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07/12 - Novo pedido de registro da CoronaVac à Anvisa deve ser feito em janeiro de 2022; liberação da vacina para crianças depende disso, diz Dimas
Segundo o diretor do Butantan, o registro definitivo no Brasil é necessário para que o Butantan faça a alteração de bula para que a Coronavac seja liberada para vacinação de crianças entre 3 e 17 anos no Brasil contra a Covid-19. Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan Divulgação/Governo de SP ocit O diretor-geral do l do O diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta terça-feira (7) que o resultado dos estudos de imunogenicidade que foram contratados em laboratório internacional para registro definitivo da Coronavac na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devem sair em janeiro de 2022. Segundo o executivo, o registro definitivo no Brasil é necessário para que o Butantan faça a alteração de bula para que a Coronavac seja liberada para vacinação de crianças entre 3 e 17 anos no Brasil contra a Covid-19. Em 18 de agosto, a agência já havia negado um pedido do instituto para incluir crianças e adolescentes de 3 a 17 anos entre as pessoas que podem receber a Coronavac no Brasil. Os conselheiros da agência entenderam que faltavam dados do Butantan e do laboratório chinês Sinovac para que a liberação pudesse acontecer (veja mais abaixo). Vacinação de crianças: o que se sabe e o que está em prática no mundo CoronaVac é segura e eficaz em crianças a partir de 3 anos, diz estudo na China Trâmite burocrático Os estudos de imunogenicidade já foram apresentados à Anvisa duas vezes, mas foram feitos por entidades que não são aceitas pela agência, disse Dimas Covas. Segundo ele, “existe um trâmite burocrático em relação aos estudos de imunogenicidade, que a própria Anvisa já mudou os critérios por duas vezes”. “Nós estamos aguardando a terceira rodada e esses resultados serão apresentados brevemente, permitindo a conclusão do dossiê para registro [definitivo]”, declarou à GloboNews. Segundo o executivo, em janeiro deste ano o Butantan entregou um teste de imunogenicidade desenvolvido pelo instituto junto com a Universidade de São Paulo (USP) para obter o registro definitivo, mas a Anvisa não aceitou a metodologia desse teste. VÍDEO: O que se sabe sobre vacinação em crianças e adolescentes Em março, o Butantan fez um novo teste comercial, em laboratório privado, e a Anvisa também rejeitou o material dizendo que deveria ser feito apenas por um laboratório de certificação internacional. Agora, o instituto afirma que contratou um desses laboratórios, que são pouquíssimos no mundo todo e, por isso, tem o prazo bastante demorado para apresentar os resultados. Esses novos resultados, segundo Dimas Covas, devem sair em janeiro de 2022 e serão apresentados à agência pela terceira vez. Na entrevista à GloboNews, Dimas Covas que o instituto vai entrar com um novo pedido de uso da vacina Coronavac para imunização de crianças a partir de três anos assim que os novos estudos ficarem prontos. “Esse pedido já está adiantado. A Coronavac é a vacina mais usada na vacinação de jovens de 3 a 17 anos no mundo. Mais de 60 milhões de crianças e adolescentes já foram vacinados. É a vacina mais segura para essa população e nós devemos sim refazer o pedido”, disse. Vacinas contra a Covid-19 da CoronaVac Américo Antonio/Sesa Doses paradas Dimas Covas também afirmou que os 15 milhões de doses da vacina que estão paradas no galpão do Butantan serão utilizadas antes do vencimento, em agosto de 2022, e que negocia a inclusão da Coronavac no Consórcio Facility, co-liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o diretor do Butantan, as 15 milhões de doses da vacina estão paradas por conta de uma formalidade no registro do lote no Ministério da Saúde. “Essas vacinas serão utilizadas e serão utilizadas muito rapidamente, nosso esforço é nesse sentido. Essa formalização ao ministério foi para a formalidade de registro de que nós ainda não tínhamos uma manifestação formal, fizemos a oferta, houve o registro e agora nós podemos, seguramente, fazer a melhor destinação para essas vacinas. Essas doses serão utilizadas, certamente, dentro do prazo de validade e até bem antes desse prazo de validade, não tenho duvidas disso e temos esse compromisso com o Brasil e com o mundo”, afirmou. Butantan tem 15 milhões de doses de CoronaVac sem previsão de uso Negativa da Anvisa para crianças A CoronaVac atualmente está em uso para crianças acima de 3 anos na China. A decisão foi baseada em estudos de fase 1 e 2 que indicam que imunizante é seguro. Os resultados foram publicados em junho na revista The Lancet. Os pesquisadores dizem que uma forte resposta imunológica foi verificada em 96% dos participantes. No Brasil, atualmente a vacina da Pfizer é a única aprovada para maiores de 12 anos. Além disso, o laboratório Janssen recebeu autorização para condução de estudo com menores de 18 no país. Na ocasião do primeiro pedido de Butantan para uso da Coronavac em crianças, em agosto, a diretora Meiruze Freitas, da Segunda Diretoria da Anvisa, foi a relatora do processo e resumiu seu voto em quatro pontos: Recomendou que não seja aprovada