 estava circulando sem detecção no Brasil por mais de um mês, resultado da falta de vigilância genômica bem estruturada As cidades impuseram e relaxaram medidas em diferentes momentos, com base em critérios distintos, facilitando a propagação do vírus Os pesquisadores fazem um apelo e pedem ações de medidas para tentar frear o vírus. "Sem contenção imediata, medidas coordenadas de vigilância epidemiológica e genômica e um esforço para vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível, a propagação da P.1 provavelmente vai emular o padrão mostrado aqui [no estudo], levando a uma perda de vidas inimaginável". Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil
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15/04 - 'Kit intubação': 'Desativamos leitos de UTI para não ficarmos sem estoque', a dura rotina de hospitais com escassez de medicamentos em SP
Hospitais vivem incerteza em meio a cenário de escassez de medicamentos que garantem a saúde de pacientes internados em estado grave com a covid-19. Decisão sobre o momento de intubar é crucial. Se uso da ventilação mecânica for retardada demais, paciente pode lesionar o pulmão só pelo esforço para respirar, dizem médicos ouvidos pela BBC News Brasil REUTERS/DIEGO VARA Em meio à escassez de medicamentos essenciais para pacientes intubados, os responsáveis pela Santa Casa de São Carlos (SP) decidiram, há cerca de duas semanas, desativar seis dos 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes com a covid-19. Os responsáveis pelo local afirmam que a medida se tornou necessária para não faltar medicamentos aos pacientes que já estão intubados na unidade de saúde. "Fizemos isso porque temos enfrentado dificuldades para conseguirmos analgésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares, que são fundamentais para pacientes intubados", diz o infectologista Vitor Marim, diretor-técnico do hospital. Segundo Marim, os seis leitos que estão vagos foram bloqueados no momento em que os pacientes que estavam neles receberam alta hospitalar. "Há uma pressão muito grande para admitirmos novos pacientes. O nosso desejo é voltar aos 30 leitos. Mas a gente não consegue fazer isso agora, pela incerteza se teremos medicamentos suficientes para assistir os internados", declara o médico à BBC News Brasil. A decisão de diminuir as vagas na unidade é preocupante, em razão da trágica fila por um leito de UTI, na qual somente em março morreram quase 500 pessoas em São Paulo. Porém, Marim afirma que foi a única alternativa no atual período. "Se esses leitos estivessem ocupados agora, certamente estaríamos sem medicações", declara. Mesmo com a redução de 20% no atendimento na UTI destinada a casos de covid-19, Marim aponta que atualmente há medicamentos para pacientes intubados somente pelos próximos três ou quatro dias. "O estoque de anestésico, principalmente, está muito crítico", declara. Ele ressalta, porém, que a situação é dinâmica e que "a busca por fornecedores é incessante e diária", por isso acredita que a unidade logo deve conseguir abastecer o estoque. A atual realidade da Santa Casa de São Carlos é um exemplo em meio a tantas outras unidades de saúde que também vivem o drama da escassez de medicamentos que compõem o chamado "kit intubação". Esse cenário tem sido registrado em todo o país. Nesta quarta-feira (14/4), São Paulo ganhou destaque em relação ao tema, após o governo estadual solicitar os medicamentos com urgência ao Ministério da Saúde e afirmar que teve pedidos anteriores ignorados pelo governo federal. Seis leitos de UTIs foram desativados na Santa Casa de São Carlos (SP) em razão da escassez de medicamentos para pacientes intubados ASSESSORIA SANTA CASA DE SÃO CARLOS Escassez do 'kit intubação' Medicamentos como anestésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares são fundamentais para casos graves de covid-19, quando o paciente precisa ser intubado. Esses fármacos garantem a realização do procedimento que assegura a chegada de oxigênio aos pulmões nos quadros mais críticos da doença. Diante do atual cenário no país, o pior desde o início da pandemia, a explosão de internações pela covid-19 fez com que o sistema de saúde ficasse ainda mais sobrecarregado. Cada vez mais, os medicamentos para pacientes em estado grave são utilizados. A partir de então, eles viraram alvos de alertas sobre a possibilidade de se tornarem escassos. Em março deste ano, o Ministério da Saúde tomou uma série de medidas administrativas para centralizar as compras dos medicamentos que compõem o chamado "kit intubação". Com isso, todo o excedente de produção dos laboratórios farmacêuticos que fabricam esses anestésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares foi encaminhado para o Governo Federal, que ficou responsável por realizar a distribuição aos Estados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o Ministério da Saúde, na época sob o comando do então ministro Eduardo Pazuello, a centralização das compras de medicamentos do "kit intubação" seria uma forma de melhorar a distribuição dos itens pelo país. Mas desde o mês passado, os relatos sobre escassez desses medicamentos se tornaram cada vez mais comuns. O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou nesta semana que a quantidade de medicamentos enviada ao Estado até o momento é "ínfima". Na terça-feira (13/4), o governo de São Paulo encaminhou um ofício ao Ministério da Saúde afirmando que precisava receber medicamentos do kit intubação em 24 horas para repor estoques e evitar o desabastecimento das medicações nos hospitais. Gorinchteyn disse que encaminhou, nos últimos 40 dias, nove ofícios ao Ministério da Saúde sobre a situação e a redução contínua dos estoques. Apesar disso, ele afirma que não recebeu nenhuma resposta. "À medida que o Governo Federal fez essa requisição emergencial, nós perdemos a possibilidade de adquirir esses produtos. Nós atendemos os nossos hospitais estaduais, mas os municípios também estão pedindo ajuda e nós precisamos acolhê-los", declarou Gorinchteyn, em entrevista coletiva na quarta-feira (14/4). O secretário de São Paulo afirmou que a situação no Estado é "gravíssima". Ele disse que o sistema de saúde está na "iminência do colapso" por causa da escassez desses medicamentos. De acordo com Gorinchteyn, o Estado paulista precisa receber essas medicações com urgência para conseguir abastecer 643 hospitais pelos próximos dez dias. Durante a coletiva de quarta-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o Ministério da Saúde "cometeu um erro gravíssimo" ao centralizar a compra e distribuição dos medicamentos. "Nenhum governo estadual, municipal ou instituições privadas pode adquirir esses insumos porque as empresas receberam um confisco, um sequestro do Governo Federal. Gostaríamos de saber por que o Ministério da Saúde não faz a distribuição desse material aos Estados, que podem levar até a ponta nos hospitais", declarou. Nos últimos dias, representantes de Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Bahia e outros Estados também fizeram manifestações e alertas ao Ministério da Saúde sobre a escassez dessas medicações. Esse cenário existe atualmente em todos os Estados, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Em nota à BBC News Brasil, o Ministério da Saúde afirma que já distribuiu mais de 8 milhões de medicamentos "para intubação de pacientes ao longo da pandemia". Segundo a pasta, um grupo de empresas vai doar, nesta semana, mais de 3,4 milhões de medicamentos, "que serão distribuídos imediatamente aos entes federativos". O Ministério da Saúde afirma que estão em andamento dois pregões e uma compra direta desses medicamentos por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). "A pasta esclarece que todos os acordos feitos para aquisição de medicamentos de intubação orotraqueal (IOT) respeitam a realidade de cada fabricante, os contratos fechados anteriormente e a necessidade do Brasil, contemplando hospitais públicos e privados nas regiões com maior risco de desabastecimento", diz o comunicado do Ministério da Saúde. 'Está faltando em muitos locais' Um médico intensivista que trabalha em UTIs de hospitais da Grande São Paulo afirma à BBC News Brasil que muitas unidades de saúde da região têm enfrentado diversas dificuldades diante da escassez do "kit intubação". "A atuação está muito complexa. Hoje mesmo estava com o pessoal de compra de um hospital e não conseguiram sequer uma ampola de bloqueadores musculares. O Ministério da Saúde ordenou que as fábricas repassem os medicamentos ao governo federal, porém isso não está chegando na ponta", critica o médico, que pediu para não ser identificado. "A gente tem recorrido a drogas alternativas, que não usamos em condições normais. Isso virou uma realidade em grande parte do país", acrescenta o médico. Pelo país, profissionais de saúde têm recorrido a medicamentos que normalmente não são usados em terapia intensiva para manter paciente em ventilação mecânica atualmente. Desta forma, medicamentos que já estavam em desuso para esse fim voltaram a ser adotados em alguns locais, como Metadona (opioide), Diazepam (ansiolítico) em comprimido, tiopental (barbitúrico usado para indução de anestesia geral), entre outros. Sem sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares, a intubação é muito mais difícil e traumática GETTY IMAGES O intensivista ouvido pela reportagem afirma que faltou organização do Ministério da Saúde em relação aos medicamentos. "Chegamos à atual situação porque houve aumento mundial no consumo dessas drogas, mas isso era admissível. O governo federal deveria ter colocado as fábricas para até, se possível, quintuplicar as produções dessas drogas no Brasil ou importar para ter um estoque estratégico. Era preciso ter visão estratégica", diz. O médico diz que o cenário de escassez do "kit intubação" aumenta a mortalidade nas unidades de saúde. Ele afirma que essa situação supera até a já preocupante média de 80% de mortes entre os infectados que precisam de ventilação mecânica no Brasil, conforme revelou levantamento feito em 2020 pelo pesquisador Fernando Bozza, da Fiocruz — a média mundial é de, aproximadamente, 50% de óbitos nesse estágio da doença. "Posso dizer que está faltando muitos (medicamentos) em muitos locais. Isso faz com que a qualidade da assistência fique péssima. Não à toa a mortalidade em vários locais está acima de 90% em quem é intubado", declara o intensivista. Dificuldades para adquirir medicações Na Santa Casa de São Carlos, cujos atendimentos são por volta de 80% relacionados ao SUS, os estoques duravam de sete a 10 dias no ano passado, em meio à pandemia. "Se precisasse, a gente conseguia buscar o material, pois sabia onde encontrar", afirma o infectologista Vitor Marim. Agora, além de alguns medicamentos terem aumentado até 500% em razão da alta demanda, os responsáveis pelos hospitais enfrentam dificuldades para encontrar os fármacos. "Hoje, nem se tivéssemos muito dinheiro conseguiríamos encontrar com facilidade, por causa da escassez no mercado", declara Marim. No fim de março, por exemplo, a unidade de saúde de São Carlos precisou receber anestésicos de outros dois hospitais da região porque não tinha o medicamento para a intubação de pacientes com a covid-19. Situação semelhante já foi registrada em outras unidades de saúde de São Paulo, como a Santa Casa de Limeira, que também precisou pedir medicamentos a outros hospitais. Um levantamento feito com 300 hospitais filantrópicos nesta semana pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes de São Paulo (Fehosp) apontou que as unidades de saúde do Estado entraram em contato com mais de 22 fornecedores de medicamentos no início desta semana e não encontraram possibilidade de compra. Segundo a Fehosp, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo tem auxiliado, mas não tem conseguido grandes volumes dos fármacos. UTI em São Paulo; pesquisa com farmacêuticos de hospitais paulistas despertou preocupação com o desabastecimento de medicamentos cruciais REUTERS "Estamos batalhando por importações que estão sendo lideradas pela Confederação das Santas Casas, mas os estoques no exterior também não estão disponíveis e tememos pelo pior. Se o volume de internação não cair rapidamente, não conseguiremos repor os estoques e será uma situação trágica", afirmou o diretor-presidente da Fehosp, Edson Rogatti, em nota encaminhada à imprensa. O levantamento da Fehosp apontou que mais de 160 hospitais consultados tinham estoques de anestésicos, sedativos e relaxantes musculares para, em média, três a cinco dias de duração. Além disso, os responsáveis pelas unidades também relataram que os antibióticos estavam começando a ficar escassos. Segundo a federação, alguns dos hospitais que estão operando com estoques de dois a três dias estão localizados em cidades como Matão, Guarujá, Votuporanga, Presidente Epitácio, Fernandópolis e Rio Preto. Conforme a Fehosp, são raros os locais de São Paulo que possuem estoque para 10 dias. Além disso, a entidade alerta que as unidades que afirmam ter medicamentos para cerca de oito dias são os hospitais maiores, que recebem grande volume de novas internações diariamente e nos quais o estoque pode cair "bruscamente de um dia para o outro". O temor de faltar qualquer alternativa de medicamento é constante para profissionais de saúde que atuam em hospitais com pouco estoque do "kit intubação". Vitor Marim, que está na linha de frente na Santa Casa de São Carlos, comenta que uma das maiores dificuldades é começar um tratamento e não saber se aquela prescrição será executada até o fim, em razão da possibilidade de que a medicação acabe em poucos dias. "Diariamente avaliamos o que podemos usar hoje ou amanhã. Daqui a dois dias, pode ser que não tenha mais aquela medicação e precisaremos alternar com outra", diz o infectologista. "O tratamento atual tem uma complexidade muito maior, porque não sei se terei medicamento para daqui a dois ou três dias", acrescenta.