a ampliação de uso da CoronaVac para as crianças e solicitou que sejam providenciados estudos de fase 3 (mais abrangente e específicos para avaliar a eficácia) Foi favorável à manter a autorização para uso emergencial da CoronaVac para adultos considerando que não houve mudança no benefício/risco do uso da vacina, que ajudou a conter a pandemia no Brasil. Votou por determinar que o Butantan apresente dados complementares de imunogenicidade, conforme cronograma a ser estabelecido, e Recomendou ao Ministério da Saúde que "considere a possibilidade de indicação de uma dose de reforço em caráter experimental para quem recebeu duas doses de CoronaVac, especialmente imunossuprimidos, idosos e em especial os idosos acima de 80 anos". Que vacina é essa? Coronavac Gerência de medicamentos cobra dados O gerente Gustavo Mendes, responsável pela Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED) da Anvisa, explicou que os dois estudos apresentados pelo Butantan são preliminares (fase 1 e 2) e que faltam dados sobre a eficácia, a duração da proteção da vacina e também qual a proteção para crianças com comorbidades ou imunossuprimidas. "O que concluímos é que os dados apresentados até o momento são insuficientes para estabelecer o perfil de segurança na população pediátrica. Portanto, a relação de benefício-risco é desfavorável para o uso da vacina nessa população" - Gustavo Mendes, gerente da GGMED Na mesma reunião, Mendes também apresentou outro relatório, desta vez sobre a manutenção do autorização de uso emergencial da vacina para adultos. O parecer foi favorável: "o perfil benefício-risco se mantém favorável, mas as incertezas persistem", definiu Mendes. O gerente da GGMED alertou que o Instituto Butantan ainda não entregou diversos dados aguardados, entre eles estão as informações completas sobre imunogenicidade (capacidade da estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos) ou os que mostram o acompanhamento da população vacinada, entre outros. O gerente afirmou que não recebeu dados sobre o estudo de Serrana e que as informações ausentes somadas têm impacto até mesmo no planejamento sobre a necessidade de uma terceira dose. "O que discutimos internamente é que as lacunas sobre imunogenicidade e do acompanhamento dos vacinados no estudo limitam conclusões sobre a duração da proteção e, por consequência, a necessidade de doses de reforço da vacina. No momento não há dados regulatórios que indicam se e quando existe a necessidade de dose de reforço para nenhuma vacina", explicou Gustavo Mendes. Butantan diz estar em diálogo com Anvisa Em nota, o Butantan disse na época que estava em diálogo com a Anvisa. "Os dados do estudo de imunogenicidade da CoronaVac ainda não foram entregues na sua totalidade à Anvisa por conta de divergências no método de análise", informou o instituto. E complementou: "Cabe ressaltar que em relação ao estudo de fase III da vacina, o artigo foi disponibilizado na plataforma de preprint Lancet e aguarda a revisão dos pares para a publicação em revista".. VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana De acordo com o diretor do Butantan, as 15 milhões de doses da vacina estão paradas por conta de uma formalidade no registro do lote no Ministério a.
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07/12 - Sinovac diz desenvolver versão da vacina CoronaVac adaptada à variante ômicron
Anúncio foi feito pelo presidente da farmacêutica, Weidong Yin, durante Simpósio CoronaVac, evento realizado pelo Instituto Butantan, na manhã desta terça (7). Desde semana passada, Instituto também testa eficácia da CoronaVac contra a nova cepa. Sinovac anuncia que fará versão da vacina CoronaVac contra a variante ômicron A farmacêutica chinesa Sinovac disse nesta terça-feira (7), durante simpósio realizado pelo Instituto Butantan, que está desenvolvendo uma versão da vacina CoronaVac adaptada à variante ômicron. A expectativa é a de que a atualização do imunizante fique pronta em três meses, ou seja, até fevereiro de 2022. O anúncio foi feito pelo presidente da farmacêutica, Weidong Yin, durante o Simpósio CoronaVac. O evento começou nesta terça (7) e irá até quinta (9). “Esperamos ainda mais colaboração para o desenvolvimento mais rápido de imunizantes para novas variantes ou para vacinas de reforço, e temos certeza que com parcerias como a do Butantan vamos ser capazes de enfrentar a Covid-19”, afirmou Weidong Win Dimas Covas participa de simpósio no Instituto Butantan com o presidente do laboratório chinês Sinovac, Weidong Win. Divulgação/Instituto Butantan Segundo a vice-presidente e líder de pesquisa e desenvolvimento da Sinovac, Yallling Hu, o laboratório chinês tem se dedicado a isolar o vírus, partindo de amostras de pacientes de Hong Kong, para poder iniciar os testes de anticorpos neutralizantes. Depois desse processo, a empresa pretende realizar um ensaio clínico para examinar a eficácia do imunizante. A previsão é que todo esse processo leve pelo menos três meses, informou Yallling Hu. “A mutação é bastante instável no momento e ainda estamos trabalhando na neutralização cruzada da atividade causada pelo coronavírus”, explicou. “Acho que em um futuro próximo vamos precisar de mais trabalho para avaliar a eficácia das vacinas contra esta variante e, talvez, ir mais além para avaliar a cobertura da vacina que temos hoje”, complementou Yalling Hu. Profissional de saúde de SP segura ampola de CoronaVac, imunizante contra Covid-19 Divulgação/Ascom/GESP Simpósio Coronavac A proposta do simpósio é promover a discussão científica sobre a eficácia e segurança da vacina no Brasil e em outros países, além de debater os resultados do estudo de efetividade Projeto S, realizado na cidade de Serrana, interior de São Paulo. O encontro reúne pesquisadores brasileiros de diversas áreas e especialistas dos Estados Unidos, Turquia, Chile, China e Espanha. Testes CoronaVac O Instituto Butantan começou na última quinta (1°) um estudo para analisar a efetividade da vacina CoronaVac contra a nova variante da Covid, a ômicron. Os testes iniciaram após pedido da Anvisa, que solicitou a todos os laboratórios que produzem os imunizantes aplicados no país façam estudo pra verificação de eficácia contra a ômicron. Vacina contra Covid: tudo que você precisa saber sobre 5 imunizantes contra o coronavírus O que se sabe sobre a nova variante do coronavírus PERGUNTAS E RESPOSTAS sobre vacinas e eficácia O Instituto Adolfo Lutz enviou ao Butantan as amostras dos três casos confirmados da doença para viabilizar as análises. A CoronaVac é produzida a partir do vírus inativado, ou seja, pelo vírus morto ou por partes dele. Esses vírus não conseguem provocar a doença, mas são suficientes para gerar uma resposta imune e criar no organismo uma memória de como nos defender contra uma ameaça. Em entrevista à CBN na semana passada, Sandra Coccuzzo, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Instituto Butantan, disse que a tecnologia do imunizante produz anticorpos diferentes no sistema imunológico em relação às outras vacinas, o que pode tornar um desempenho diferenciado contra a nova cepa. Ainda de acordo com a diretora, os resultados devem ser liberados até o final de dezembro. Que vacina é essa? Coronavac Variante ômicron A variante ômicron – também chamada B.1.1529 – foi reportada à OMS em 24 de novembro de 2021 pela África do Sul. De acordo com OMS, a variante apresenta um "grande número de mutações", algumas preocupantes. O primeiro caso confirmado da ômicron foi de uma amostra coletada em 9 de novembro de 2021 no país. No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou, no último sábado, seis casos de contaminação pela variante. Todos já tinham sido vacinados e apresentam sintomas leves. Na terça (30), autoridades sanitárias holandesas afirmaram que a variante já estava presente no país em 19 de novembro - uma semana antes do que se acreditava e antes de a OMS classificá-la como variante de preocupação. A primeira imagem da variante ômicron do coronavírus revelou mais do que o dobro de mutações que a da variante delta. Primeira imagem da variante ômicron revela mais que o dobro de mutações que a delta VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região Simpóssoo
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07/12 - Menos privacidade, mais pornografia: os efeitos da pandemia no sexo
Diferentes estudos mostram como ansiedade, insegurança e falta de privacidade afetaram o desejo das pessoas São tantos os assuntos interessantes relacionados à longevidade que só agora vou conseguir escrever sobre o World Meeting of the International Society for Sexual Medicine, evento on-line que aconteceu entre 19 e 21 de novembro. A medicina sexual se ocupa dos distúrbios relacionados com as funções sexuais, um universo multifacetado que abrange de pacientes sem desejo a sobreviventes de câncer com sequelas que os impedem de ter prazer. Uma palestra me chamou a atenção no dia da abertura: a médica Annamaria Giraldi, professora da Universidade de Copenhague, falou sobre o impacto da Covid-19 na saúde sexual, explicando que as consequências da pandemia se entrelaçam com as ocorridas na vida social e na saúde mental. Annamaria Giraldi, professora da Universidade de Copenhague: ansiedade, insegurança e menos privacidade impactaram o sexo durante a pandemia Divulgação “Do ponto de vista mental, as pessoas tiveram que lidar com um contexto totalmente desconhecido que gerava enorme estresse. Além do isolamento, elas enfrentaram o medo de perder o trabalho, a insegurança financeira, distúrbios de sono e depressão. No aspecto sexual, o fato de os casais passarem mais tempo juntos por causa da quarentena até poderia, potencialmente, funcionar para resgatar a intimidade. No entanto, se tinham filhos, havia menos privacidade e suporte familiar. Ansiedade, frustração e medo resultaram num quadro de aumento da violência contra as mulheres, sendo que muitas tiveram problemas de acesso a contraceptivos e aos serviços de saúde, numa situação de flagrante vulnerabilidade. Já no começo da pandemia, foi possível medir o crescimento do consumo de pornografia em 11.6%”, afirmou, referindo-se a estudo publicado no “Journal of Behavioral Addiction”. Ela apresentou pesquisa realizada na Itália, quatro semanas depois do início da quarentena, com 1.576 participantes. No grupo, 65% eram mulheres e 35% homens; 67% tinham entre 31 e 46 anos; e 