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15/04 - Devemos conversar mais sobre a morte para viver uma vida que vale a pena, diz especialista em cuidados paliativos
Médica Ana Claudia Quintana Arantes também observa uma mudança nos rituais: com funerais restritos a poucas pessoas na pandemia, transmissões on-line estão oferecendo uma chance de participação e solidariedade no momento da despedida. Ana Claudia Quintana Arantes: “Elas não conseguem chorar todas as mortes ao mesmo tempo” Para cada vida que se vai, há um número de pessoas que vivenciam a perda. Um ano depois da primeira vítima, já se somam 362 mil mortos pela pandemia do coronavírus apenas no Brasil. Uma rápida olhada na timeline do Facebook e é possível ter a sensação de que o luto anda mais presente no nosso dia a dia. Ana Claudia Quintana Arantes, autora do livro "A morte é um dia que vale a pena viver" e referência em cuidados paliativos, diz que o momento é de um grande choque. "As pessoas não conseguem chorar todas as mortes ao mesmo tempo. É uma certa incredulidade, você não acredita no que está acontecendo, não é possível". Ela é médica formada pela USP com pós-graduação em psicologia. Sua especialidade está em cuidar de pacientes que não têm mais perspectiva de cura e precisam viver os dias que ainda restam da melhor maneira possível. Quintana Arantes conversou com o G1 sobre a falta de uma despedida própria em tempos de funerais restritos a poucas pessoas, sobre conseguir abstrair o momento difícil e o processo de luto - que em algum momento da vida todos devem viver. G1 - Como lidar com essa constante sensação e referência à morte nesses tempos? Ana Claudia Quintana Arantes - O que eu posso te dizer é que a gente não tem escolha. Penso que o caminho para enfrentar isso é reconhecendo que está acontecendo. E, a partir desse conhecimento, tomar as devidas providências: qual lugar nós vamos ocupar dentro dessa escala de complexidade. Você quer ajudar ou você é uma das pessoas que precisam de ajuda? Ou ainda: você se considera capaz de ser alguém que vai atrapalhar, que vai piorar tudo isso? G1 - Há ainda aquelas pessoas que não têm conseguido se despedir, ter um ritual de despedida, por causa das restrições de funeral. Quintana Arantes - Eu tenho ouvido muito isso também, mas deixa eu te dizer uma coisa: quando tiveram a oportunidade de se despedir, as pessoas não se despediam. Vamos partir desse princípio. Não é que virou agora a necessidade mundial de se despedir dos seus familiares que estão morrendo. Isso não existia antes. A situação da [falta de uma] despedida trouxe à tona uma falha do nosso dia a dia como seres humanos: a gente não conversa sobre a morte. Se você conversasse com seu familiar sobre a morte, você saberia o que essa pessoa gostaria de viver ou não viver nesse momento. Você poderia ter falado com ela na hora da ida para o hospital: "Olha, faz sua parte, faz o melhor que você puder e eu vou fazer o melhor que eu puder daqui. Leva meu coração, meu amor com você, e eu vou ficar com seu amor comigo". Não é exatamente uma despedida, mas é uma clareza da bagagem de mão que você está levando para essa internação. A especialista em cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes Divulgação G1 - Como a falta de despedida impacta no processo de luto? Quintana Arantes - Eu perdi um grande amigo da faculdade por Covid na semana passada. E perdi outro hoje [segunda, 12], um amigo que é um artista plástico maravilhoso, foi meu professor de arte. E arte para mim é um jeito de respirar. Então me desligaram um aparelho muito vital para mim hoje. Na semana passada, teve o funeral do meu amigo da faculdade, em Fortaleza, e esse funeral foi transmitido via Instagram. Assisti ao funeral inteiro dentro do meu carro e chorei tudo que eu podia dentro do meu carro. Não recebi nenhum abraço, mas eu tive a benção de poder estar com a família dele de alguma forma. Em tempos normais eu não poderia ter ido até Fortaleza. Teria que ficar sem saber de nada, sem participar de nada. Então os rituais estão redimensionados para a nossa realidade. O fato de você não ter 10, 15, 100 pessoas no funeral não quer dizer que você não possa viver isso de uma maneira ritualizada. Você vai ritualizar de uma forma possível. O que é mais triste nesse momento são as pessoas que estão internadas, famílias inteiras internadas, e aí, de cinco pessoas que estão internadas, três falecem. Isso aconteceu com uma pessoa que trabalha comigo. Quem sobreviveu precisa receber a notícia de que aquelas três pessoas morreram. Não teve despedida, não teve ritual, não teve funeral e ainda tem uma necessidade de você ter força para continuar vivo, para se restabelecer. G1 - Quem respeita o isolamento tem uma compreensão diferente do luto e do momento em que estamos vivendo? Quintana Arantes - Se você escolhe respeitar, você está dando valor não só a sua própria vida, mas à vida de outras pessoas também. Muita gente nem tem essa escolha: pessoas que vão trabalhar, que se colocam em risco e voltam para casa. Não vão para a balada, não vão para o bingo ou para o cassino. Essa capacidade de respeitar o momento que nós estamos vivendo talvez não seja da maioria, né? Se fosse a maioria, a gente estaria melhor. Acho que tem pessoas que perderam até familiares, mas não entenderam ainda. É realmente um teste gravíssimo de compreensão, deve ser um problema de neurotransmissor deficiente, de falta de ocitocina [substância conhecida como hormônio do amor]. A ciência que responda isso daqui a alguns anos enquanto a gente só tem que buscar o dever ético de sobreviver. G1 - O medo de morrer nos últimos tempos está mudando o comportamento das famílias? Quintana Arantes - É um choque tão grande, que tem momentos em que essas pessoas estão anestesiadas. Elas não conseguem chorar todas as mortes ao mesmo tempo. É uma certa incredulidade, você não acredita no que está acontecendo, não é possível. Hoje teve um pedido de socorro de uma senhora que perdeu um familiar e estava tendo alucinações de que o familiar dizia que estava vivo. A fragmentação da consciência das pessoas que ficam é uma coisa aterrorizante de acompanhar, às vezes você fica mudo. Você não sabe o que dizer. G1 - O que seria essa fragmentação da consciência durante o luto? Quintana Arantes - Você não sabe quem você é, aonde você está, o que aconteceu exatamente, você não sabe o que que é futuro, o que é passado, o que é presente. Você destrói aquilo que você acreditava que era real. Não é que você destruiu: a doença destruiu, a perda destruiu. Você fragmentou essa consciência. Você fica em cacos, cacos de um espelho. Não se sabe direito qual é a imagem que se forma. E, em cada pedacinho do espelho, você consegue se ver. Mas, em cada caco, há muitas opções de reação e você não sabe mais como juntar os cacos nem pra que serviam antes. G1 - Como diminuir a dor? Quintana Arantes - Cuidando uns dos outros. É pelo cuidado, é pelo apoio. Um grande amigo me contou a respeito de uma senhora que liga para todas as pessoas que ela sabe que moram sozinhas. Todos os dias ela tem uma lista. Ela não faz parte de nenhum grupo de ajuda, apenas tem essa ideia. Ela liga para cinco, seis pessoas. Só para ver como elas estão, o que estão fazendo... "Lembrei de você hoje. Como é que você está?" Para mim está muito claro que a missão dessa doença é trazer para nós a consciência do cuidado. Uma amiga que trabalha num hospital disse que encontrou uma cama vazia ao chegar para o plantão. Ela me ligou, quis me contar isso. Uma cama vazia. O significado para um médico, um profissional de saúde, de ver uma cama vazia na pandemia. E essa cama ficou vazia o dia inteiro. É esperança se realizando. G1 - Precisa viver a morte, o luto depois de uma perda, 100% do tempo? Pode tentar abstrair? Quintana Arantes - Não precisa se distrair. As pessoas dizem assim: "Ai, fala de outra coisa". A morte é um problema dos vivos, já dizia o [sociólogo alemão] Nobert Elias. Então é da nossa conta. Você fala da morte para você viver uma vida que vale a pena. Alguém se pergunta: "As pessoas têm medo da morte?" Não tem. Esse monte de gente corajosa aí andando sem máscara, ninguém tem medo da morte, não. Se tivesse, estava em casa. G1 - Você acha que o Brasil vive um luto coletivo? Existe isso? Quintana Arantes - A minha impressão do que a gente está vivendo no país é o luto da morte da vergonha na cara de tantos brasileiros. Então, esse é o luto coletivo. É o luto do caráter das pessoas de se importarem, de perder a sua determinação de consertar o mundo, né? E poder ajudar as pessoas. Às vezes essa determinação se esvai e a gente acha que não vai conseguir conceber as pessoas morrendo sem oxigênio, morrendo sem remédio, sendo intubada sem anestésicos, sem analgésico, sem sedativo. G1 - Há o que fazer num dia em que tudo parece muito ruim? Quintana Arantes - Só aceitar. Tem dia que eu estou sem esperança? Tenho. E eu falo: hoje não. Só que todas as minhas dores não são para sempre. "Nunca mais", "para sempre será assim", "será que nunca mais a gente vai sair daqui?". Se você morrer amanhã, realmente, nunca mais. Agora, se você conseguir ficar vivo, talvez não tenha esse tempo de nunca mais para você experimentar. Essa oscilação faz parte. É maré: maré alta e baixa. E você precisa respeitar esse ritmo, o seu próprio ritmo. Tem momento que você está com medo? Ok, está com medo. Não é pra sempre. Amanhã você estará corajosa. Hoje você está sem esperança? Está. Então, hoje você pede ajuda. Vídeos: Viva Você
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15/04 - Filme retrata acessos de raiva e falsas acusações relacionados ao Alzheimer
Há estratégias para lidar com o tipo de comportamento representado em “Meu pai”, candidato a seis Oscars Forte concorrente a uma estatueta, “Meu pai” disputa seis Oscars (a cerimônia será no fim do mês) e está disponível nas plataformas digitais desde a semana passada. Na trama, Anthony Hopkins vive um personagem que tem seu nome e sua idade – o ator completará 84 anos – em sua jornada sem volta na trilha da demência. O diretor Florian Zeller conduz a narrativa sob o ponto de vista do idoso, o que torna o filme ainda mais perturbador: com sintomas da Doença de Alzheimer, ele imagina pessoas que querem tomar seu apartamento, faz acusações sobre o sumiço do relógio e do quadro que emoldurava a lareira, e se envolve em embates sucessivos com a filha, interpretada por Olivia Colman. Anthony Hopkins, candidato a um Oscar de melhor ator por seu papel no filme “Meu pai” Divulgação Acessos de raiva e falsas acusações são comportamentos relacionados às demências que chocam quem é próximo do paciente. Para quem sofre com a doença, atividades corriqueiras podem se tornar complexas e levar a um estado de frustração e estresse, provocando rompantes de cólera. No entanto, há estratégias para lidar com a situação. Em primeiro lugar, é importante aceitar as limitações da pessoa, que tendem a se ampliar, e deixá-la fazer as coisas no seu ritmo. Às vezes, o simples estímulo para realizar uma tarefa se transforma no gatilho da crise, por isso uma outra precaução é reduzir o leque de decisões – do que haverá para comer à roupa que será usada. Um ambiente calmo e uma rotina sólida são aliados contra a agitação, o que inclui uma comunicação clara e direta, com frases curtas, mas sempre num tom positivo. Acusações infundadas são difíceis de lidar, principalmente quando se é o alvo delas, mas não tome como algo pessoal, nem se valha de argumentos racionais. Ponha-se no lugar de quem procura um objeto e se aflige porque não consegue encontrá-lo. Deixe que o idoso fale, expresse sua angústia, mantendo um tom acolhedor para distraí-lo. Quando esse é um comportamento recorrente, uma alternativa prática é ter itens em duplicata. Se a carteira é o objeto que mais “desaparece”, compre outra igual e ajude na caça ao tesouro. Em vez de tentar trazer o paciente de volta ao mundo real, entre na realidade dele.
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14/04 - Brasil tem mais de 362 mil mortos por Covid; média móvel de óbitos fica acima de 3 mil pelo 5º dia
País contabilizou 13.677.564 casos e 362.180 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Foram 3.462 mortes contabilizadas no último dia. Brasil passa de 360 mil mortes por Covid O país registrou 3.462 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou nesta quarta-feira (14) 362.180 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 3.012. É o quinto dia seguido em que a média móvel fica acima da marca de 3 mil. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -3%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta quarta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Já são 84 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 29 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia; e já são 19 dias com a média acima da marca de 2,5 mil. A média está acima da marca de 3 mil há 5 dias, algo inédito. Veja a sequência da última semana na média móvel: Evolução da média móvel de óbitos no Brasil na última semana Editoria de Arte/G1 Quinta (8): 2.818 Sexta (9): 2.938 Sábado (10): 3.025 Domingo (11): 3.109 Segunda (12): 3.125 (recorde) Terça (13): 3.051 Quarta (14): 3.012 Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.677.564 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 75.998 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 68.648 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -7% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Seis estados estão com alta nas mortes: AP, ES, MA, PI, PR, RJ. O estado do Ceará não teve atualização nos dados desde a terça-feira. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, o sistema que gerencia os dados do boletim estadual apresentou "problemas críticos" que impossibilitaram a divulgação. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 14 de abril Total de mortes: 362.180 Registro de mortes em 24 horas: 3.462 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 3.012 por dia (variação em 14 dias: -3%) Total de casos confirmados: 13.677.564 Registro de casos confirmados em 24 horas: 75.998 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 68.648 por dia (variação em 14 dias: -7%) Estados Subindo (6 estados): AP, ES, MA, PI, PR, RJ Em estabilidade (14 estados): AC, AL, AM, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PE, RR, SE, SP e TO Em queda (5 estados e o Distrito Federal): DF, PB, RN, RO, RS e SC Não atualizou (1 estado): CE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 deste quarta-feira (14) aponta que 24.956.272 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 11,79% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 8.121.842 pessoas (3,84% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 33.078.114 doses foram aplicadas em todo o país. Variação de mortes por estado Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +34% RS: -39% SC: -23% Sudeste ES: +17% MG: +8% RJ: +17% SP: -3% Centro-Oeste DF: -19% GO: -4% MS: +4% MT: -11% Norte AC: +8% AM: +3% AP: +43% PA: +14% RO: -23% RR: +12% TO: -12% Nordeste AL: +6% BA: -11% CE: o estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de terça (13), estava em -4% (tendência de estabilidade) MA: +19% PB: -31% PE: +13% PI: +21% RN: -18% SE: +15% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
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14/04 - Combate ao coronavírus deve ter foco em evitar a transmissão pelo ar, defendem pesquisadores
Em artigo na 'British Medical Journal' quatro cientistas defendem que ventilação e uso de boas máscaras devem ser priorizada no combate ao vírus. Enfermeira usa máscara do tipo PFF2 e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) em Madri, na Espanha, no dia 3 de fevereiro. Juan Medina/Reuters .osAbra suas janelas: o combate ao coronavírus deve ter foco em evitar a transmissão pelo ar, ventilando ambientes. ambientes. Abra suas janelas: o combate ao coronavírus deve ter foco em evitar a transmissão pelo ar, ventilando ambientes. Isso é o defendem quatro pesquisadores do Reino Unido, Estados Unidos e Hong Kong em um artigo publicado nesta quarta-feira (14) na revista científica "British Medical Journal", uma das mais importantes do mundo. Veja abaixo, de forma resumida, as 4 formas apontadas pelos cientistas para evitar a transmissão do coronavírus pelo ar: Mantenha a distância de outras pessoas. Pessoas infectadas com o Sars-CoV-2 produzem muitas pequenas partículas respiratórias carregadas de vírus quando expiram. Quanto mais perto da pessoa, maior a chance de você pegar o vírus. Em ambientes fechados, manter uma distância de 2 metros pode não ser suficiente para evitar o contágio. Ventile os ambientes. Se você está em um ambiente fechado ou mal ventilado onde há alguém infectado, as partículas que carregam o coronavírus podem ficar suspensas no ar por um bom tempo — inclusive depois que a pessoa infectada foi embora. Garantir a troca ou a purificação do ar é essencial. Use boas máscaras. Dê preferência a máscaras que possuam alta capacidade de filtragem. Um exemplo deste tipo de máscara são as PFF2. Ajuste bem a máscara. Mesmo boas máscaras podem perder a capacidade de proteção se não estiverem bem ajustadas ao rosto. Garanta que a máscara não tenha folgas pelas quais o ar possa sair (e, consequentemente, entrar com o vírus). Os autores que assinam o artigo são Julian W. Tang, consultor de virologia e professor de ciências respiratórias na Universidade de Leicester, na Inglaterra; Yuguo Li, professor titular de engenharia mecânica da Universidade de Hong Kong; Linsey Marr, professora de engenharia na Virginia Tech, nos Estados Unidos, especialista em transmissão aérea de vírus, qualidade do ar e nanotecnologia, e Stephanie J. Dancer, professora de microbiologia na Universidade Edinburgh Napier, na Escócia. Abaixo, entenda um pouco mais sobre por que eles defendem as medidas acima como necessárias para evitar a transmissão do coronavírus pelo ar: 1. Mantenha distância Mulher anda com neto na praia em Delaware, nos Estados Unidos, no dia 2 de janeiro. Mark Makela/AFP Pessoas infectadas com o Sars-CoV-2 produzem muitas pequenas partículas respiratórias carregadas de vírus quando expiram. Algumas dessas partículas serão inaladas quase imediatamente por aqueles que estiverem a uma distância curta, de 1 metro ou menos, que normalmente é a mantida entre duas pessoas que estão conversando. O resto das partículas se dispersa em distâncias mais longas, podendo ser inalado por pessoas a mais de 2 metros de distância. O risco de isso acontecer é maior em ambientes internos e mal ventilados (entenda mais no tópico 2). "Embora isso possa acontecer a uma longa distância, é mais provável quando [se está] perto de alguém, pois os aerossóis entre duas pessoas são muito mais concentrados a uma curta distância — como estar perto de alguém que está fumando", dizem os pesquisadores no artigo. 2. Ventile os ambientes Em locais fechados e mal ventilados, as partículas expelidas por uma pessoa doente ficam mais tempo em suspensão, ao invés de evaporarem ou serem dispersadas. Se essas partículas forem inaladas por outra pessoa, no mesmo ambiente, ela se contamina. É assim que funciona a transmissão pelo ar – o contágio sem que se tenha contato direto com uma pessoa infectada. As partículas também podem contaminar outras pessoas mesmo depois que a pessoa infectada já foi embora. Por isso, mecanismos que possibilitem a troca ou purificação do ar ambiente se tornam muito mais importantes. Isso significa abrir janelas ou instalar ou atualizar sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado, dizem os cientistas no artigo. Foto mostra medidor de dióxido de carbono em escola primária de Berlim, no primeiro dia de relaxamento de restrições e reabertura de escolas, em 22 de fevereiro. Annegret Hilse/Reuters "As pessoas têm muito mais probabilidade de se infectar em uma sala com janelas que não podem ser abertas ou sem sistema de ventilação", reforçam Tang e colegas. A cientista Melissa Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), dá um exemplo de situação possível: "Você pode ter uma pessoa infectada em um local – vamos pensar numa situação de um escritório, um consultório odontológico, médico. A pessoa infectada sai, outra entra e acha que, porque ela está sozinha no ambiente, pode ou tirar a máscara ou não utilizar adequadamente. E ela pode se contaminar com esses aerossóis que ficam no ar", explica. Para o engenheiro biomédico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, a menção à ventilação feita pelos autores é muito importante. "Ventilação é a medida de prevenção mais importante. Em espaços fechados e mal ventilados, 2 metros de distanciamento não é sempre suficiente, justamente porque essas partículas leves com o vírus que ficam em suspensão se espalham rapidamente num ambiente fechado. Ventilar os espaços garante que essas partículas sejam levadas para um ambiente externo e rapidamente diluídas, e que ar fresco entre no ambiente", explica. Markoski reforça a recomendação. "Às vezes as pessoas ficam com medo de deixar a janela aberta e de entrar aerossol da rua. Não, pelo contrário, você está ajudando a dispersar aquele ar potencialmente contaminado daquele ambiente", afirma a professora. Para Mori, não levar em conta a transmissão pelo ar tem levado a políticas de saúde pública equivocadas para o combate à pandemia. "Reforçamos muito a limpeza de superfícies e a higienização das mãos, mas praticamente não falamos de ventilação e da importância de espaços abertos. Ainda há uma enorme e injustificada insistência com a transmissão por superfícies", avalia. Entenda por que ventilar ambientes é mais importante do que limpar compras "O que mais estamos vendo é a implementação de protocolos equivocados, uma comunicação absolutamente falha sobre as medidas de prevenção e uma responsabilização da população pelo fato de as medidas de controle não darem certo", acrescenta. No artigo desta quarta (14), Tang e colegas reforçam que a transmissão do vírus por superfícies é "relativamente mínima". 3. Use boas máscaras Além da ventilação, a segunda forma crucial de evitar a contaminação pelo ar é usando boas máscaras, dizem os cientistas. "Uma segunda implicação crucial da propagação [do vírus] pelo ar é que a qualidade da máscara é importante para a eficácia de proteção contra aerossóis inalados", afirmam os pesquisadores. Mas o que é uma boa máscara? Ela precisa ter, basicamente, uma boa capacidade de filtragem e um bom ajuste ao rosto (veja detalhes sobre ajuste no tópico 4). Um exemplo de máscara com essas características são as PFF2. O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95 4. Ajuste bem a máscara ao rosto A máscara não pode ter folgas pelas quais o vírus possa entrar, lembram Tang e colegas. "A maioria [das máscaras] é pelo menos parcialmente eficaz contra a inalação de aerossóis. No entanto, tanto a alta eficiência de filtração como um bom ajuste são necessários para aumentar a proteção contra aerossóis, porque partículas minúsculas transportadas pelo ar podem encontrar um caminho e entrar por quaisquer folgas entre a máscara e o rosto", frisam. Veja as instruções de uso (e os principais erros) da PFF2 Anderson Cattai/G1 Vitor Mori explica: "Justamente pela transmissão ser pela inalação e não pela deposição de partículas, o tipo de máscara importa e o quão bem vedada ela está no rosto também. Se a máscara não estiver bem vedada ao rosto – que é o caso das cirúrgicas e das de pano – o ar acaba entrando pelos vãos entre a máscara e o rosto. O ar sempre vai procurar o caminho de menor resistência", diz. "E, justamente por isso, equipamentos de proteção individual para proteção respiratória, como respiradores PFF2, são muito mais eficientes", pontua. Aqui entra também uma discussão que vem ocorrendo desde o ano passado: o tamanho das partículas capazes de carregar o coronavírus. Isso importa porque, quanto menores elas são, mais difíceis são de filtrar e mais facilmente passam por essas brechas. "Se o vírus fosse transmitido apenas por partículas maiores (gotículas) que caem no solo dentro de um metro ou mais após a expiração, o ajuste da máscara seria menos preocupante", afirmam Tang e colegas. Médico de emergência em Madri, na Espanha, coloca máscara cirúrgica contra o coronavírus no dia 2 de março. Juan Medina/Reuters Os procedimentos de geração de aerossóis, como a intubação de pacientes, são uma das únicas formas reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de transmissão pelo ar do coronavírus. Tradicionalmente, os aerossóis são definidos como partículas menores do que as gotículas, mas, no artigo, Tang e colegas defendem que qualquer partícula inalável pode ser vista como um aerossol. "Essencialmente, se você puder inalar partículas – independentemente do seu tamanho ou nome - você, está respirando aerossóis. Do jeito que [a transmissão] ocorre [de fato], profissionais de saúde que usam máscaras cirúrgicas foram infectados sem se envolver em procedimentos de geração de aerossol", afirmam. Profissional de saúde ajusta máscara de oxigênio de paciente com Covid-19 em hospital de Belém com leitos exclusivos para a Covid, no dia 26 de março. Tarso Sarraf/AFP "À medida que a propagação do Sars-CoV-2 é totalmente reconhecida, nossa compreensão das atividades que geram aerossóis exigirá uma definição mais aprofundada. Cientistas de aerossóis têm mostrado que até mesmo falar e respirar são procedimentos geradores de aerossóis", dizem os cientistas. Melhorar a qualidade do ar Os pesquisadores também dizem que é essencial melhorar a qualidade do ar em ambientes fechados, inclusive para combater o vírus longo prazo – e outras infecções respiratórias. "Sistemas mais novos, incluindo tecnologias de limpeza e filtragem de ar, estão se tornando cada vez mais eficientes. A Covid-19 pode muito bem se tornar sazonal e teremos de conviver com ela como fazemos com a gripe. Portanto, os governos e os líderes de saúde devem dar atenção à ciência e concentrar seus esforços na transmissão pelo ar", defendem. "Ambientes internos mais seguros são necessários não apenas para proteger as pessoas não vacinadas e aquelas para as quais as vacinas falham, mas também para deter as variantes resistentes às vacinas ou novas ameaças que podem aparecer a qualquer momento", afirmam. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil: c
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14/04 - Ministro do TCU propõe apurar se houve omissão do governo na gestão de remédios na pandemia
Área técnica diz que Saúde descumpriu ordem de 2020 sobre elaboração de plano e chegou a propor multa a Pazuello, mas ministro rejeitou. Decisão foi adiada após pedido de vista. O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), propôs nesta quarta-feira (14) a abertura de um processo para apurar se houve omissão do Ministério da Saúde na elaboração de uma política de assistência de medicamentos para estados e municípios durante a pandemia. A proposta de Zymler, no entanto, não chegou a ser votada. Isso porque os ministros Augusto Nardes e Jorge Oliveira pediram mais tempo para analisar o caso. O G1 buscava contato com o ministério até a última atualização desta reportagem. Segundo a unidade técnica do TCU, o ministério descumpriu uma determinação de 2020 para que fosse elaborado um plano estratégico detalhado sobre gestão e assistência farmacêutica. Os técnicos chegaram a propor a aplicação de multa ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello; ao ex-secretário-executivo Antônio Élcio Franco; e ao secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti Neto. Essa proposta, porém, foi rejeitada por Benjamin Zymler. O ministro entendeu que a pasta atendeu à determinação de 2020, mas que, se a execução foi falha, é preciso avaliar isso em um novo processo, com a defesa de todos os citados. "Ao contrário do exposto pela unidade técnica, não vislumbro aqui o descumprimento de determinações elaboradas pelo TCU, pois o Ministério da Saúde não as ignorou e buscou atendê-las da forma que entendeu pertinente. O fato de não se concordar com o seu conteúdo pode configurar outra infração, que não essa apontada”, afirmou Zymler. Natuza: relatório do TCU cita erros na pandemia e propõe condenação de Pazuello Votos Durante a discussão do processo, que avalia a gestão do Ministério da Saúde durante a pandemia, os ministros Bruno Dantas e Vital do Rêgo manifestaram apoio à proposta da unidade técnica. Segundo Bruno Dantas, há argumentos para impor “punições severas” aos gestores do Ministério da Saúde. "Pelos elementos que constam nos autos, nós já temos elementos de sobra para impor condenações severas a todo o corpo do ministério, não apenas por ter descumprido as nossas determinações, na verdade o que o Ministério da Saúde fez – e muito mais grave que descumprir determinações do Tribunal de Contas da União – foi descumprir imperativos científicos, imperativos legais, imperativos morais, imperativos de governança pública, imperativos de planejamentos orçamentário e imperativos de compaixão”, disse. Durante a sessão, o ministro Jorge Oliveira disse que concordava com o mérito do processo apresentado por Zymler, mas pediu ao TCU que "não extrapole as suas funções," para que não desgaste ainda mais o cenário.