97% estavam numa relação estável. Para 35% das mulheres e 36% dos homens, o número de relações sexuais por semana havia caído para zero nesse período. No que dizia respeito ao autoerotismo, 60% das mulheres e 64% dos homens declararam que o desejo permanecia inalterado; entre aqueles que passaram a se masturbar menos, os principais motivos alegados foram a falta de privacidade e de desejo. Nos Estados Unidos, 1.051 indivíduos recrutados em outubro de 2020 responderam a uma pesquisa on-line na qual tinham que detalhar seu comportamento sexual e nível de satisfação antes da pandemia e durante a quarentena. Foi identificada uma redução da atividade sexual com parceiros – entre os homens, o consumo de pornografia e a prática de masturbação haviam crescido. Homens e mulheres relatavam uma diminuição no prazer e, como era de se esperar, casos extraconjugais e encontros de sexo casual foram os que tiveram a maior variação negativa.
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05/12 - “Não vou desistir, mas não ficarei insistindo”, diz Lucia Hippolito
Em 2022, completará uma década que a comentarista política foi vítima da síndrome de Guillain-Barré, doença que a deixou sem movimentos Conheci Lucia Hippolito na década de 1990, quando dava aulas de História sobre o período republicano para os jornalistas de “O Globo”, e eu não perdia uma. Em 2002, quando me tornei diretora da CBN, a convidei para fazer o quadro “Por dentro das eleições” – era o ano que consagraria Lula nas urnas. Ela seria uma espécie de “professora” dos ouvintes, mas foi muito além de todas as expectativas. O magistério ficou para trás e a migração para o jornalismo foi um sucesso: primeiro, como comentarista de diversos veículos, com destaque para a participação no grupo das “Meninas do Jô”; em seguida, tornando-se âncora de rádio, à frente do programa “CBN Rio”. Compartilhe esta notícia no WhatsApp Compartilhe esta notícia no Telegram A comentarista política Lucia Hippolito: vítima da síndrome de Guillain-Barré há quase dez anos Mariza Tavares Em 2012, vivia sua melhor fase profissional. Em abril, em viagem de férias a Paris, cidade que costumava visitar duas vezes por ano, estava de malas prontas para voltar quando perdeu completamente os movimentos – ali começava uma jornada de provações que completará uma década. Lucia foi vítima de uma forma gravíssima da síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que afeta os grupos musculares. Atendida no centro hospitalar universitário Salpêtrière, um dos maiores da França, foi transferida para uma unidade do Instituto Pasteur especializada na enfermidade. Foram três meses de internação, sendo que 48 dias intubada, tendo o marido, o educador e empresário Edgar Flexa Ribeiro, ao seu lado o tempo todo. “Como eu só movimentava os olhos, Edgar providenciou um cartaz onde escreveu as letras e eu ia piscando para formar palavras e frases”, lembra. No delicado voo de retorno, um médico e um enfermeiro brasileiros a acompanharam e houve necessidade de um equipamento para fazer os pulmões funcionarem. Síndrome de Guillain-Barré: entenda a doença Pacientes acometidos com a síndrome costumam levar meses para se recuperar. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 15% não apresentam qualquer sequela, mas uma porcentagem pequena, entre 5% e 10%, manifestam um quadro incapacitante. Esse foi o caso de Lucia que, tetraplégica, ficou presa a uma cadeira de rodas. Quase um ano e meio de fisioterapia de ponta na Rede Sarah, em Brasília, a fez retomar, temporariamente, o movimento parcial das mãos. Eu a visitei há cerca de dez dias em seu apartamento, na Zona Sul carioca, onde três cuidadoras se revezam – “Monique, Dina e Patrícia são minhas pérolas”, afirma. Aos 71 anos, sua rotina se divide entre sessões de fisioterapia, física e respiratória, e fonoaudiologia, para ajudar com as dificuldades de deglutição. Semanalmente, recebe uma injeção de antibiótico, para prevenir infecções oportunistas, já que passa boa parte do tempo deitada. “Foram sete idas ao hospital nos últimos seis meses, mas consigo sair para comprar as orquídeas que enfeitam a casa”, diz. Não usa mais a sonda para nutrição enteral e se permite alguns pequenos prazeres gastronômicos. Vem relendo clássicos como “Ilíada” e “Odisseia”, tem preferência por séries históricas e acompanha o noticiário político pela televisão. Relata que mergulhou em longos períodos de depressão, mas atingiu um patamar de serenidade: “eu estava conseguindo segurar uma taça de vinho, mas, depois de uma internação causada por uma pneumonia, as mãos se atrofiaram novamente. Agora tomo vinho com canudinho. Também desenvolvi uma insuficiência cardíaca mas, se tudo der certo, em fevereiro eu e Edgar vamos comemorar 50 anos de casados. Tenho muito orgulho da minha vida, do que construí. Fui professora, servidora pública e a primeira mulher a ser chefe de gabinete da presidência do IBGE. Lutei contra a ditadura e pelas Diretas Já, fui jornalista e radialista. Não me arrependo do que fiz, nem do que não fiz. Gostaria de visitar Paris uma última vez, mas sei que isso não será possível. Mas, para o hospital, não voltarei. Decidi que não vou desistir, mas não ficarei insistindo”.
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02/12 - Fiocruz faz pesquisa sobre trabalho de profissionais de saúde que atendem indígenas durante a pandemia da Covid
De acordo com a instituição, este contingente é formado por cerca de 20 mil pessoas que ocupam diversas funções como médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, psicólogos e nutricionistas, entre outros. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai investigar as transformações causadas pela pandemia da Covid nas condições de trabalho e saúde mental dos trabalhadores que atuam na assistência a povos indígenas no território brasileiro. De acordo com a instituição, este contingente é formado por cerca de 20 mil pessoas. A pesquisa “Os Trabalhadores da Saúde Indígena: Condições de Trabalho e Saúde Mental no Contexto da Covid-19 no Brasil” conta com um questionário que vai revelar o perfil sociodemográfico, a jornada de trabalho, as condições e o nível de proteção durante o exercício de sua atividade, além das alterações provocadas pela pandemia na vida pessoal e profissional desses trabalhadores que prestam assistência aos povos indígenas. A coleta de dados contempla líderes religiosos dos grupos, Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (Aisan), condutores de ambulância, ambulancha, motolancha, barqueiro e pilotos de aeronaves, além dos médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros trabalhadores. Os profissionais podem responder o questionário de maneira on-line.
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02/12 - Nutricionista apresenta a Ayurveda como o caminho para um envelhecimento ativo
“Sempre há possibilidade de melhora da qualidade de vida e da saúde como um todo, temos apenas que estar dispostos a fazer algo novo”, afirma Laura Pires em seu mais recente livro Aos 23 anos, depois de começar a perder a visão periférica dos dois olhos, Laura Pires foi diagnosticada com esclerose múltipla. O cenário que se descortinava era o de um tratamento pesado com corticoides, mas ela preferiu pegar um avião para a Índia. Era o início de uma longa jornada, que descreve em seu site como a de uma lagarta que aprenderia a voar como borboleta. A reboque ocorreu também uma virada profissional: abraçou a nutrição como nova carreira, incorporando os ensinamentos da Ayurveda em seu trabalho. A autora do livro, Laura Pires Divulgação Autora de “O sabor da harmonia” e “Nutrindo seus sentidos”, seu recém-lançado “Longevidade” (Editora Rocco) vai muito além das receitas ayurvédicas. Embora a alimentação seja uma questão fundamental na obra, ela aborda os diferentes pontos que envolvem um envelhecimento ativo e saudável. Antes de continuar, uma pequena pausa para detalhar o que é a Ayurveda que, como Laura descreve, é “um sistema de medicina, uma filosofia, um modo de viver”. Vem do sânscrito e é a união de “ayu”, que significa vida, e “veda”, conhecimento – do corpo, dos sentidos, da mente, da alma. Em resumo, uma análise e terapia holísticas que constam das práticas integrativas e complementares em saúde, com a chancela do Ministério da Saúde desde 2019. Caldinho de feijão com couve Divulgação Cursando uma pós-graduação em gerontologia, a nutricionista dá explicações sobre as alterações no tônus muscular e no sistema imunológico, detalhando a ação dos radicais livre que danificam as células, através de raios ultravioletas, alimentação desequilibrada, poluição, estresse. E lembra que, se não temos a eternidade, podemos nos empenhar para transformar o processo de envelhecimento: “sempre há possibilidade de melhora da qualidade de vida e da saúde como um todo; temos, muitas vezes, apenas que estar dispostos efetivamente a fazer algo novo. Não precisa ter a rotina, a alimentação ou a casa perfeita, as condições perfeitas. Elas não existem todas juntas ou para sempre. Seja ativo e encontre ‘brechas’ em meio às dificuldades para buscar uma transformação”. Ao final de cada capítulo, há perguntas sobre o autocuidado: com que frequência a pessoa tem adoecido, se tem ido ao médico e realizado exames, como anda sua disposição e vitalidade. Para a Ayurveda, Dharma é nosso propósito de vida, nosso caminho, e há dois tipos de terapia: Shamana e Shodhana. Shamana são as terapias de pacificação dos desequilíbrios que estão ocorrendo, para evitar que se tornem uma patologia. Shodana são as de purificação, desintoxicação. Os alimentos são substratos para que o Agni aja no organismo. Trata-se