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14/04 - Fiocruz entrega 2,2 milhões de doses da vacina contra Covid e prevê novo lote com 2,8 milhões nesta semana
De acordo com a fundação, 215 mil doses seguirão diretamente para o estado do Rio de Janeiro. Vacinas de Oxford administradas no Piauí rendem doses extras, diz Sesapi Sesapi/Divulgação A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou nesta quarta-feira (14) um lote com cerca de 2,2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca ao Ministério da Saúde. De acordo com a fundação, 215 mil doses seguirão diretamente para o estado do Rio de Janeiro. Governo prevê recebimento de 1 milhão de doses da vacina da Pfizer no fim de abril Presidente da Fiocruz prevê produção de vacinas com insumos nacionais a partir de setembro A Fiocruz informa que tem a previsão de entregar na próxima sexta-feira (16) outro lote com 2,8 milhões de doses do imunizante, totalizando 5 milhões de vacinas entregues na semana. A entrega realizada nesta quarta é a segunda do mês. No dia 2 a fundação entregou 1,3 milhão de doses. Segundo a direção da fundação, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) - responsável pela produção das doses - já alcançou a marca de produção de 900 mil doses por dia, e considera que o risco de não cumprimento das previsões é quase zero, uma vez que a entidade já recebeu IFA para manter a produção até meados de maio. Uma nova remessa de IFA da China está sendo aguardada para produção a partir da terceira semana de maio. Quanto ao contrato para transferência de tecnologia, a Fiocruz informa que a expectativa é que seja assinado no início de maio. E, em maio também, a Fiocruz vai incluir mais um turno na produção de doses da vacina Oxford/Astrazeneca. Com isso, a Fiocruz deve chegar à produção de 1,2 milhões de doses por dia. Que vacina é essa? Oxford Astrazeneca Previsão para o mês A estimativa da fundação é entregar neste mês de abril 18,8 milhões de doses com produção nacional com ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. O IFA é a principal matéria prima do imunizante e ainda não é produzido pela Fiocruz. A estimativa é inferior ao último cronograma divulgado pelo Ministerio da Saúde que previa, segundo cronograma de 19 de março, que fossem entregues 21,1 milhões de doses com IFA importado e outras duas milhões de doses prontas importadas. De acordo com a previsão mais recente da Fiocruz, estão previstas 4,7 milhões de doses na semana de 19/4 a 24/4, e mais 6,7 milhões na semana de 24/4 a 1/5. Cronograma geral e motivo do atraso A Fiocruz tem contrato com ministério para entregar 104,4 milhões de doses no 1º semestre e 110 milhões no 2º semestre. A produção da Fiocruz sofreu atrasos que começaram com problemas na importação do IFA. Eram aguardados ainda em janeiro insumos suficientes para 15 milhões de doses, como disse o então ministro Eduardo Pazuello. Ele explicou que, como compensação pelo atraso, a AstraZeneca se comprometeu a entregar 12 milhões de doses prontas. Mas os atraso continuaram em fevereiro, travando a utilização da fábrica que é capaz de produzir até 1,4 milhão de vacinas por dia e impedindo as primeiras entregas previstas já para a segunda semana daquele mês. Além disso, em março, o Instituto Serum, da Índia, que fornece o insumo, também notificou o atraso no envio das doses prontas. Das 12 milhões aguardadas, apenas 4 milhões de doses prontas foram entregues. A Fiocruz ainda teve que lidar com um problema em uma linha de produção, o que provocou a paralisação de uma semana no processo de produção no começo deste mês. De acordo com "O Globo", o problema foi em uma máquina que tampa os frascos da vacina.
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14/04 - Fiocruz diz que mortes por Covid seguem em alta apesar de leve queda e vê risco de estagnação em patamar elevado
Fundação diz que restrição de mobilidade e de atividades econômicas estão produzindo 'êxitos localizados', que devem ajudar na redução de casos graves, mas ainda não tiveram impacto no total de mortes e de hospitalizações. Enfermeiro realiza teste PCR em paciente Denis Balibouse/Reuters/Arquivo A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirma que o número de óbitos por Covid-19 ainda permanece em crescimento no Brasil, apesar de ter apresentado uma leve desaceleração na comparação dos dias 4 a 10 de abril com a semana epidemiológica anterior, segundo o Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 divulgado nesta quarta-feira (14). Os pesquisadores ressaltam que os dados mostram ainda a "estabilização na incidência de novos casos" e apontam "tendência de desaceleração, mas ainda não de contenção da epidemia". Entretanto, alertam que a "flexibilização de medidas restritivas pode fazer retomar ritmos acelerados de transmissão e, portanto, de casos graves de Covid-19 nas próximas semanas". Brasil bate marca de 4 mil mortes por Covid registradas em um dia pela 1ª vez Na Semana Epidemiológica 14 (4 a 10 de abril), o Brasil registrou uma média de 3.020 mortes notificadas a cada 24 horas, o que corresponde a um aumento de 1,1% de óbitos ao dia. De acordo com a Fiocruz, o percentual é ligeiramente menor do que o observado no final do mês de março (1,5%). O número de novos casos diários também aumentou a um percentual de 0,9%, totalizando cerca de 70.200 novos casos por dia no intervalo observado. "Esse padrão pode representar a desaceleração da pandemia, com a formação de um novo patamar, como o ocorrido em meados de 2020, porém com números bastante mais elevados de casos graves e óbitos." - Boletim da Fiocruz Citando ainda o alto índice de testes positivos e a permanência do nível crítico de ocupação de UTIs, os pesquisadores afirmam que os dados "mostram que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo de abril." Taxa de letalidade Em relação à taxa de letalidade, o percentual que em março era de 3% subiu para 4,3%. No começo do mês de abril, o Brasil superou pela primeira vez a marca de 4 mil mortes por Covid. A taxa de letalidade se refere à quantidade de pessoas que morreram por uma doença em relação à quantidade de infectados por ela. É diferente do conceito de taxa de mortalidade, que trata da quantidade de pessoas que morreram por uma doença em relação à população total de um lugar. Leitos de UTI para Covid A Fiocruz também informou que as taxas de ocupação de UTI adulto por Covid-19 permaneceram "predominantemente estáveis e muito elevadas". Comparado ao último boletim, o estado do Maranhão foi a única unidade federativa a sair da zona de alerta crítica e ir para a intermediária. Atualmente o estado apresenta 78% de ocupação. Com 44% de taxa de ocupação das UTI, Roraima é o único estado brasileiro na zona de "alerta baixo". Maranhão (78%), Amazonas (73%) e Paraibana (70%) estão na zona de alerta intermediário e todos os outros estados seguem na zona crítica. Taxa de ocupação da UTI Covid-19 adulto Observatório Covid−19 | Fiocruz Vacinação no Brasil O boletim também trouxe dados sobre a vacinação no país. Ao todo, cerca de 27,5 milhões de pessoas já foram vacinadas no Brasil. A média nacional mostra que apenas 30,2% dos vacinados completaram o esquema vacinal com duas doses. Nove estados apresentam número de vacinados com apenas uma dose igual ou menor à média nacional. Os menores números para a diferença entre os que completaram o esquema vacinal e os que só tomaram uma dose do imunizantes foram observados nos seguintes estados: Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Pesquisadores acreditam que essa diferença possa estar relacionada com o volume de faltosos para a segunda dose. "É possível ainda que esteja refletindo estratégias diferenciadas de aceleração da imunização da primeira dose, ou ainda conter diferenças relativas à agilidade do registro”.
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14/04 - Covid: saúde mental piorou para 53% dos brasileiros sob pandemia, aponta pesquisa
Instituto Ipsos questionou pessoas de 30 países sobre seu bem-estar mental e emocional; só quatro países relatam piora maior do que a dos brasileiros. Na média global, 45% dos cerca de 21 mil entrevistados pelo Ipsos afirmaram que sua saúde mental piorou pouco ou muito no último ano, sob a pandemia Getty Images via BBC Mais da metade dos brasileiros entrevistados por uma pesquisa declararam que sua saúde emocional e mental piorou desde o início da pandemia, em índice superior à média dos 30 países e territórios pesquisados. Senado aprova atendimento no SUS para transtornos mentais agravados pela pandemia Um terço dos ex-pacientes de Covid desenvolveu transtorno neurológico ou psiquiátrico Depressão não é tudo igual: conheça os tipos menos comuns Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial e cedida à BBC News Brasil, 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano. Essa porcentagem só é maior em quatro países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%). "A gente já havia percebido isso em outra pesquisa global que fizemos em março do ano passado, quando 41% dos brasileiros relatavam ter sintomas como ansiedade, insônia ou depressão já por consequência da pandemia", diz à BBC News Brasil Helena Junqueira, gerente de pesquisas digitais do Ipsos. Em meio à devastação causada pela Covid-19 no país e a necessidade de isolamento social, "a percepção é de que a saúde mental das pessoas está piorando, e além disso o tema se tornou mais discutido recentemente. É um assunto mais presente", prossegue Junqueira. Outros estudos sobre o mesmo tema também trazem dados preocupantes. Um deles, publicado pela Fiocruz com outras seis universidades em meados do ano passado, dizia que "sentimentos frequentes de tristeza e depressão afetavam 40% da população adulta brasileira, e sensação frequente de ansiedade e nervosismo foi relatada por mais de 50% das pessoas". Um relatório de 2017 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontava o Brasil como o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade nas Américas: o problema afetava 9,3% da população, o equivalente a 18,6 milhões de pessoas. Transtornos depressivos foram relatados por 5,8% dos brasileiros, ou 11,5 milhões de pessoas. "De fato, vemos como isso é um problema aqui no Brasil (com as pesquisas), e a situação atual da pandemia tem pesado muito", diz Junqueira. "As notícias são muito tristes, e (com o isolamento social e a perda de redes de apoio) as pessoas têm perdido as estratégias para lidar com isso." Efeito pandemia: isolamento leva a depressão Saúde mental global É claro que não é um problema exclusivo do Brasil: na média global, 45% dos cerca de 21 mil entrevistados pelo Ipsos afirmaram que sua saúde mental piorou um pouco ou muito no último ano, na vida sob a pandemia. E em apenas três países (Índia, China continental e Arábia Saudita) dos 30 pesquisados, houve mais gente dizendo que sua saúde mental melhorou do que gente que acha que ela piorou. "O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante", afirmou, ainda em maio de 2020, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "O isolamento social, o medo de contágio e a perda de membros da família são agravados pelo sofrimento causado pela perda de renda e, muitas vezes, de emprego". Na época, a OMS alertou que entre os grupos de risco estavam, por exemplo, "mulheres, particularmente aquelas que estão fazendo malabarismos com a educação em casa e trabalhando em tarefas domésticas; pessoas idosas e quem possui condições de saúde mental pré-existentes". Transtornos mentais não aumentaram durante a pandemia, dizem pesquisadores É importante, porém, fazer a ressalva que pesquisadores consultados em uma reportagem da BBC News Brasil viram a quantidade de diagnósticos de transtornos mentais se manter relativamente estável durante a pandemia. Portanto, não é possível afirmar que o isolamento social ou o contexto de luto tenham levado, por exemplo, a um aumento nos casos de suicídio - como chegou a insinuar o presidente Jair Bolsonaro, no mês passado, ao criticar medidas de lockdown. Suicídios diminuem em países ricos durante primeiros meses da pandemia de Covid Lockdown causa depressão e suicídio? O que um ano de Covid-19 nos revela Um estudo publicado pela revista científica Lancet nesta terça-feira (13/4) sobre tendências de suicídio em cidades ou regiões de 21 países (Brasil incluído) não identificou aumento de casos durante o período da pandemia, embora faça a ressalva de que os dados oficiais dos países podem ainda não estar completos e de que o tema precisa ser constantemente monitorado. O que não quer dizer - tal como mostram as pesquisas - que a pandemia não esteja cobrando um preço do bem-estar mental das pessoas. "É esperado sentir-se mal, triste, confuso e revoltado diante de uma situação nova e ruim, como foi o aparecimento da Covid-19. Mas há todo um processo entre esses sentimentos e o desenvolvimento de um transtorno mental", disse à BBC News Brasil em março psiquiatra André Brunoni, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Volta à normalidade? De volta às respostas dos brasileiros na pesquisa do Ipsos, além dos 53% que viram sua saúde mental piorar, cerca de um terço (34%) dos entrevistados afirmou que sua saúde mental mudou pouco no último ano, e cerca de 13% sentiram melhora no bem-estar emocional. Ao serem questionados sobre quando esperavam voltar à normalidade como era antes da Covid-19, metade dos entrevistados afirmou esperar que isso aconteça ao longo deste ano. Pouco mais de um terço (35%), porém, diz acreditar que isso vai levar ainda mais tempo. Em média, no mundo, 45% da população dos países entrevistados espera voltar à normalidade neste ano, e 41% acham que vai ser necessário mais tempo. A pesquisa entrevistou 21 mil pessoas (sendo mil delas no Brasil) de 16 a 74 anos, entre 19 de fevereiro e 5 de março. As entrevistas foram feitas online, o que limita o alcance da pesquisa à população mais urbana e conectada, mas o Ipsos informa que a representatividade da amostra é de todo o território nacional. 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14/04 - Voo de 'helicóptero' da Nasa em Marte é adiado após falha em teste; entenda
Agência identificou falha no software do helicóptero na sexta-feira (9). Ainda não há uma nova data para o voo. Animação mostra o helicóptero Ingenuity, da Nasa, fazendo um teste de rotação lenta de suas hélices no dia 8 de abril. A imagem foi feita pelo robô Perseverance, também da Nasa. Nasa A Nasa ainda não conseguiu concretizar seu objetivo de conduzir o primeiro voo do helicóptero Ingenuity em Marte. Planejado para ocorrer na sexta-feira (9), o voo foi adiado após a equipe da agência espacial dos Estados Unidos identificar problemas no software de controle de voo. A falha foi constatada durante um teste de funcionamento em alta velocidade dos dois rotores do helicóptero. O objetivo da checagem era verificar se eles conseguiriam alcançar a velocidade necessária para o voo, que é de 2400 rotações por minuto. O Ingenuity já havia sido aprovado em testes anteriores. Um arco-íris é possível em Marte? Nasa explica efeito em foto Como será a missão do Perseverance, o robô explorador da Nasa Durante o fim de semana, a agência se dedicou a solucionar o problema. De acordo com os especialistas, será necessário atualizar o software, mas o equipamento não tem avarias em outros pontos de estrutura e gerenciamento. "Ingenuity continua saudável na superfície de Marte. Funções críticas como energia, comunicações e controle térmico estão estáveis", informou a Nasa. Foto mostra o helicóptero Ingenuity, da Nasa, destravando as pás do rotor, permitindo que girassem livremente, em 7 de abril. Nasa Segundo a agência, as modificações no software de voo serão revisadas até esta quarta (14). Um cronograma detalhado ainda está sendo elaborado e a equipe planeja definir uma nova data para a navegação na próxima semana. “Nossa melhor estimativa de uma data de voo planejada é fluida agora, mas estamos trabalhando para atingir esses marcos e definiremos uma data de voo na próxima semana”, disse a agência. De acordo com a Nasa, a realização do voo em Marte abriria caminho para novas formas de exploração no planeta. Missão em Marte Nasa divulga vídeo de pouso do robô Perseverance em Marte Em 18 de fevereiro, o robô Perseverance e o helicóptero Ingenuity aterrissaram juntos em Marte, sete meses depois de a missão ter partido dos Estados Unidos. No dia 3 de abril, o helicóptero, que é movido a energia solar, começou a ser abastecido pelo sol do planeta vermelho pela primeira vez. Desde que começou as suas rotinas de preparação em Marte, o Ingenuity passou por uma série de testes pré-voo e foi aprovado em todos, com exceção do que ocorreu na sexta (9). O Ingenuity possui uma série de restrições de voo: o helicóptero gasta muito bateria e precisa se aquecer ao sol para recarregar, voar à noite não é uma opção – porque a escuridão dificulta a navegação – e o helicóptero depende da câmera para observar o solo. Por isso, os melhores horários para o voo são ao meio-dia ou durante a tarde. Veja vídeos sobre astronomia e exploração espacial: o
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14/04 - Eficácia da vacina contra Covid da Moderna cai de 94,1% para 90% em novo estudo nos EUA
Empresa de biotecnologia americana não explicou o motivo da eficácia menor, mas disse estar trabalhando em 2 versões modificadas de sua vacina, específicas para variantes do coronavírus. Vacina da Moderna REUTERS/Eduardo Munoz A vacina da Moderna é 90% eficaz contra a Covid-19 e 95% eficaz contra as formas graves da doença, anunciou a empresa americana em novos resultados publicados na terça-feira (13). Os dados são de um ensaio clínico de fase 3 envolvendo mais de 30 mil pessoas nos Estados Unidos, e o número ficou um pouco abaixo de um ensaio clínico anterior, de dezembro, que atestava 94,1% de eficácia. VEJA TAMBÉM: Vacinados contra gripe são mais resistentes à Covid-19? A Moderna não explicou o motivo da eficácia menor (e se isso se deve ao surgimento de novas variantes). Mas a empresa de biotecnologia americana está trabalhando em duas versões modificadas de sua vacina, específicas para as variantes, e diz que os resultados em testes com camundongos são "encorajadores" (embora ainda não tenho sido revisados por pares). "Novos dados pré-clínicos sobre nossas vacinas candidatas específicas para variantes nos dão confiança em nossa capacidade de antecipar o surgimento de novas variantes", comemorou a chefe da Moderna, Stephane Bancel. Em fevereiro, a empresa já havia anunciado que a vacina contra a variante sul-africana do coronavírus estava pronta para testes em humanos. A vacina mRNA 1273 produzida pela Moderna usa a tecnologia chamada de RNA mensageiro, diferente das tradicionais. O imunizante precisa ser armazenado em baixas temperaturas, inferiores a -20ºC (veja mais no vídeo abaixo e no infográfico no fim do texto). Que vacina é essa? Moderna A farmacêutica está conduzindo ensaios clínicos para o uso da vacina em crianças. Os testes com adolescentes de 12 a 17 anos têm cerca de 3 mil participantes nos EUA, e os com com crianças de 6 meses a 11 anos continua a recrutar 6.750 participantes nos EUA e na China. Entrega de doses A Moderna diz que entregou 132 milhões de doses de sua vacina contra a Covid-19 em todo o mundo, sendo que 117 milhões foram destinadas aos Estados Unidos. A empresa também disse que está a caminho de fornecer mais 100 milhões de doses aos americanos até o fim de maio e mais 100 milhões até o fim de junho. Vacina de RNA As vacinas de RNA mensageiro levam para o nosso organismo uma cópia de parte do código genético do vírus. É uma espécie de mensagem, uma receita para que nosso corpo produza uma proteína do vírus, e a presença dessa proteína desencadeia a produção de anticorpos. Ganha-se um tempo que pode ser decisivo nessa luta de vida e morte. Se a pessoa vacinada for infectada, terá um exército de anticorpos prontos para neutralizar o corona, impedindo a sua multiplicação. Infográfico mostra como funciona uma vacina genética Arte G1 VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19
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14/04 - Covid-19: os riscos de não tomar a segunda dose da vacina
Mais de 1,5 milhão de brasileiros não completaram o esquema vacinal contra o coronavírus e correm risco de ficar sem a proteção adequada VÍDEO: Veja perguntas e respostas sobre importância da 2ª dose de vacina contra Covid Em um café da manhã com jornalistas realizado na terça-feira (13) em Brasília, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram aos postos de saúde para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o estado com o maior contingente, com mais de 343 mil atrasados. Na sequência, aparecem Bahia (148 mil) e Rio de Janeiro (143 mil). Por que são necessárias 2 doses da vacina contra Covid; entenda Queiroga disse que pretende reforçar as campanhas para que todos completem o esquema vacinal. Para isso, vai contar com o apoio do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). A informação do ministro foi complementada pela coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato. A especialista pediu que todos aqueles que tomaram a primeira dose e já esperaram o intervalo mínimo necessário retornem até o local de vacinação mais próximo para completar o esquema preconizado. Que vacina é essa? Coronavac Esse intervalo, vale reforçar, varia de acordo com o imunizante aplicado. No caso da CoronaVac, da Sinovac e Instituto Butantan, o tempo entre a primeira e a segunda dose é de 14 a 28 dias. Já na AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz, o período de espera é de 3 meses. Mas quais são os riscos que esses 1,5 milhão de brasileiros estão correndo ao não tomarem a segunda dose? Que vacina é essa? Oxford Astrazeneca Resguardo duvidoso A maioria das vacinas contra a Covid-19 testadas e já aprovadas necessitam de duas doses para conferir uma taxa de proteção aceitável. Isso vale para os produtos desenvolvidos por Pfizer, Moderna, Instituto Gamaleya e os dois que são usados atualmente na campanha brasileira: a CoronaVac e a AZD1222, como explicado nos parágrafos anteriores. Por ora, a única exceção da lista é o imunizante de Johnson e Johnson, que já fornece uma boa resposta com a aplicação de apenas uma dose. Que vacina é essa? Janssen (Johnson&Johnson) Esses esquemas vacinais foram avaliados e definidos nos estudos clínicos das vacinas, que envolveram dezenas de milhares de voluntários e serviram para determinar a segurança e a eficácia das candidatas. Portanto, se alguém tomar apenas a primeira dose de CoronaVac ou AZD1222 e se esquecer da segunda, não estará devidamente protegido. "Os dados que temos mostram que a pessoa fica resguardada com duas doses. Se ela toma só uma, não completou o esquema e não está vacinada adequadamente", explica a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. Por mais que a primeira dose já dê um pouco de proteção, essa taxa não está dentro dos parâmetros estabelecidos pelos especialistas e pelas instituições que definem as regras do setor, como a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Outro ponto perigoso: ao receber a primeira dose (e não retornar para completar o esquema vacinal), o indivíduo corre o risco de ficar com uma falsa sensação de segurança. Ele pode até achar, de forma absolutamente equivocada, que já está imune ao coronavírus e seguir a vida normalmente, sem os cuidados básicos contra a Covid-19. As recomendações, porém, continuam as mesmas para quem recebeu duas, uma ou nenhuma dose de vacina: todos precisam manter distanciamento físico, usar máscaras, lavar as mãos e cuidar da circulação de ar nos ambientes. O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95 Começar de novo? Ainda não se sabe ao certo como fica a situação de quem não completou as duas doses: esses indivíduos precisam recomeçar o esquema vacinal do zero ou podem tomar a segunda a qualquer momento? Isso vai depender do tempo de atraso, especulam os especialistas. "Se o prazo para receber a segunda dose passou demais, pode ser necessário recomeçar o regime vacinal, pois todos os dados de eficácia que temos são baseados num protocolo. Se fugirmos disso, não temos como garantir a imunização", diz a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Num cenário de escassez de vacinas, isso pode comprometer ainda mais nossos estoques e deixar na mão um monte de gente que ainda precisa se imunizar. Em todo caso, vale seguir a recomendação do Ministério da Saúde e visitar o posto de vacinação mais próximo de sua casa o quanto antes para completar a proteção contra a Covid-19. "As pessoas não devem atrasar, mas, se porventura tiverem algum imprevisto, é importante receber a segunda dose assim que possível para obter uma boa resposta imune", reforça Ballalai. Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia, acredita que o governo deveria investir em campanhas de comunicação para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de seguir direitinho os protocolos de imunização do país. "Precisamos dessas informações sendo veiculadas na televisão, nas redes sociais e em todos os meios, para que a população não se esqueça de tomar a segunda dose da vacina nas datas indicadas", destaca. E é importante lembrar que a primeira e a segunda dose devem ser do mesmo fabricante, sem nunca misturar os produtos: tem que começar e terminar com a CoronaVac ou com a AZD1222. De acordo com as últimas informações do Ministério da Saúde, até o momento o Brasil vacinou um total de 27 milhões de pessoas contra a Covid-19. O número corresponde a pouco mais de 12% da população do país. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
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14/04 - Suicídios diminuem em países ricos durante primeiros meses da pandemia de Covid, aponta estudo