da representação das funções metabólicas, regulando a digestão e a absorção dos nutrientes. Os sintomas de que há desequilíbrio são azia, prisão de ventre, gases, náuseas, falta ou excesso de apetite, entre outros. Rasayana é o conjunto de práticas para a longevidade ativa; Dinacharya, a rotina de práticas saudáveis. Laura sugere uma mudança gradativa. Para começar, um diário sincero, listando tudo o que se consome. Depois de cinco dias, fazer um círculo verde em torno dos produtos in natura, frescos, e outro, vermelho, em torno dos processados e ultraprocessados. Propõe mudar aos poucos a dieta e lista as propriedades de diversos alimentos e suas características ayurvédicas. Para fechar, compartilha receitas que incluem infusões para ajudar no sono e sopas terapêuticas, como yavagoo, com arroz; e yush, à base de feijão ou ervilha. Capa do livro "Longevidade: nutrição e Ayurveda para um envelhecimento ativo" Reprodução
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30/11 - Envelhecer é sinônimo de pegar leve? Nada disso!
Estudo de Harvard afirma que é indispensável se manter fisicamente ativo na velhice Todo mundo conhece as virtudes de se exercitar, mas poucos sabem como a atividade física se tornou parte da biologia humana, processo analisado por um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard. De acordo com o estudo, a longevidade está associada ao fato de as pessoas se manterem ativas. Esta seria a chave para retardar a gradual deterioração do organismo e protegê-lo de doenças crônicas como as cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. “Há uma crença generalizada no Ocidente de que, à medida que envelhecemos, devemos desacelerar, fazer menos coisas e sair de cena. Nossa mensagem é o oposto: é ainda mais importante estar fisicamente ativo na velhice”, afirmou Daniel Lieberman, autor sênior do trabalho e especialista em biologia evolutiva. Homem em bicicleta: estar fisicamente ativo na velhice é um dos segredos da longevidade Pixabay A boa notícia para os sedentários que, só de ler o começo da coluna já começam a se lamentar, é que não precisamos agir como nossos antepassados caçadores-coletores, que gastavam mais de duas horas por dia em busca de alimento. Mesmo períodos curtos de atividade – dez ou 20 minutos diários – são suficientes para diminuir o risco de mortalidade. Os pesquisadores mostram que, além de queimar calorias, exercitar-se é algo fisiologicamente estressante, mas a resposta do corpo a esse impacto é torná-lo mais forte e resistente. Isso inclui a recuperação de fibras musculares, cartilagens e até microfraturas; e a liberação de antioxidantes e anti-inflamatórios na corrente sanguínea. “Como evoluímos para sermos ativos ao longo da vida, nossos corpos necessitam de atividade física para envelhecer bem”, resumiu Lieberman. Emendo com outra pesquisa, publicada no “BMJ Open”, que associa o trabalho doméstico a uma memória mais afiada e maior proteção contra quedas entre idosos. O estudo foi realizado com 489 pessoas entre 21 e 90 anos, divididas em dois grupos: um com participantes até 64 anos, classificado como o dos mais jovens; e outro com indivíduos entre 65 e 90, com idade média de 75. Todos responderam a um questionário sobre suas atividades físicas: domésticas, esportivas ou de lazer. Os pesquisadores também dividiram as atividades domésticas em dois tipos: leves (lavar louça, espanar móveis, fazer a cama e cozinhar) e pesadas (limpeza de vidros, varrer ou usar aspirador no chão, trocar a roupa de cama). Apenas 36% dos integrantes do grupo “jovem” e 48% do grupo idoso atingiam o nível recomendável de exercício através do esporte ou lazer; no entanto, o percentual subia para 61% e 66%, respectivamente para cada time, quando a avaliação se referia ao trabalho doméstico. Para quem não está totalmente convencido, aceno com um terceiro estudo: a atividade física pode levar a um cenário mais positivo para quem sofre de Doença de Alzheimer, porque diminui o nível de inflamação no cérebro. As micróglias são células do sistema nervoso central que têm função de vigilância semelhante à dos glóbulos brancos na corrente sanguínea: são ativadas para “enxotar” invasores. Entretanto, um excesso de ativação pode provocar inflamação e danificar os neurônios, mas o exercício é capaz de funcionar como um regulador para evitar que isso ocorra. O trabalho foi publicado na “JNeurosci”, revista científica da Sociedade para a Neurociência.
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28/11 - Congresso Brasileiro de Cardiologia enfatiza a importância da espiritualidade
Sentimento de autoconhecimento e crença na possibilidade da autodeterminação levam a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde No domingo passado, uma das apresentações do 76º. Congresso Brasileiro de Cardiologia, que foi realizado virtualmente, me chamou atenção porque, embora o assunto não seja egresso dos compêndios de medicina, tem ganhado cada vez mais espaço nos consultórios: a espiritualidade. A primeira vez que o blog tratou desse conteúdo foi em 2016 e, de lá para cá, sua relevância só aumentou. De acordo com o cardiologista Fernando Nobre, um dos palestrantes, “a espiritualidade reforça o sentimento de autoconhecimento, autoconfiança e crença na possibilidade da autodeterminação, com uma visão positiva do mundo e do futuro que traz benefícios incontestes para uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde”. E aqui não se está falando de religiosidade. O Gemca (Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular) a define como o “conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal”. Ainda segundo o doutor Nobre, busca recente no PubMed, que fornece citações e artigos no campo da biomedicina, apresentou 1.757 estudos nessa área, sendo que 961 produzidos nos últimos cinco anos, o que dá a dimensão do interesse pelo tema. Espiritualidade: médicos a associam ao sentimento de autoconhecimento e à crença na possibilidade da autodeterminação, levando a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde Pixabay A cardiologista Lucelia Magalhães, professora da faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia, afirmou que abordar a questão deveria fazer parte da consulta de rotina: “são informações que integram a história psicossocial do paciente, por isso devem estar no fluxo normal da entrevista. É fundamental entender as crenças e a espiritualidade para identificar aspectos que interfiram nos cuidados à saúde. Dessa forma podemos avaliar a força espiritual individual, familiar ou social que permitirá o enfrentamento da doença”. Ela ressaltou que a conversa não deve ser pautada por nenhum juízo de valor, nem promover práticas religiosas. No entanto, apesar da importância de se levantar esse perfil no caso de doenças graves, crônicas ou de prognóstico reservado, ou nas intervenções terapêuticas de alto risco, a abordagem deve ser evitada em situações agudas ou de instabilidade. Há escalas para medir o nível de religiosidade/espiritualidade dos pacientes, como a Durel, FICA, Hope, Faith e Spirit. São perguntas que vão da frequência com que a pessoa vai à igreja ao tempo que dedica a atividades espirituais, como preces ou meditação – esta última, por exemplo, tem sido empregada com sucesso para auxiliar na redução da pressão arterial. Os estudos apontam para o peso de tais crenças e sentimentos na adesão e decisões relativas ao tratamento e, consequentemente, a um prognóstico positivo. Essa é mais uma indicação de que saúde não é simplesmente a ausência de enfermidade, e sim um estado de bem-estar físico, psíquico, emocional e social, como preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). É por isso que não podemos perder de vista nossa estreita relação com o equilíbrio do planeta. A reboque do encerramento da COP26, a conferência do clima das Nações Unidas, especialistas alertaram que a previsão de ondas de calor intenso representa um enorme impacto na saúde cardiovascular. A publicação foi divulgada no “Canadian Journal of Cardiology” no dia 18 de novembro.