Resultados iniciais apontam que medidas de prevenção e apoio à saúde mental durante a crise sanitária ajudaram a controlar o número de casos. Países com renda baixa não foram analisados por falta de dados. Sombra de homem cabisbaixo e com uma mão na cabeça Reprodução/RPC Apesar do estresse psíquico e emocional causado pela pandemia de Covid-19, o número de suicídios não aumentou durante os primeiros meses da crise sanitária global em países ricos, aponta estudo preliminar divulgado pelo periódico científico The Lancet Psychiatry. De acordo com a pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Melbourne, em alguns casos, o número registrado é inferior ao observado em anos anteriores. Análise não incluiu países com renda baixa. A análise, publicada nesta terça-feira (13), comparou o levantamento feito em 21 países entre os dias 1° de abril e 31 de julho de 2020 com os dados registrados no mesmo período quatro anos atrás. Pandemia de Covid-19 causa crise de saúde mental nas Américas, diz OMS Resultados preliminares mostraram que os países com renda alta e média-alta não sofreram aumento no número de casos registrados em 2020. Os autores não encontraram evidências de aumento no número de suicídios no período analisado em nenhum dos 21 países observados. Do número total de nações, 12 delas apresentaram redução no número de casos registrados. Austrália, Áustria, Canadá, Inglaterra, Japão e Estados Unidos são alguns dos países que compõem a lista de nações de alta renda. Já México, Peru, Rússia, Equador e Brasil estão na lista de países de renda média-alta. Os dados precisam ser interpretados com cautela, já que nem sempre correspondem à totalidade de registros de suicídios observados em todo o território nacional, mas sim uma análise pontual feita a partir de regiões específicas. É o caso da análise feita no Brasil, onde a investigação levou em consideração apenas duas cidades: Botucatu, no interior de São Paulo, e Maceió, capital do estado de Alagoas. O estudo não incluiu a análise de países de renda baixa e média-baixa, que respondem por 46% dos suicídios no mundo, devido à ausência de uma base de dados confiáveis. “Precisamos reconhecer que o suicídio não é o único indicador dos efeitos negativos da pandemia para a saúde mental - os níveis de angústia da comunidade são altos e precisamos garantir que as pessoas recebam apoio”, afirma Jane Pirkis, autora da pesquisa e diretora do Centro de Saúde Mental da Universidade de Melbourne, na Austrália. Lockdown causa depressão e suicídio? O que um ano de covid-19 nos revela sobre saúde mental Ao longo do tempo, os pesquisadores observaram que a saúde mental de um grupo específico pode ser afetado de acordo com as medidas de saúde pública - ou a ausência delas - , a capacidade dos serviços de saúde mental existentes, a força da economia e à criação de medidas de socorro para apoiar aqueles cujos meios de subsistência são afetados pela pandemia. “Aumentar os serviços de saúde mental e programas de prevenção de suicídio, e fornecer redes de segurança financeira podem ajudar a prevenir os possíveis efeitos prejudiciais de longo prazo da pandemia sobre o suicídio”, afirma Pirkis. Análise em tempo real O estudo usou uma base de dados oficial do governo, que registrava o número de suicídios em tempo real. Os pesquisadores analisaram o número de suicídios mensais antes e durante a pandemia de Covid-19. Foram comparados dados de 1° de janeiro de 2019 a 31 de março de 2020 com números observados nos primeiros meses da pandemia para determinar como as tendências de suicídio mudaram durante a crise sanitária global. "Usamos esses dados para modelar a tendência esperada caso a pandemia não tivesse acontecido. Em seguida, analisamos a contagem de suicídios nesses países e comparamos os números reais com as tendências esperadas", explica Pirkis. "Nos primeiros meses da pandemia não houve evidência de aumento de suicídios em nenhum dos países que analisamos", completa. De acordo com a pesquisadora, não é possível dizer com exatidão o que causou os bons resultados observados nos países ricos, mas os mecanismos empregados por algumas nações para mitigar os efeitos da Covid, como expansão dos serviços de saúde mental e de prevenção ao suicídio, o senso de comunidade e os serviços de apoio emergencial durante a crise podem estar relacionados à queda do número de mortes. Veja mais VÍDEOS sobre a Covid-19
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13/04 - Brasil registra mais 3.687 mortes por Covid; média móvel permanece acima de 3 mil
País contabilizou 13.601.566 casos e 358.718 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. É o quarto dia com a média móvel de óbitos acima de 3 mil, algo que ainda não havia sido registrado. Brasil registra 3.687 mortes por Covid em 24 horas O país registrou 3.687 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou nesta terça-feira (13) 358.718 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 3.051. É o quarto dia seguido em que a média móvel fica acima da marca de 3 mil. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +3%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta terça. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Já são 83 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 28 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia; e já são 18 dias com a média acima da marca de 2,5 mil. Incluindo o recorde da véspera, é a primeira vez que a média permanece acima da marca de 3 mil por 4 dias seguidos. Veja a sequência da última semana na média móvel: Evolução da média móvel de mortes por Covid no país na última semana. É o quarto dia seguido acima da marca de 3 mil Editoria de Arte/G1 Quarta (7): 2.744 Quinta (8): 2.818 Sexta (9): 2.938 Sábado (10): 3.025 Domingo (11): 3.109 Segunda (12): 3.125 (recorde) Terça (13): 3.051 Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.601.566 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 80.157 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 70.787 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -6% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Dez estados estão com alta nas mortes: AC, AP, MA, MG, PE, PI, PR, RJ, RR, e SE. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 13 de abril Total de mortes: 358.718 Registro de mortes em 24 horas: 3.687 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 3.051 por dia (variação em 14 dias: +3%) Total de casos confirmados: 13.601.566 Registro de casos confirmados em 24 horas: 80.157 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 70.787 por dia (variação em 14 dias: -6%) Estados Subindo (10 estados): AC, AP, MA, MG, PE, PI, PR, RJ, RR, e SE Em estabilidade (12 estados e o Distrito Federal): AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MS, MT, PA, RN, SP e TO Em queda (4 estados): PB, RO, RS e SC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 deste terça-feira (13) aponta que 24.433.064 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 11,54% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 7.717.785 pessoas (3,64% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 32.150.849 doses foram aplicadas em todo o país. Variação de mortes por estado Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +46% RS: -31% SC: -29% Sudeste ES: +11% MG: +28% RJ: +29% SP: +1% Centro-Oeste DF: -4% GO: -12% MS: +2% MT: -7% Norte AC: +17% AM: +2% AP: +24% PA: +14% RO: -21% RR: +16% TO: -9% Nordeste AL: +4% BA: -5% CE: -4% MA: +20% PB: -30% PE: +16% PI: +31% RN: -8% SE: +17% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
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13/04 - 'Nem percebem que algo aconteceu': como prevenir o infarto cerebral 'silencioso' e danos à memória
Os derrames silenciosos afetam regiões menores e menos funcionais do cérebro, mas podem se acumular e, com o tempo, impactar a memória, funções motoras e cognitivas. 'É preciso imaginar o sistema de circulação (de sangue) da cabeça como uma árvore que tem um tronco — uma grande artéria — que se divide em galhos cada vez menores e tão minúsculos que nem temos nomes para eles', explica a neurologista Cristina Koppel Getty Images Quando uma pessoa sofre um derrame (ou infarto) cerebral — devido a uma hemorragia, obstrução ou compressão de um vaso sanguíneo —, as células que ficam sem oxigênio podem morrer. Dependendo da região do cérebro afetada, uma pessoa pode perder a fala, alguns movimentos e sensações do corpo ou parte da memória. Esses são os efeitos dramáticos do que é conhecido também como infarto cerebral. Mas existe ainda outro tipo de acidente vascular cerebral (AVC) cujos efeitos são menos óbvios e mais difíceis de diagnosticar, pois não apresentam sintomas imediatos. Ele é conhecido como infarto lacunar ou "silencioso", porque afeta regiões menores e menos funcionais do cérebro, que não se manifestam como um AVC sintomático. Entretanto, com o tempo, esses acidentes podem se acumular e ter um impacto de longo prazo no paciente. De acordo com um estudo publicado em 2012 pela Faculdade de Medicina de Harvard (EUA), os infartos cerebrais silenciosos são mais comuns do que derrames com sintomas. Os pesquisadores estimam que mais de um terço das pessoas com mais de 70 anos sofreram um infarto silencioso. O que acontece em um derrame cerebral? AVC é uma forma geral de se referir a um situação em que o cérebro não recebe oxigênio suficiente, seja por uma hemorragia ou obstrução — a terminologia específica é infarto, seja hemorrágico ou isquêmico. "Isquemia significa que não chega oxigênio suficiente e o tecido cerebral morre", explicou Cristina Koppel, neurologista do Hospital King's College, em Londres, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC). A grande maioria é de infartos típicos, quando um êmbolo ou coágulo que circulou pelas artérias obstrui os vasos e interrompe o fluxo sanguíneo. "É preciso imaginar o sistema de circulação (de sangue) da cabeça como uma árvore que tem um tronco — uma grande artéria — que se divide em galhos cada vez menores e tão minúsculos que nem temos nomes para eles", explica Koppel. "O coágulo, que pode ter se formado no coração ou nas artérias carótidas (artérias principais do pescoço), viaja por aquele sistema que vai se estreitando cada vez mais, bloqueando os vasos sanguíneos que alimentam partes do cérebro." Sem esse fornecimento de sangue rico em oxigênio, as células de regiões prejudicadas nesse abastecimento param de funcionar e podem morrer — provocando sintomas como paralisação em parte do rosto, dificuldades para falar ou andar e problemas de visão. No Reino Unido, os médicos aconselham ter em mente a sigla FAST, que em inglês significa "rápido" e utiliza também as iniciais de quatro palavras: rosto, braço, fala e tempo. Ou seja, se um lado do rosto está caído, o braço está fraco ou trêmulo, você tem dificuldade para falar... é hora de chamar a ambulância. "Se o paciente chegar ao hospital em cerca de 4 horas e meia, após um exame para garantir que não é um infarto hemorrágico, pode-se administrar um medicamento antitrombótico para dissolver o coágulo e desobstruir a artéria", diz a neurologista. Todas essas habilidades perdidas durante um infarto típico refletem as funções que eram controladas pela região afetada do cérebro. 'Nem percebem que algo aconteceu' Mas existe um tipo de infarto cerebral que não se manifesta desta forma óbvia, porque "não ocorre na periferia, mas no interior do cérebro, atingido as regiões mais profundas". É o infarto silencioso, uma vez que a interrupção do fluxo sanguíneo destrói células em regiões do cérebro que não controlam funções vitais, regiões "silenciosas". O machucado é tão pequeno que não há sintomas óbvios e ele só pode ser visto através da ressonância magnética ou tomografia computadorizada. "Eles aparentam como um pequeno pontinho", descreve Koppel. "Muitas vezes, quando perguntamos a eles, os pacientes nem percebem que algo aconteceu." Embora possam ter sofrido de algum comprometimento cognitivo temporário sutil, a maioria das vítimas desse tipo de infarto não sabe que sofreu disso. No entanto, não importa quão pequena seja a lesão, "há células mortas ali, afetando as conexões no cérebro". Se muitos desses infartos se acumularem, a consequência mais comum é que certas funções cerebrais são afetadas, levando à lentidão cognitiva, problemas motores e demência vascular. Problemas de memória Em um estudo publicado na revista "Neurology", pesquisadores estudaram 650 pessoas sem histórico de demência, em busca de evidências da interrupção do abastecimento no cérebro dos participantes por meio de ressonância magnética. Pequenas porções de tecido morto foram encontradas em mais de 170 participantes devido à falta de suprimento de sangue, embora apenas 66 deles tenham relatado sintomas de derrame. Todos os pacientes que apresentaram danos tinham dificuldades de memória e em processos cognitivos. Esses problemas ocorreram independentemente da perda de memória associada à idade. Como as mulheres vivem mais, elas são mais vulneráveis ao infarto cerebral. Os médicos recomendam que elas passem por exames para avaliar fatores de risco para doenças cerebrovasculares. Prevenção A demência vascular não pode ser revertida. Como uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada não é acessível para todos, há coisas que podem ser feitas para reduzir os fatores de risco. O principal fator, diz a neurologista Cristina Koppel, é a hipertensão — "a primeira, a segunda e a terceira coisa que buscamos controlar." O colesterol e o diabetes também são monitorados, sendo aconselhável reduzir a ingestão de sal, ter uma alimentação saudável, praticar exercícios e não fumar. "Com a idade é preciso prestar mais atenção a esses fatores", alerta a neurologista. "(Problemas de saúde como esses) São coisas que vão acontecer com todos nós em um grau ou outro." O que você pode fazer para evitar a perda de funções pelo infarto silencioso: Controlar a hipertensão com acompanhamento rotineiro e tratamento medicamentoso Limitar o consumo de sal a menos de 6 gramas por dia Manter níveis baixos de colesterol LDL Não fumar Controlar o peso e manter o índice de massa corporal (IMC) entre 19 e 25 Consumir pelo menos 200 gramas de fruta e 300 gramas de vegetais ao dia Praticar esportes ou caminhar em bom ritmo por 30 minutos, cinco dias na semana Veja mais vídeos de Viva Você
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13/04 - 'UTIs improvisadas aumentam mortes por covid-19 no Brasil', alerta médico intensivista
Com sobrecarga e falta de profissionais, até 80% dos intubados não sobrevivem. Para Associação de Medicina Intensiva Brasileira, abrir leitos não pode ser única resposta à pandemia e custa mais que auxílio emergencial. Paciente com Covid-19 tem máscara de oxigênio ajustada em UTI de hospital em São Paulo em 8 de abril de 2021 Amanda Perobelli/Reuters No segundo país do mundo com mais mortes em consequência da covid-19, a abertura de novos leitos de unidade de tratamento intensivo (UTI) não acompanha o número de vítimas graves. Com a alta no número de hospitalizações no Brasil desde o início do ano, e a média móvel de mortes batendo recordes semana após semana, formou-se um fila de espera por leito em diversos estados. Mais de 355 mil brasileiros não resistiram à espera e morreram. Quase 500 pessoas com Covid-19 morreram à espera de um leito de UTI em março no estado de SP Mais de mil pessoas esperam por leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 no Ceará Apesar do aumento surpreendente de vagas em UTIs desde dezembro último, o Brasil já extrapolou seu limite em termos de criação de leitos adequados há muito tempo, avalia a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). Um indicador seria a taxa de mortalidade observada nas UTIs: até 80% dos pacientes intubados não sobrevivem, adverte Ederlon Rezende, do conselho consultivo e coordenador do Projeto UTIs Brasileiras da Amib. Além das jornadas extenuantes dos trabalhadores indispensáveis na terapia intensiva, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas, a situação de colapso é agravada pela falta de profissionais disponíveis no mercado para ocupar as novas vagas. Para Rezende, a abertura desmedida de leitos de UTI é feita de forma improvisada. "E UTI não aceita improviso", ressalta. Em entrevista à DW Brasil, o médico representante da Amib critica a abertura de leitos como política única de enfrentamento da pandemia. "Quando se faz isso, não há uma preocupação com o resultado, em salvar vidas, mas em colocar as pessoas para dentro, dizer que elas tiveram acesso ao sistema", afirma. "Se há mais leitos, mesmo quando há aumento do número de casos, de internações, de óbitos, a taxa de ocupação cai por um cálculo matemático. Logo, diz-se para a população que é possível continuar a vida normal. E isso tem sido muito ruim", diz. Até que outras medidas de combate à pandemia sejam adotas, o sistema de saúde vai continuar sob pressão. "Eu torço muito para eu estar enganado e para que aconteça uma mudança", diz. DW Brasil: O aumento de leitos de UTI tem sido tratado como solução para enfrentar o cenário crítico atual da pandemia no Brasil. É viável seguir abrindo UTIs ou o país já atingiu o limite? Ederlon Rezende: Já atingimos o limite há muito tempo. Quando se está diante de uma pandemia, o objetivo central é salvar vidas. Para conseguir isso, há dois caminhos basicamente: aumentar a capacidade do sistema do saúde e controlar a curva de crescimento de casos. Essas ações visam evitar o colapso do sistema. No Brasil, tivemos um aumento do numero de leitos de UTIs surpreendente. O país é um dos países do mundo que mais têm leitos de UTI per capita. [Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), eram 45.848 leitos antes da pandemia. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferecia 22.844, e a rede privada, 23.004]. Só que eles são mal distribuídos do ponto de vista social e regional. Há uma maior disponibilidade de leitos para uma pequena parcela da população, 25%, que dispõe de um seguro saúde. Esses 25% contam com metade desses leitos. A outra metade é para os 75% que utilizam o SUS. Em termos regionais, há uma maior concentração no Sul e Sudeste; e uma carência muito mais marcante no Norte e Nordeste. Estados sofrem com a falta de médicos, muitos contaminados e outros afastados por exaustão Falta de profissionais inviabiliza abertura de leitos em BH: 'Estamos trabalhando no limite', diz médica intensivista Falta de médicos dificulta a oferta de leitos em alguns estados Nós conseguimos aumentar leitos de uma maneira extraordinária. Mas fizemos diferente de outros países, onde a estratégia inicial foi aumentar a capacidade do sistema e, no momento seguinte, conter o número de casos enquanto a taxa de vacinação não atingir uma taxa adequada. E para isso só tem uma caminho: paralisação da circulação das pessoas para conter a disseminação do vírus. No nosso país, isso nunca aconteceu. Pelo contrário: "descobriu-se" que quando há mais leitos, a taxa de ocupação cai. Isso é claro, se há mais leitos, mesmo quando há aumento do número de casos, de internações, de óbitos, a taxa de ocupação cai por um cálculo matemático. Logo, diz-se para a população que é possível continuar a vida normal. E isso tem sido muito ruim. Quando se abrem leitos de UTI desmedidamente, isso é feito de maneira improvisada. E UTI não aceita improviso. É preciso uma boa equipe, bem treinada, bem capacitada, além da estrutura adequada. Abrir leitos de maneira improvisada faz com que os resultados não sejam os mesmos de quando os limites da capacidade são respeitados. Como se sabe que os limites foram ultrapassados? Na UTI, o resultado está muito relacionado aos recursos humanos, à qualidade do trabalho de equipe, ao quanto essa equipe consegue realizar seus processos com precisão e segurança. Na hora em que se começa a sobrecarregar essa equipe, ou improvisar com profissionais que não são adequadamente treinados e qualificados, os resultados são ruins. Quando se começa a obter informações de que dados indicam que até 80% dos pacientes submetidos à ventilação mecânica morrem, isso, além da gravidade da doença, está relacionado à sobrecarga do sistema, ao colapso. Pelos dados que temos, podemos acompanhar que no último trimestre houve aumento de mortalidade em todas as regiões do país. Isso mostra claramente o colapso do sistema. Estoque de medicamentos usados para intubar pacientes está perto do fim em hospitais do Paraná Quer dizer que o aumento da mortalidade dos pacientes com covid-19 não está relacionado apenas à gravidade da doença, mas reflete também as condições das UTIs? A gravidade da doença é um fator importante. Mas estudos feitos no momento em que o sistema estava colapsado, como no estado de Nova York, mostraram uma mortalidade de 82%; em Londres, também foram mostrados índices dessa magnitude; assim como em Milão. No Brasil, temos dados que mostram que em UTIs que conseguem funcionar com um grau de organização, dentro do que se espera de uma boa UTI, os resultados são muito diferentes. As taxas de mortalidade, apesar da gravidade da doença, são bem menores. Giram em torno de 50%, e não dos 80% que têm sido mostrados como média nos dados da Fiocruz, que são levantados diretamente do Sivep-Gripe (Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe). De quanto foi o aumento dos leitos nesses meses de pandemia? O aumento do número de leitos tem sido muito dinâmico. Todo dia, a gente vê uma declaração de que esse número foi aumentado. No primeiro ano de pandemia, houve uma corrida de abertura de leitos que começou em março de 2020. Chegamos a agosto com aumento de mais de 50%. Depois que passou a primeira onda, muitos desses leitos foram fechados, e retomamos essa abertura de novos leitos a partir do fim do ano passado. De novo, atingimos aumentos ainda maiores, de cerca de 65%. Para se ter uma ideia, na França, onde a população é de 67 milhões, existem 5.500 leitos de UTI para tratamento de covid. No estado de São Paulo, com 44 milhões de habitantes, existem 13 mil leitos. É claro que São Paulo não tem mais profissionais que atuam em terapia intensiva que a França. É claro que há uma grande quantidade de profissionais que não são adequadamente qualificados para atuarem nas UTIs [em São Paulo]. Não sou contra a abertura de leitos. É indigno as pessoas morrerem na rua sem terem acesso ao sistema de saúde. O problema todo por trás disso é usar a abertura de leitos como política única de enfrentamento da pandemia. Quando se faz isso, não há uma preocupação com o resultado, em salvar vidas, mas em colocar as pessoas pra dentro, dizer que elas tiveram acesso ao sistema. O país abre leitos sem que existam suficientes profissionais qualificados para lidar com a complexidade da doença nas UTIs? Na primeira onda, a dificuldade foi a aquisição dos equipamentos, principalmente os de ventilação mecânica. Hoje isso não é mais problema, até porque o Brasil talvez seja ainda o único país do mundo que continua com essa ideia de abrir leitos de UTI. Nesse momento, o problema maior é a falta de profissionais. Recentemente, no Rio de Janeiro, houve uma promessa do novo ministro [da Saúde, Marcelo Queiroga], e do governador [interino, Cláudio Castro], de que abririam novos leitos de UTI nos hospitais federais. Mas eles até agora não foram disponibilizados por uma simples razão: ninguém consegue profissionais. No estado de São Paulo, nem os hospitais privados estão conseguindo contratar. Para formar um profissional experiente, que atue numa terapia intensiva, são necessários muitos anos. Falta de médicos dificulta a oferta de leitos em alguns estados É claro que nós, intensivistas, agradecemos muito a ajuda que tivemos de vários profissionais de outras especialidades, dos recém-formados. Graças a eles que está se conseguindo dar conta disso tudo, porque a sobrecarga tem sido muito grande. Mas isso não é ideal, é uma tentativa de se remediar uma situação que foi criada. Sobre a capacidade de abertura de leitos de UTI, quais são as principais diferenças entre o sistema público e os hospitais particulares? As dificuldades são as mesmas? Nesse momento atual da crise, as dificuldades de abertura de leito são enfrentadas pelos sistemas privado e público. Entretanto, o sistema privado tem muito mais facilidade sob o ponto de vista de negociar valores pagos. O sistema público às vezes está atrelado à necessidade de concursos. Por conta disso, o colapso no sistema privado também é menos importante que no público - embora tenhamos visto nas últimas semanas pessoas aguardando na fila para serem internadas em hospitais privados de ponta em São Paulo. Mas nada se compara ao que foi enfrentado pelas pessoas que aguardavam um leito do SUS. Infelizmente, o impacto e o colapso sempre são maiores e mais sentidos pelas pessoas que dependem do sistema público de saúde. A Amib também tem dados sobre disponibilidade de leitos dos hospitais militares? [Uma reportagem recente da Folha de São Paulo mostrou que os hospitais das Forças Armadas têm 85% dos leitos vagos sem atender civis]. Esses leitos estão fora do nosso banco de dados. Temos dados dos leitos registrados no CNES [Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde]. Os hospitais militares também teriam que registrar os seus leitos lá. Mas esses dados, como foi bem anunciado, não têm sido utilizados para atender a população civil, apenas os militares. Diante desse panorama, como o senhor olha para os próximos capítulos da pandemia no país? O sistema deve continuar em colapso? Olho com muita precaução. Em Sao Paulo, há algumas indicações de que o número de internações começaram a diminuir, mas o número de óbitos continua aumentando. Estamos num patamar em que o número de infectados e hospitalizados é muito alto para se achar que a situação esteja sob controle. A minha impressão é de que é muito difícil que as coisas aconteçam de uma maneira diferente se não forem tomadas atitudes. Ou seja, controlar de alguma forma a contaminação das pessoas, quer seja por meio de vacinas - e estamos muito lentos nesse sentido - quer seja por meio de medidas mais austeras de regulamentação da circulação das pessoas. No mundo inteiro foi assim, e não sei o que faz as nossas autoridades acreditarem que no Brasil vai ser diferente. Temos no nosso país uma questão social muito grave. Há uma grande parcela da população que precisa sair de casa para comer o pão de cada dia. Mas é aí que é muito importante o papel do governo de criar condições para que essas pessoas possam ficar em casa. Isso sai muito mais barato do que os bilhões gastos em UTIs com pessoas que chegam morrendo. Ate lá [que essas outras medidas de enfrentamento da pandemia sejam adotadas], o sistema de saúde vai continuar sob pressão. Não tenho nenhuma dúvida, infelizmente. Eu torço muito para eu estar enganado e para que aconteça uma mudança. Vídeos: tudo sobre a vacinação contra Covid no Brasil
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13/04 - Covid: Por que ciência diz que ficar em casa reduz transmissão, ao contrário de tuíte de Eduardo Bolsonaro
O Twitter alertou para possível "publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19". Eduardo Bolsonaro GloboNews O Twitter alertou para possível "publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19" em um post do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre "lockdown" e distanciamento social publicado na segunda-feira (12/04). Eduardo Bolsonaro publicou em seu perfil: "Lockdown é o oposto de distanciamento social. No lockdown as pessoas são condenadas a ficarem confinadas em casa, aumentando a proliferação do vírus". Em seguida, o Twitter colocou um aviso no post: "Este tweet violou as regras do Twitter sobre a divulgação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas ao covid-19. No entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse público que o tweet permaneça acessível". A mensagem de Eduardo Bolsonaro ainda está no ar, mas é preciso entrar no perfil do deputado e clicar no post marcado pelo Twitter para visualizar o que o deputado escreveu. As declarações do deputado vão contra o que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre lockdowns. O coronavírus se espalha sobretudo através de gotículas no ar, quando existe interação próxima entre pessoas. Ao confinar as pessoas em suas casas, o lockdown reduz essas interações e aglomerações, diminuindo a disseminação do vírus. Em diversos países da Europa em que o lockdown foi usado, houve uma drástica redução no número de casos, hospitalizações e mortes. Depois de superar descontrole da Covid com lockdown, Portugal anuncia flexibilização Vacinação e lockdown derrubam drasticamente o número de internações no Reino Unido Três estudos publicados na revista científica The Lancet — um sobre a Itália, um sobre a França e outro sobre o Reino Unido — consideraram que os lockdowns adotados nesses três países forem eficazes para reduzir o número de casos e mortes, bem como de hospitalizações. "Medidas de bloqueio superam restrições menos rigorosas na redução de mortes cumulativas", afirma o estudo sobre o Reino Unido, publicado em dezembro do ano passado. Existe a possibilidade de pessoas infectadas com o vírus contaminarem outras em suas próprias casas. Essa probabilidade é alta, já que dentro do âmbito familiar a proximidade é grande e por vezes a ventilação do ambiente é precária, o que facilita o contágio. No entanto, esse tipo "caseiro" de contágio cai drasticamente durante um lockdown, porque as pessoas estão circulando menos pelas ruas e há menos gente trazendo o vírus para dentro de suas casas. Consequentemente a medida ajuda a conter a pandemia, e não a expandi-la. Evitar 5 mil mortes diárias Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que um lockdown semelhante ao adotado em outras grandes democracias ao redor do mundo, como ocorre na Europa, é um caminho-chave para que o Brasil consiga evitar alcançar a marca de 5.000 mortes diárias pelo coronavírus. 'É emblemática a situação de Araraquara, foi um laboratório em tempo real', diz médico sobre impacto do lockdown Em 19 de maio de 2020, o país atingiu pela primeira vez a marca das mil mortes diárias. Dez meses depois, o país alcançou a casa de 2.000 óbitos por dia. Em apenas três semanas, este número saltou para 3 mil, no início de abril. Cinco dias depois, em 06/04, um novo recorde entrava para a história da pandemia: o país perdia em 24 horas um total de 4.165 pessoas para a infecção pelo coronavírus. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, não há forma de sair da crise sem um lockdown nacional de, no mínimo, três semanas. Eles explicam que, com menos circulação nas ruas, o coronavírus encontra menos pessoas vulneráveis para infectar. Pessoas que saem de casa, pegam transporte público e circulam por comércios acabam tendo proximidade com centenas de outras pessoas. Elas, assim, têm mais chance de encontrar alguém doente e contrair o vírus - esse processo de deslocamentos e interações é chamado por cientistas de cadeia de transmissão da doença. O lockdown quebra as tais cadeias de transmissão e impede que ela se espalhe em progressão geométrica em condomínios, ruas, bairros ou cidades inteiras. Para derrubar as cadeias de transmissão, os epidemiologistas calculam que seria necessário manter cerca de 70% dos brasileiros dentro de casa durante a vigência do lockdown. "Nesse sentido, a circulação só estaria liberada para trabalhadores essenciais de verdade, como aqueles que integram os serviços de saúde e a cadeia produtiva de alimentação", explica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo. Custos e benefícios A OMS diz o contrário do que fala Eduardo Bolsonaro: a entidade afirma que o lockdown pode ser eficiente em retardar a transmissão do coronavírus. O objetivo do lockdown é reduzir o ritmo de reprodução do coronavírus, conhecido como "R". Quando o índice "R" está acima de 1, a pandemia está se expandindo; quando ele fica abaixo de 1, ela está diminuindo. O lockdown foi utilizado por diversos países em momentos em que o "R" estava muito acima de 1. Mas a OMS recomenda cautela aos governos que optarem por adotá-la, devido ao impacto que as restrições podem ter na saúde mental das pessoas. "Medidas de distanciamento físico em grande escala e restrições de movimento, muitas vezes referidas como lockdowns, podem retardar a transmissão da covid-19, limitando o contato entre as pessoas", afirmou a OMS em uma sessão de perguntas e respostas publicada no seu site em 31 de dezembro de 2020. A entidade recomenda que cada autoridade de saúde pese os benefícios e custos do lockdown de acordo com sua situação particular. "No entanto, essas medidas podem ter um impacto negativo profundo sobre os indivíduos, comunidades e sociedades, ao trazer a vida social e econômica quase a uma paralisação. Essas medidas afetam desproporcionalmente os grupos desfavorecidos, incluindo pessoas em situação de pobreza, migrantes, pessoas deslocadas internamente e refugiados, que na maioria das vezes vivem em locais superlotados e com poucos recursos, e dependem do trabalho diário para sua subsistência", diz a entidade. "A OMS reconhece que, em certos pontos, alguns países não tiveram escolha a não ser emitir pedidos de permanência em casa e outras medidas para ganhar tempo." "Os governos devem aproveitar ao máximo o tempo extra concedido pelas medidas de lockdown, fazendo tudo o que puderem para desenvolver suas capacidades de detectar, isolar, testar e cuidar de todos os casos; rastrear e colocar em quarentena todos os contatos; engajar, capacitar e permitir que as populações impulsionem a resposta da sociedade e muito mais." "A OMS espera que os países usem intervenções direcionadas onde e quando necessário, com base na situação local." A OMS também não usa o termo "distanciamento social", publicado por Eduardo Bolsonaro. A entidade prefere adotar o termo "distanciamento físico", já que a entidade ressalta que é importante que as pessoas continuem socialmente conectadas, ainda que fisicamente distantes, para evitar a disseminação do vírus. A polêmica em torno do lockdown gira em torno da sua eficácia e dos seus custos para a população. Em outubro, milhares de pesquisadores e profissionais de saúde assinaram uma carta conhecida como Declaração de Great Barrington. O grupo pede que as políticas de lockdown se concentrem nos mais vulneráveis, permitindo que pessoas saudáveis sigam suas vidas com mais normalidade. Eles defendem que manter políticas de restrição rigorosas até que uma vacina esteja disponível causaria "danos irreparáveis, com os menos privilegiados sendo desproporcionalmente prejudicados". Mas muitos cientistas e autoridades de saúde acreditam que o lockdown é essencial para conter a pandemia. Um estudo do governo britânico indicou que o número "R" caiu para 0,6 após o primeiro lockdown em abril do ano passado. Ou seja, ao final do lockdown, cada mil pessoas infectadas estavam transmitindo o vírus para outras 600, que o transmitiam para outras 360 e assim por diante — diminuindo o tamanho da pandemia. No Brasil, restrições vem sendo adotadas por governadores e prefeitos para conter a disseminação do vírus. Diversos Estados adotaram um sistema de semáforo, com restrições maiores em lugares mais gravemente atingidos pela pandemia. Mas o governo federal é contra qualquer tipo de lockdown. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se manifestou contra a medida neste mês. "Eu pergunto a você: 'Quem quer lockdown?'. Ninguém quer lockdown. O que nós temos do ponto de vista prático é adotar medidas sanitárias eficientes que evitem lockdown, até porque a população não adere a lockdown." Vídeos: tudo sobre a vacinação contra a Covid no Brasil
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13/04 - OMS pede suspensão da venda de mamíferos selvagens vivos em mercados
Animais são a fonte de mais de 70% das novas doenças infecciosas em humanos, dizem organizações internacionais. Mercado em Wuhan pode ter sido a origem do coronavírus. Sede da OMS em Genebra Fabrice Coffrini/AFP A OMS (Organização Mundial da Saúde) e outras organizações internacionais pediram nesta terça-feira (13) a suspensão da venda de mamíferos selvagens vivos nos mercados de alimentos, no mundo inteiro, devido aos riscos de transmissão de novas doenças infecciosas para os seres humanos. "Os animais, em particular os animais selvagens, são a fonte de mais de 70% de todas as novas enfermidades infecciosas nos humanos, muitas delas provocadas por novos vírus", destacam em um comunicado a OMS, a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e o Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em inglês). A transmissão do novo coronavírus a partir de animais selvagens é uma das principais hipóteses de especialistas da OMS que buscaram a origem da pandemia. Em relatório sobre a origem do vírus, os especialistas destacaram que um mercado em Wuhan (cidade chinesa em que foram registrados os primeiros casos de Covid-19) parece ter sido um dos pontos mais importantes do início da pandemia. Desde então, o vírus se propagou e já causou quase 3 milhões de mortes em todo o mundo. Estados Unidos e Brasil, os dois países com mais vítimas, concentram 31% dos óbitos. Origem do coronavírus: de morcegos a laboratório, veja as conclusões da investigação da OMS na China Além da suspensão das vendas, as organizações internacionais pedem a melhora em normas de higiene e saneamento nos mercados tradicionais para reduzir tanto a transmissão do animal para o ser humano como o contágio entre comerciantes e clientes. Elas também recomendam normas para controlar a criação e a venda de animais selvagens nos mercados para o consumo humano. As organizações solicitam ainda que os inspetores veterinários sejam treinados para aplicar as novas normas, assim como o reforço dos sistemas de vigilância para detectar rapidamente novos patógenos e planejar campanhas de informação e conscientização para comerciantes e clientes. VÍDEOS: os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
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13/04 - Em 12 dias, abril ultrapassa julho e tem o segundo maior número de mortes no Brasil desde o início da pandemia
Foram 33.145 mortes registradas até esta segunda-feira, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa com as secretarias estaduais de Saúde. Funcionário carrega caixão em fábrica em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, no dia 12 de abril, em meio à pandemia de Covid-19. Pilar Olivares/Reuters Em apenas 12 dias, abril já se tornou o mês com o segundo maior número de mortes por Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia: já são 33.145 mortes registradas neste mês, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Até esta segunda-feira (12), o segundo pior mês da pandemia em número de mortes era julho de 2020, quando 32.912 pessoas perderam a vida para a doença (veja gráfico abaixo). Infográfico mostra que, em 12 dias, número de mortes por Covid-19 em abril ultrapassou o visto em todo o mês de julho de 2020. Arte/G1 Se o total de mortes de julho for dividido pelo número de dias do mês, houve, em média, 1.602 mortes por Covid por dia naquele mês. Usando o mesmo cálculo para abril, em comparação, este mês já tem uma média de 2.762 mortes diárias registradas pela doença. A data de julho com mais mortes foi o dia 29, quando 1.554 vidas foram perdidas para a Covid. Em abril, o maior número foi visto no dia 6, quando 4.211 mortes foram registradas, quase três vezes mais. Ao todo, o Brasil já registrou mais de 355 mil óbitos por Covid-19. Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o alto número de mortes de abril reflete a alta nos casos vista no mês passado, principalmente nas duas últimas semanas de março. "Nós sabíamos que, em abril, iríamos ainda manter esses números altos de internação, pressão por leito de UTI e óbito", explica. 66.868 DESPEDIDAS: Brasil termina pior mês da pandemia com recorde de mortes em dois terços do país Ela também acredita que os números altos de mortes devem se manter em abril, justamente por causa da grande quantidade de novos casos ainda vistos todos os dias no país. "Nós ainda estamos mantendo muitos casos novos todos os dias, o que indica que, no mês de abril , nós ainda teremos muitos casos, muita pressão por leito de internação, e, ainda, muitos óbitos", afirma Maciel. O dado referente às mortes de abril foi calculado somando-se as mortes diárias vistas em abril desde o dia 1º até o dia 12. Os números de mortes em 2021 foram determinados da mesma forma; os dos meses de 2020 foram calculados com uma metodologia um pouco diferente, mas cujo resultado é o mesmo (veja mais ao final da reportagem). O vídeo abaixo, de quando o Brasil chegou à marca de 300 mil mortos por Covid-19, em 24 de março, conta a história de pessoas que perderam familiares para a doença. 'Perdi quase todos para a Covid': o relato de quem teve a família destroçada pela doença Estados Em março, 18 das 27 unidades federativas do país tiveram recordes de mortes pela Covid-19. Neste mês, ainda não há recordes nos estados, mas 10 deles já tiveram mais de mil mortes pela doença em apenas 12 dias: Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Ethel Maciel lembra, novamente, que não houve uma coordenação nacional de combate à pandemia, e cada estado adotou suas próprias medidas restritivas para conter a disseminação do vírus. "Cada estado está fazendo de uma forma as suas medidas. Inclusive nós estamos vendo os estados, nesta semana, flexibilizando várias atividades. Então vamos esperar ainda dias difíceis em abril", avalia. BA: Decreto do governo libera realização de eventos com público de até 50 pessoas DF: Decreto flexibiliza medidas de restrição e amplia funcionamento de bares e restaurantes A professora da Ufes também avalia que medidas mais restritivas são necessárias para conter a disseminação do vírus. "A gente precisaria de medidas mais restritivas de circulação e uma vacinação mais rápida para que diminuísse essa transmissão, o número de pessoas doentes. Um percentual delas sempre vai precisar de internação em enfermaria e UTI. Nós estamos, neste momento, ainda com uma pressão muito grande no sistema de saúde e, ainda, muitos casos novos todos os dias, que vai indicar ainda um abril muito difícil", afirma Maciel. Metodologia Os números de mortes mensais de março a dezembro de 2020 foram determinados subtraindo-se o total de mortes visto no último dia de um mês do total de mortes visto no último dia do mês seguinte (por exemplo: total de mortes em 31 de agosto - total de mortes em 31 de julho = total de mortes em agosto). Já os números mensais de mortes vistos nos meses de 2021 foram calculados somando-se as mortes diárias vistas desde o dia 1º até o último dia do mês (ou, no caso de meses ainda não fechados, até o último dia para o qual havia dados disponíveis). O consórcio de veículos de imprensa começou o levantamento conjunto no início de junho. Por isso, os dados mensais de fevereiro a maio são de levantamentos exclusivos do G1. A fonte de ambos os monitoramentos, entretanto, é a mesma: as secretarias estaduais de Saúde. Outra observação sobre os dados é que, no dia 28 de julho do ano passado, o Ministério da Saúde mudou a metodologia de identificação dos casos de Covid e passou a permitir que diagnósticos por imagem (tomografia) fossem notificados. Também ampliou as definições de casos clínicos (aqueles identificados apenas na consulta médica) e incluiu mais possibilidades de testes de Covid. Desde a alteração, mais de mil casos de Covid-19 foram notificados pelas secretarias estaduais de Saúde ao governo federal sob os novos critérios. Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil
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13/04 - Covid: por que ventilar ambientes é mais importante do que limpar compras
A chance de o contato com uma superfície contaminada levar a uma infecção é de 1 em 10 mil, segundo artigo do CDC, dos Estados Unidos. Especialistas vêm destacando desde o ano passado a necessidade maior foco nas condições de ventilação dos ambientes. Lavar as mãos com água e sabão é uma das recomendações para evitar a contaminação pelo coronavírus ivabalk/Pixabay A chance de o contato de uma pessoa com uma superfície contaminada pelo coronavírus resultar em uma infecção é menor que 1 em 10 mil, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência de saúde pública dos Estados Unidos. Contágio pelo ar: especialistas explicam como a Covid é mais transmitida e fazem alerta Como usar a máscara PFF2/N95? Veja respostas para 17 dúvidas sobre o modelo O órgão atualizou neste mês (05/04) as informações sobre transmissão do coronavírus por superfícies e reconheceu que o risco é baixo — uma constatação que alguns pesquisadores vêm apontando desde o ano passado. "É possível que as pessoas sejam infectadas pelo contato com superfícies ou objetos contaminados, mas o risco é geralmente considerado baixo." Segundo o CDC, o risco relativo de transmissão do SARS-CoV-2 por superfície "é considerado baixo em comparação com contato direto, transmissão por gotículas ou transmissão aérea". O risco de contágio pelo ar varia muito, dependendo de fatores como quantidade de pessoas, ventilação, tempo de exposição e uso de máscaras adequadas. Veja os graus de risco de contágio em atividades cotidianas, segundo a Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês). A atualização da agência dos EUA é o mais recente episódio do debate sobre o grau de importância dado à higienização de superfícies durante a pandemia, em comparação a outras medidas preventivas. Em 2020, ao mesmo tempo em que o coronavírus começou a se espalhar, o hábito de lavar todas as embalagens logo depois de fazer as compras no mercado se popularizou. A orientação de limpeza dos produtos reflete a tentativa de evitar a contaminação quando alguém toca uma área ou objeto contaminados e depois leva a mão ao rosto. No entanto, conforme os cientistas foram conhecendo melhor o comportamento do vírus, muitos especialistas começaram, ainda em meados de 2020, a alertar sobre o que consideravam um foco exagerado na transmissão por superfície contaminada, enquanto os cuidados com transmissão pelo ar ficavam em segundo plano. Infectologista explica como é feita a transmissão da Covid-19 pelo ar A epidemiologista Adélia Marçal dos Santos, especialista na dinâmica de transmissão de doenças infecciosas e professora de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, diz que "uma coisa que dificultou muito a contenção da doença no mundo inteiro foi a dificuldade de admitir a transmissão aérea do vírus". INFOGRÁFICO - Transmissão por gotículas e por ar BBC Foi em julho de 2020 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que havia evidências de que o coronavírus podia se espalhar por minúsculas partículas suspensas no ar e que a transmissão aérea não podia ser descartada em ambientes lotados, fechados ou mal ventilados. O CDC atualizou em outubro de 2020 suas diretrizes sobre os tipos de transmissão do coronavírus e passou a incluir os aerossóis, considerando que a transmissão pode ocorrer pelo ar. Esse entendimento é importante, segundo os especialistas, exatamente para destacar a importância de evitar locais com ventilação ruim ou com muitas pessoas aglomeradas. No Brasil, a página do Ministério da Saúde atualizada em abril de 2021 menciona, sem entrar em muitos detalhes, que o coronavírus "é transmitido principalmente por três modos: contato, gotículas ou por aerossol". 'Teatro da higiene' A expressão teatro da higiene (usada primeiro em inglês: hygiene theater) virou o símbolo das situações em que medidas insuficientes ou ineficazes dão uma falsa sensação de segurança em relação ao combate ao coronavírus. O termo foi usado em um artigo do jornalista Derek Thompson, na revista The Atlantic, em julho de 2020, no qual o autor argumenta que "o teatro de higiene pode retirar recursos limitados de objetivos mais importantes". A matéria descreve ações como a simples limpeza de cardápios em restaurantes e a desinfecção de assentos e paredes no metrô de Nova York. Imagine um estabelecimento com funcionários fazendo a desinfecção de superfícies com alguma frequência, mas sem medida alguma para garantir uma boa ventilação do local ou para exigir o uso de máscaras apropriadas. Essa é a descrição de uma situação que poderia dar a falsa sensação de segurança, segundo o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do grupo de pesquisadores Observatório Covid-19 BR. "O teatro da higiene é o ato de desinfetar tudo o tempo todo. Porque é algo mais concreto, visual... Vemos que algo está sendo feito e isso nos dá uma falsa sensação de conforto e de segurança", diz Mori. O que ele recomenda, no entanto (depois da dica número um, que é "fique em casa o máximo que conseguir"), é que as pessoas prestem mais atenção em medidas como: priorizar ambientes ao ar livre (ou com a maior ventilação possível), fazer distanciamento físico e usar boas máscaras, bem ajustadas ao rosto. Se por um lado Santos diz que pode haver menos preocupação com cartas, jornais e outras superfícies, ela reforça que a recomendação de lavar as mãos continua valendo, é claro — não só devido à covid-19, mas para evitar outras infecções. "A higienização das mãos e de produtos que serão tocados durante preparo e ingestão de alimentos deve ser mantida. Isso o protege da covid e de diversas doenças infecciosas. Mas não é suficiente para impedir a transmissão da covid", diz. A médica aponta que o investimento em melhoria da ventilação de estabelecimentos geralmente é alto e diz que "ninguém quer falar sobre isso". "Trabalhadores estão convivendo em espaços que nunca cuidaram da segurança respiratória. A adaptação é cara — a não ser que tenhamos inovações, o que é possível — e poucas empresas terão condições (de fazer o investimento) após o impacto da própria pandemia", diz. A OMS divulgou neste ano um documento com indicação de estratégias para melhorar a ventilação de ambientes internos e reduzir riscos de transmissão do coronavírus. O arquivo (em inglês) traz recomendações técnicas relativas à ventilação mecânica e natural e aponta que algumas recomendações devem ser avaliadas em consulta com profissionais da área de aquecimento, ventilação e ar condicionado (HVAC, na sigla em inglês). Ao divulgar esse roteiro técnico, a OMS reforçou que a chance de contrair covid-19 é maior em ambientes cheios e espaços sem ventilação adequada onde as pessoas passam longos períodos de tempo próximas umas das outras. "Esses ambientes são onde o vírus parece se espalhar por gotículas respiratórias ou aerossóis de forma mais eficiente, por isso, tomar precauções é ainda mais importante." VÍDEOS: Mais vistos do G1 nos últimos dias
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13/04 - Agências dos EUA recomendam pausa na aplicação da vacina da Johnson após 6 casos de coágulos em 7 milhões de doses aplicadas
Os casos de coágulos representam apenas 0,0000008824% das doses aplicadas; recomendação de pausa é da FDA e do CDC. Vacina já foi aprovada pela Anvisa, mas ainda NÃO é usada no Brasil. Que vacina é essa? Janssen (Johnson&Johnson) Duas agências federais americanas, a FDA e o CDC, recomendaram, nesta terça-feira (13), que a aplicação da vacina da Johnson contra a Covid-19 seja pausada no país depois de 6 casos de coágulos raros em pacientes que receberam o imunizante. Ao todo, 6,8 milhões de doses da vacina já foram dadas nos Estados Unidos; os casos de coágulos representam apenas 0,0000882353% das doses aplicadas, ou menos de um caso de coágulo a cada um milhão de doses aplicadas (veja detalhes mais abaixo). A vacina da Johnson é a única aplicada em uma única dose. Ela também já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada no Brasil (veja detalhes mais abaixo), mas ainda não está sendo aplicada no país. Todos os 6 casos ocorreram em mulheres com idades entre 18 e 48 anos, e os sintomas ocorreram de 6 a 13 dias após a vacinação. Em uma publicação na rede social Twitter, a FDA (sigla para Food and Drug Administration, espécie de Anvisa americana) informou que a pausa estava sendo recomendada "por excesso de cuidado", e que a agência e o CDC estão revisando informações sobre os casos. O tipo de coágulo detectado foi uma trombose do seio venoso cerebral, que ocorreu em combinação com baixos níveis de plaquetas sanguíneas. A trombose do seio venoso cerebral ocorre quando um coágulo de sangue se forma nos seios venosos do cérebro, impedindo que o sangue seja drenado do órgão. Como resultado, as células sanguíneas podem se romper e vazar sangue para os tecidos cerebrais, formando uma hemorragia. "No momento, esses eventos adversos parecem ser extremamente raros", afirmou a FDA. "O tratamento desse tipo específico de coágulo sanguíneo é diferente do tratamento que normalmente é administrado." Normalmente, o tratamento de coágulos é feito com heparina, um anticoagulante, mas, no caso da trombose do seio venoso cerebral, a substância pode ser perigosa, segundo a FDA. Por isso, outras formas de tratamento são adotadas. Análise Segundo a FDA, o CDC (sigla em inglês para Centro de Controle de Doenças) irá convocar uma reunião do Comitê Consultivo em Práticas de Imunização na quarta-feira (14) para analisar os casos de coágulos e avaliar a importância deles. A FDA vai revisar essa análise, pois também investiga os casos. "Até que esse processo seja concluído, recomendamos esta pausa. Isso é importante para garantir que a comunidade de profissionais de saúde esteja ciente do potencial para esses eventos adversos e possa se planejar, devido ao tratamento exclusivo necessário para este tipo de coágulo sanguíneo", afirmou a FDA. A pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o monitoramento de segurança de qualquer vacina, seja ou não da Covid, continua mesmo depois que ela é aprovada. Essa etapa, diferente das três fases de ensaios clínicos, não tem data para terminar. Além disso, à medida que mais pessoas são vacinadas em campanhas em massa, os eventos adversos raros – como é o caso do coágulo – têm maior chance de aparecer, mas continuam sendo raros. A ocorrência desses coágulos, diz Ballallai, não configura uma contraindicação à vacina, mas uma precaução. "A vacinação é custo-benefício: o risco de você ter uma trombose relacionada à vacina é muito pequeno, como mostram os números, e o benefício de você se vacinar contra uma doença que, aqui no Brasil, temos a pior fase da pandemia, com mais de 350 mil mortos", lembra a vice-presidente da SBIm. A vacina da Johnson é a que começou a ser aplicada mais recentemente nos Estados Unidos. Além dela, o país também aplica as vacinas da Pfizer e da Moderna. Não houve preocupações de segurança significativas sobre as duas vacinas. Aprovação no Brasil A vacina da Johnson foi aprovada pela Anvisa para uso emergencial no Brasil no dia 31 de março. O Ministério da Saúde adquiriu 38 milhões de doses, com entregas previstas para o segundo semestre. A vacina é a única que, quando disponível no país, será aplicada em apenas uma dose. Até agora, as vacinas usadas no país – CoronaVac e a de Oxford – precisam ser dadas em duas doses. A da Pfizer, que já foi aprovada pela Anvisa mas ainda não está disponível, também é aplicada assim. A vacina também já foi aprovada para uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 00:00 / 26:11 Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil: v
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13/04 - Eutanásia: “não se trata de algo banal, nem de um novo normal”, diz professor holandês
Carlo Leget defende que, no país, procedimento não é um direito do paciente, nem um dever do médico No domingo, a coluna abordou a visão de Diane E. Meier, diretora do Centro Avançado de Cuidados Paliativos do Hospital Mount Sinai, em Nova York, que criticava o crescente apoio ao suicídio assistido. No mesmo seminário, promovido pelo Centro Acadêmico de Medicina de Lisboa, Carlo Leget, professor de ética da Universidade de Estudos Humanistas, em Utrecht, disse que, na Holanda, há uma busca do equilíbrio entre autonomia e compaixão. “Os países têm culturas diferentes e preferimos tratar com transparência assuntos polêmicos como aborto, prostituição e drogas. Temos uma cultura não hierárquica, de autonomia, e também secular: menos de 14% acreditam em algum Deus. Portanto, é preciso levar em conta a sociedade, suas práticas e lei”, explicou. Com uma população de 17.5 milhões de pessoas, a Holanda teve 6.361 casos de eutanásia ou suicídio assistido em 2019. Mais de cinco mil procedimentos ocorreram em casa. Desses, mais de quatro mil eram de pacientes em estágio avançado de câncer e 3.700 estavam entre os 70 e 90 anos. A lei, aprovada em 2001, foi precedida de muito debate, segundo Leget: “tivemos que discutir abertamente o que já acontecia, apelos de pacientes para que seus médicos os ajudassem a morrer através de uma sedação terminal”. Ele afirmou que a eutanásia não é um direito do paciente, nem um dever do médico: “cerca de 10% dos profissionais se recusam a praticá-la e até os fazem descrevem o procedimento como impactante em suas vidas. Não se trata de algo banal e corriqueiro, nem de um novo normal”. Carlo Leget, professor de ética da Universidade de Estudos Humanistas, em Utrecht, na Holanda Divulgação Há critérios a serem observados para que a solicitação seja atendida, por isso Leget ressalta de que não há garantia de que o pedido será acolhido. O protocolo lista um quadro de sofrimento insuportável e sem possibilidade de melhora; o fato de o médico estar convencido de que não há outra solução razoável; além da necessidade e o paciente ser avaliado por pelo menos mais profissional. “Toma tempo e requer reflexão. Pacientes e médicos têm seus próprios sentimentos sobre a hora certa e mesmo o melhor cuidado paliativo não exclui esse tipo de desejo, mas ninguém deve ser ‘empurrado’ para a eutanásia por problemas financeiros, falta de seguro saúde ou de recursos para cuidados paliativos”, enfatizou.
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13/04 - Leite materno produzido por mães vacinadas tem anticorpos contra a Covid-19, diz estudo
Para pesquisadores, resultado sugere que anticorpos presentes no alimento podem ajudar a proteger bebês contra a Covid, mas a eficácia na proteção dos recém-nascidos depende de mais estudos. Pesquisa foi feita apenas com vacina Pfizer/BioNTech. Pesquisadores identificam anticorpos contra a Covid-19 no leite maerno de mulheres que foram vacinadas Breno Esaki/Agência Saúde Dois anticorpos específicos contra o novo coronavírus (IgA e o IgG) foram identificados no leite materno produzido por mulheres que receberam a vacina, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista científica americana "The Journal of the American Medical Association (JAMA)". Covid-19: Os sinais otimistas da segurança das vacinas em crianças, grávidas e mães que amamentam Bebê nasce com anticorpos contra a Covid-19 após mãe ser vacinada, aponta estudo preliminar Os pesquisadores avaliam que o leite materno pode ser uma fonte de anticorpos contra a Covid-19 para os recém-nascidos, embora essa conclusão dependa de novos estudos específicos. A pesquisa ainda não permite concluir que bebês que tomem do leite materno com anticorpos fiquem, de fato, protegidos contra a Covid-19 (leia mais ao final da reportagem). “Os anticorpos encontrados no leite materno dessas mulheres mostraram fortes efeitos neutralizantes, sugerindo um potencial efeito protetor contra infecção em bebês”, afirmam os cientistas no artigo sobre a pesquisa. Para chegar aos resultados que confirmaram a presença dos anticorpos no leite, os pesquisadores acompanharam um grupo de 84 mulheres em Israel entre 23 de dezembro de 2020 e 15 de janeiro deste ano. Todas as participantes receberam as duas doses do imunizantes fabricado pela Pfizer-Biontech respeitando o intervalo de 21 dias entre as doses. As amostras de leite materno foram colhidas antes e depois da administração da vacina. O vídeo abaixo mostra como funciona a vacina usada no estudo. VÍDEO: Entenda como atua a vacina da Pfizer/BioNTech Após a aplicação do imunizante, os pesquisadores coletaram o leite materno semanalmente durante um período de seis semanas a partir do 14º dia após a primeira dose da vacina. Ao todo, foram colhidas 504 amostras de leite materno. Dentre as amostras colhidas na primeira semana, 61,8% apresentaram anticorpos IgA contra a Covid. Após a segunda dose da vacina, esse percentual sobe para 86,1%. Já no caso do anticorpo IgG, os níveis das células de defesa contra a doença permaneceram baixos durante as três primeiras semanas e foram aumentando a partir da quarta semana, após a segunda dose do imunizante. Entre as semanas 5 e 6, 97% das amostras de leite materno testadas apresentaram o anticorpo. Esse aumento acontece porque a segunda dose da vacina é responsável por estimular o corpo a produzir um número maior de anticorpos, enquanto que a primeira dose ensina o corpo a reagir à doença. O vídeo abaixo ajuda a entender como o coronavírus age no corpo. VÍDEO: Entenda como o coronavírus age no corpo humano Dois tipos de anticorpos A pesquisa investigou dois anticorpos: o IgA e o IgM. Os anticorpos são proteínas do sistema imune e são uma das frentes de defesa do corpo contra doenças. Existem diferenças entre os anticorpos: o IgA, no geral, protege contra infecções de membranas mucosas presentes na boca, vias aéreas e aparelho digestivo. Já o IgG é o principal anticorpo presente no sangue e age dentro dos tecidos para combater infecções. Eficácia nos bebês Os pesquisadores, liderados por Sivan Haia Perl, do Shami Medical Center, apontam que o estudo tem limitações e não permite concluir que bebês estão protegidos contra a Covid por terem recebido anticorpos no leite materno. Eles aponta que não realizaram "nenhum ensaio funcional" para testar a possibilidade, embora estudos anteriores já tenham mostrado capacidade de neutralização dos mesmos anticorpos. Veja mais VÍDEOS sobre a Covid-19
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12/04 - Brasil volta a bater recorde com pior média de mortes por Covid; foram 3.125 óbitos por dia na última semana
País contabilizou 13.521.409 casos e 355.031 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Brasil tem recorde na média móvel de mortes por Covid: 3.125 por dia O país registrou 1.738 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou nesta segunda-feira (12) 355.031 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias bateu um novo recorde e chegou a 3.125. É a pior média móvel de mortes pela doença já registrada, superando o número de 1º de abril (3.119). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +15%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta segunda. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Já são 82 dias seguidos no Brasil com a média móvel de mortes acima da marca de mil; o país completa agora 27 dias com essa média acima dos 2 mil mortos por dia; e já são 17 dias com a média acima da marca de 2,5 mil. Pelo terceiro dia seguido a média de óbitos pela doença aparece acima da casa de 3 mil --algo que ainda não havia sido registrado. Veja a sequência da última semana na média móvel: Evolução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil na última semana, com o recorde registrado nesta segunda (12) Editoria de Arte/G1 Terça (6): 2.775 Quarta (7): 2.744 Quinta (8): 2.818 Sexta (9): 2.938 Sábado (10): 3.025 Domingo (11): 3.109 Segunda (12): 3.125 (recorde) Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 13.521.409 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 38.866 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 71.174 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -6% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Onze estados e o Distrito Federal estão com alta nas mortes: AP, DF, ES, GO, MA, MG, MS, PE, PI, PR, RJ e SP. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 12 de abril Total de mortes: 355.031 Registro de mortes em 24 horas: 1.738 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 3.125 por dia (variação em 14 dias: +15%) Total de casos confirmados: 13.521.409 Registro de casos confirmados em 24 horas: 38.866 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 71.174 por dia (variação em 14 dias: -6%) Estados Subindo (11 estados e o DF): AP, DF, ES, GO, MA, MG, MS, PE, PI, PR, RJ e SP Em estabilidade (11 estados): AC, AL, AM, BA, CE, MT, PA, RN, RR, SE e TO Em queda (4 estados): PB, RO, RS e SC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 deste segunda-feira (12) aponta que 23.847.792 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 11,26% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 7.391.544 pessoas (3,49% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 31.239.336 doses foram aplicadas em todo o país. Variação de mortes por estado Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +42% RS: -25% SC: -16% Sudeste ES: +16% MG: +33% RJ: +59% SP: +22% Centro-Oeste DF: +16% GO: +27% MS: +21% MT: +2% Norte AC: +6% AM: +2% AP: +39% PA: +11% RO: -21% RR: +15% TO: -8% Nordeste AL: +4% BA: 0% CE: +3% MA: +19% PB: -20% PE: +17% PI: +23% RN: +1% SE: +15% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
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12/04 - Variante britânica não aumenta gravidade da Covid nem casos de reinfecção, mas é mais transmissível, sugerem estudos
A variante também não aumentou a chance de ter a 'Covid longa'. Pesquisas anteriores sugeriam que a variante B.1.1.7 também causava doença mais grave além de ser mais transmissível; cientistas apontam necessidade de mais estudos. Pesquisas foram publicadas nesta segunda (12) em revistas do grupo 'Lancet'. Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Reprodução/Visual Science Um estudo publicado nesta segunda-feira (12) sugere que, diferentemente do que outras pesquisas vinham apontando, uma infecção pela variante britânica do coronavírus, a B.1.1.7, não aumenta a gravidade da Covid-19. Uma segunda pesquisa aponta que o surgimento da variante também não aumentou a quantidade de casos de reinfecção pela doença. Ao mesmo tempo, ambos os estudos reforçaram indicações anteriores de que a variante é mais transmissível. As duas pesquisas foram feitas por cientistas britânicos, de equipes separadas, e publicadas em duas revistas do grupo "The Lancet", um dos mais importantes do mundo: a primeira pesquisa, na "The Lancet Infectious Diseases", concluiu que a variante não foi associada a quadros mais graves de Covid e que era mais transmissível; a segunda pesquisa, na "The Lancet Public Health", constatou que os pacientes que foram infectados com o vírus "original", antes do surgimento da B.1.1.7, mantiveram a imunidade para a variante, sem aumento na chance de reinfecção. Também não houve mudanças nos sintomas relatados ou na duração da doença nos pacientes infectados com a B.1.1.7. Sem associação com casos graves Na pesquisa da "The Lancet Infectious Diseases", os pesquisadores, dos hospitais da University College London e da North Middlesex University, no Reino Unido, analisaram amostras do coronavírus retiradas de 341 pacientes internados com Covid entre novembro e dezembro de 2020. Com as amostras, eles também calcularam a quantidade de vírus que cada paciente tinha no corpo (carga viral). Os pacientes infectados com a B.1.1.7 tinham maior carga viral, o que foi associado a uma maior transmissibilidade. Os cientistas perceberam que 36% dos pacientes que tinham sido infectados pela variante britânica tiveram um caso grave ou morreram de Covid-19. Entre os que tinham uma variante que não era a britânica, 38% tiveram um caso grave ou morreram. Os pacientes com a variante tendiam a ser mais jovens, com 55% deles (109 dos 198) com menos de 60 anos. No grupo que não tinha a variante, 40% (57 dos 141) tinha menos de 60 anos. A B.1.1.7 continuou sem associação com um quadro mais grave mesmo depois que os cientistas levaram em consideração a idade dos pacientes. Os pacientes com a B.1.1.7 também não tiveram maior probabilidade de morrer do que pacientes sem ela: enquanto 16% dos pacientes com a B.1.1.7. morreram dentro de 28 dias, 17% sem a variante morreram no mesmo período. As conclusões vão na direção contrária da de outros dois estudos publicados no mês passado, por exemplo, que apontavam que a variante poderia contribuir para uma maior gravidade da doença: Variante britânica do novo coronavírus tem mortalidade mais alta, diz estudo Variante britânica do coronavírus está associada a um risco de morte 61% maior, sugere estudo Os pesquisadores já sabiam que os resultados deles eram diferentes dos anteriores e pontuaram a necessidade de mais estudos que relacionem a variante britânica com a severidade do quadro de Covid. Junto com a pesquisa, a "The Lancet" também divulgou comentários de cientistas não envolvidos com o estudo: Sean Wei Xiang Ong, Barnaby Edward Young e David Chien Lye, do Centro Nacional de Doenças Infecciosas de Singapura, também concordaram com a necessidade de mais pesquisas. "A descoberta de que a infecção da linhagem B.1.1.7 não conferiu risco aumentado de doença grave e mortalidade nesta coorte de alto risco é tranquilizadora, mas requer confirmação adicional em estudos maiores", dizem. Chance de reinfecção não aumentou Já a pesquisa na "The Lancet Public Health" analisou dados de sintomas de quase 37 mil pacientes com Covid no Reino Unido de setembro a dezembro de 2020 – quando a B.1.1.7 começou a circular e ficou mais frequente no país. O estudo concluiu que os pacientes que foram infectados com o vírus "original", antes do surgimento da B.1.1.7, mantiveram a imunidade para a variante, sem aumento na chance de reinfecção. Também não houve mudanças nos sintomas relatados ou na duração da doença nos pacientes infectados com a B.1.1.7. Os dados usados na pesquisa foram relatados pelos próprios usuários em um aplicativo de celular. Os cientistas não tinham como saber com certeza quem estava ou não infectado com a B.1.1.7; por isso, alguns ajustes foram feitos. A proporção de infecções com a variante, por exemplo, foi estimada com o uso de dados de saúde pública e de um banco britânico de códigos genéticos do coronavírus. Com as informações disponíveis, os cientistas constataram que não houve evidência de qualquer mudança nos sintomas apresentados ou na proporção de pessoas que desenvolveram a chamada "Covid longa" (veja vídeo abaixo). VÍDEO: Covid prolongada - sintomas permanecem mesmo depois da cura A partir dos dados, os cientistas também estimaram a frequência de possíveis casos de reinfecção. O critério para definir uma reinfecção foi que o paciente tivesse dois testes positivos com mais de 90 dias de diferença entre eles e um período sem sintomas que durasse mais de 7 dias antes do segundo teste. Eles identificaram que, no período analisado, possíveis reinfecções foram identificadas em 249 de 36.509 usuários que receberam um resultado positivo em um teste de Covid antes de 1º de outubro de 2020. Não houve evidências de que essa frequência foi maior para a B.1.1.7 em relação a outras variantes; os casos de reinfecção foram correlacionados ao aumento geral de casos em uma região. A pesquisa também concluiu que a taxa de transmissão (Rt) da B.1.1.7 era 1,35 vezes mais alta do que a de variantes anteriores, o que indica a maior transmissibilidade. Mesmo assim, a taxa de transmissão caiu quando bloqueios foram feitos, mesmo em regiões que tinham alta proporção de infecções causadas pela variante. A pesquisadora Claire Steves, da King's College London, no Reino Unido, uma das líderes do estudo, reforçou este último ponto. "Confirmamos o aumento da transmissibilidade, mas também mostramos que a B.1.1.7. respondeu claramente às medidas de bloqueio e não parece escapar da imunidade adquirida pela exposição ao vírus original", declarou. Mark Graham, outro líder do estudo também do King’s College, concordou: "de forma tranquilizadora, nossos resultados sugerem que, apesar de ser mais facilmente disseminada, a variante não altera o tipo ou a duração dos sintomas experimentados e acreditamos que as vacinas atuais e as medidas de saúde pública provavelmente permanecerão eficazes contra ela". Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
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12/04 - Entenda ponto a ponto a vacinação em massa contra Covid-19 em Serrana, SP, inédita no país
Cidade imunizou 59,5% de sua população por meio de um estudo clínico do Butantan. Imunidade coletiva é esperada duas semanas após última vacina aplicada. Moradores serão acompanhados por um ano. Serrana (SP) vacina cerca de 60% de seus habitantes contra Covid-19 em estudo clínico do Instituto Butantan Instituto Butantan/Divulgação Após um projeto de vacinação em massa com duração de cerca de três meses, Serrana (SP) imunizou cerca de 60% de seus habitantes contra Covid-19 por meio de um estudo clínico do Instituto Butantan, cujos resultados deverão ser divulgados no próximo mês. A iniciativa, batizada de Projeto S, tem como objetivo analisar a eficácia da CoronaVac contra a transmissão do novo coronavírus e a queda de mortes da doença em uma população inteira. Nesta reportagem, você vai entender, ponto a ponto, alguns detalhes sobre a vacinação: Conheça Serrana Por que Serrana foi escolhida para a vacinação em massa? Quem é responsável pelo estudo? Quais são os resultados esperados? Quais resultados já se tem? Quantas pessoas foram vacinadas? Como se definiu quem receberia a vacina? Quanto tempo durou a vacinação? Quanto tempo vai durar o estudo? O que mudou em Serrana após a vacinação em massa? Produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, CoronaVac é aplicada em massa em moradores de Serrana (SP) Instituto Butantan/Divulgação 1. Conheça Serrana Serrana está localizada a 315 quilômetros de São Paulo (SP). A cidade, cercada por plantações de cana-de-açúcar, tem uma economia baseada na agricultura, com indústrias de usinagem, além da prestação de serviços. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade, calculado com base em taxas da longevidade, renda e índice de escolaridade dos moradores, era de 0,729 em 2010, quando foi realizado o último censo do IBGE. Dados do IBGE de 2018 apontam que a renda média mensal dos trabalhadores formais da cidade é de cerca de três salários mínimos, o que faz o Produto Interno Bruto (PIB) per capta ser de R$ 20.663, o 446º do estado. Ainda segundo o IBGE, a escolarização de crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos – ou seja, formados no ensino fundamental – é de 97,5% na cidade, que tem 18 escolas, entre as unidades de ensino infantil, fundamental e médio. Considerada um marco no Brasil, que ainda registra um ritmo de imunização lento em relação a outros países, o estudo deixa um legado à parte para Serrana, que deu os primeiros passos para uma possível parceria com Israel para a produção conjunta de conhecimento sobre vacinação em massa. Serrana (SP) recebeu vacinação em massa contra Covid-19 em iniciativa inédita no Brasil Vinícius Alves/G1 2. Por que Serrana foi escolhida para vacinação em massa? Serrana foi escolhida para o estudo clínico por ter um baixo número populacional, de 45.644 habitantes, além de estar próxima a Ribeirão Preto (SP), que é referência nacional tanto em saúde pública quanto privada. Outro fator que motivou a escolha foi Serrana ter apresentado dados preocupantes de transmissão do vírus em um inquérito sorológico realizado pelo Instituto Butantan em 2020, que estimou que a cidade tinha 10,6% dos moradores infectados pelo novo coronavírus. Voluntários do Projeto S formam fila em Serrana (SP) EPTV/Reprodução 3. Quem é responsável pelo estudo? O estudo clínico é realizado pelo Instituto Butantan, referência na produção de vacinas e soros, que também se destacou durante a pandemia de Covid-19 por conduzir os testes de eficácia, produzir e distribuir a CoronaVac no país. Além da CoronaVac, o instituto conduz pesquisas para produzir a ButanVac, também contra a Covid-19, cujo pedido para início dos testes clínicos foi feito à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). CoronaVac, vacina contra a Covid-19, em frente à sede do Instituto Butantan em São Paulo Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo 4. Quais são os resultados esperados? Moradores vacinados por intermédio do estudo serão monitorados ao longo de um ano com auxílio de uma inteligência artificial criada com o WhatsApp. O objetivo é continuar a observar a eficácia da CoronaVac. Os resultados poderão trazer diferentes respostas sobre a eficácia da vacina, a depender do perfil das pessoas imunizadas, como idade e locais em que elas vivem, o que pode deixá-las mais ou menos expostas ao vírus. O instituto também quer aproveitar a alta taxa de imunização na cidade, acima de qualquer outra do país, para testar a eficácia da CoronaVac contra variantes, principalmente a do Amazonas, a P.1, que prevalece entre os novos infectados na capital paulista e se tornou a segunda mutação mais detectada nos Estados Unidos. O Butantan quer avaliar, portanto: a eficiência da vacinação na redução de casos de Covid-19 e no controle da epidemia; a eficiência na queda na transmissão do vírus de uma pessoa para outra; o impacto na redução da carga de doença, por meio da ocupação de leitos hospitalares e número de consultas médicas, por exemplo; a adesão da população à vacinação, reações adversas e efeitos indiretos na economia e na circulação de pessoas; testar ferramentas de combate a epidemias, como um aplicativo de controle da vacinação, de acompanhamento de reações, de censo geolocalizado em tempo real, entre outros; a interação da vacina com a variante P.1. 5. Quais resultados já se tem? Por meio do estudo, Serrana aplicou as duas doses da CoronaVac em 59,51% de seus habitantes. Apesar de não associarem impactos à vacinação, profissionais de saúde locais dizem ter percebido sinais de queda nas hospitalizações e na incidência de casos graves da Covid-19. Este é um dos efeitos esperados da vacina. O Instituto Butantan, porém, diz que ainda não é possível tirar conclusões sobre o estudo, já que a resposta imunológica é esperada duas semanas após a aplicação da segunda dose da CoronaVac. VÍDEO: Entenda a vacinação em massa em Serrana (SP) 6. Quantas pessoas foram vacinadas? Entre os 30 mil moradores aptos para serem imunizados, 28.380 se cadastraram, 27.722 receberam a primeira dose da vacina e 27.160 tomaram ambas as doses. A desistência entre a primeira e a segunda dose foi de cerca de 2%, equivalente a 562 pessoas. O público cadastrado, de 28.380 pessoas, equivale a 62,18% dos 45.644 habitantes de Serrana. Subtraídas as abstenções, a vacinação em massa alncançou 59,51% dos moradores. Serrana (SP) conclui neste domingo (11) a vacinação em massa contra Covid-19 Instituto Butantan/Divulgação 7. Como se definiu quem receberia a vacina? Menores de idade, mulheres grávidas ou em amamentação, pessoas com doenças graves e quem teve febre 72 horas antes da vacinação não foram imunizados, por terem ficado de fora dos testes nas fases anteriores dos estudos sobre a CoronaVac. 8. Quanto tempo durou a vacinação? A aplicação começou em 17 de fevereiro e se estendeu até este domingo (11), com a última dose feita por volta das 15h40, segundo a Prefeitura de Serrana. A cidade foi setorizada em quatro regiões diferentes -- verde, amarela, cinza e azul --, onde a população correspondente recebeu as doses sucessivamente a cada semana. Os lotes do imunizante foram exclusivos para o estudo e não interferiram na distribuição realizada a outras cidades do Brasil. As doses não utilizadas serão reenviadas ao instituto. Profissional da saúde manipula doses da CoronaVac em Serrana (SP) Instituto Butantan/Divulgação 9. Quanto tempo vai durar o estudo? Os primeiros resultados do estudo devem ser divulgados oficialmente em maio pelo Instituto Butantan. No entanto, os voluntários vacinados serão monitorados ao longo de um ano com auxílio de uma inteligência artificial criada com o WhatsApp. 10. O que mudou em Serrana após a vacinação em massa? Durante a cerimônia de encerramento da vacinação em massa, o cientista Ricardo Palácios, diretor de estudos clínicos do Instituto Butantan, pediu cautela aos moradores de Serrana, já que a imunidade coletiva é esperada duas semanas após a aplicação da última dose da vacina. As autoridades de saúde pediram que a população não deixe de utilizar máscara, álcool em gel e evitar aglomerações por enquanto. Mesmo com os cuidados mantidos, os moradores estão esperançosos para volta à normalidade e já fazem planos para o pós-vacinação. Moradores de Serrana, SP, celebram fim da vacinação em massa contra Covid-19 Nesta segunda-feira (12), um dia após a conclusão da vacinação, Serrana entrou na fase vermelha do Plano São Paulo, assim como todas as cidades paulistas, conforme determinou o governo do estado na última sexta-feira (9). Na cidade, portanto, está mantido o toque de recolher, das 20h às 5h, a proibição de atendimento presencial nos serviços considerados não essenciais, a obrigatoriedade de home office para áreas administrativas. A realização de cultos e missas também continua suspensa, conforme determinou o Supremo Tribunal Federal (STF). A volta às aulas presenciais na rede pública, autorizada pelo governo do estado, continua suspensa, conforme a Prefeitura, que planeja permitir a retomada daqui a duas semanas, quando é esperada a imunidade coletiva. Produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, CoronaVac é aplicada em massa em moradores de Serrana (SP) Jonathan Campos/AEN Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Initial plugin text VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
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