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25/11 - 'O livro da Belle' é uma tocante jornada sobre o luto
Carlos Alberto Sardenberg rende uma homenagem à mulher e não se furta a mostrar o doloroso processo de lidar com a perda “O livro da Belle: histórias de mulheres” é, na verdade, a jornada do luto do âncora e comentarista de assuntos econômicos Carlos Alberto Sardenberg. Belle é a psicanalista Cybelle Weinberg, especialista em transtornos alimentares e sua companheira desde 1995, que morreu em 2019, vítima de um agressivo câncer de mama. Hoje, ele vai lançar o livro em São Paulo; na terça-feira, no Rio. Será uma homenagem à mulher, mas também o fecho do longo processo de lidar com a perda. “Eu sabia o que Cybelle estava escrevendo. Ela me mostrou alguns textos, consultou sobre outros, discutiu projetos. Eu a via escrevendo no seu laptop e sempre arquivando num mesmo pendrive. Depois de sua morte, fiquei um bom tempo sem mexer em nada. Quando tive coragem de ler, fiquei encantado. Ela me apareceu inteira. Precisava publicar, por ela e por mim. Foi doloroso, prolongou o luto, mas quando o livro ficou pronto, me baixou uma estranha sensação: tristeza e alegria ao mesmo tempo. É como estou”, me descreve Sardenberg, com quem tive o prazer de conviver entre 2002 e 2016, quando dirigi a rádio CBN. Cybelle e Sardenberg abraçados Acervo pessoal Em 2010, diagnosticada com um câncer de mama com bom prognóstico de cura, fez questão de não desmarcar a festa dos seus 60 anos, que comemorou junto com a mãe, que completava 90: o convite, bem-humorado, fazia alusão a um aniversário de 150 anos! Eu estive lá e fui testemunha da alegria contagiante do ambiente. Belle e Sardenberg compartilhavam prazeres: viagens, boa comida, vinhos e os netos de um e de outro – não tinham filhos juntos – eram mimados por ambos sem distinção. Em 15 de fevereiro de 2017, um novo diagnóstico de câncer de mama, desta vez muito agressivo. Foram 2 anos e oito meses de cirurgias, quimioterapia, radioterapia e grande sofrimento físico. Foi também uma fase de viagens, consultório cheio e o lançamento do livro “Faces do martírio”, baseado em sua tese de doutorado e lançado sete meses antes da sua morte. Belle era assim: ação, movimento, vitalidade. Com o neto caçula, numa das últimas viagens do casal Acervo pessoal Sardenberg reuniu um mosaico: notas esparsas sobre o universo feminino, artigos, relatos sobre a doença que enfrentava e até o projeto para um livro sobre mulheres sem limites, que chamava de “excessivas”. Na primeira parte, “A segunda vida das mulheres” trata do poder da maturidade feminina. Reproduzo um trecho pelo qual me encantei e que se chama “Novas relações”: “Homens mais velhos atraídos por mulheres jovens: capacidade de reprodução delas. Fato novo: jovens atraídos por mulheres mais velhas não pela beleza, mas justamente pela experiência, pela arte da sedução, pela liberdade e risco zero de gravidez. Foi-se o tempo em que só o lobo comia a vovozinha... Mulheres na segunda vida: mais inventivas. Claramente diferentes da outra vida. Homens repetem a fórmula, casando-se novamente com mulheres mais jovens e tendo filhos. A segunda vida é mais intensa que a primeira, especialmente para as mulheres.” A última parte é “A história de Belle”, escrita por Sardenberg, que começa quando se conheceram: ele havia sido seu professor num cursinho de pré-vestibular. No início de 2019, diante de um quadro de metástases recorrentes, Belle perguntou a seu médico: “seja franco. No meu lugar, o que você faria?”. A resposta não deixava margem para dúvida: “eu fecharia o consultório, ia viajar, curtir as coisas de que você gosta”. Começou a transferir os pacientes para outros colegas e tinha planos de, no fim do ano, se mudar para a casa que tinham em Atibaia. Em setembro, o casal viajou para Paris. Em 14 de outubro, seu corpo perdeu a guerra para o câncer. Sardenberg colocou suas cinzas numa taça de Bordeaux e as espalhou ao pé das árvores que ela havia plantado, nas pedras do orquidário e na base da cascata do condomínio em Atibaia, onde tantas vezes os dois apreciaram o fim da tarde. Capa de “O livro de Belle” Reprodução
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23/11 - Em busca de novas abordagens para o tratamento de demências
Além da maconha medicinal, robôs pets melhoraram sintomas como ansiedade, agressividade e depressão dos pacientes Robô pet é testado como opção em novas abordagens para o tratamento de demências No domingo, a coluna abordou o potencial da medicina canabinoide no tratamento de diversas doenças. Hoje quero me dedicar às demências, porque o envelhecimento da população mundial vai fazer disparar o número de casos, principalmente em países de renda baixa e média – lugares onde adotar um estilo de vida saudável é mais desafiador. Receber um diagnóstico desse tipo de enfermidade talvez seja um dos maiores temores que qualquer um possa enfrentar, por isso é tão importante discutir diferentes formas de lidar com a questão. O pet robô responde aos carinhos: os gatinhos ronronam, miam, viram a cabeça e piscam para os idosos com demência Florida Atlantic University Digo isso porque me causou grande impacto reportagem investigativa do jornal “The New York Times”, publicada recentemente, sobre o alto percentual de idosos vivendo em asilos que eram medicados com drogas antipsicóticas: 21% deles usavam tais remédios. O mais perturbador era o fato de muitos estarem sendo diagnosticados, sem qualquer evidência, como portadores de esquizofrenia. O medicamento serviria para manter a pessoa sob controle – na verdade, numa espécie de camisa de força. É o que se chama de contenção química, uma violência que ganha contornos ainda mais dramáticos se levarmos em conta que antipsicóticos são perigosos para indivíduos com demência, dobrando o risco de problemas cardíacos, infecções e quedas. É verdade que pacientes com demência podem apresentar comportamento agressivo, desestruturando famílias e cuidadores, mas a utilização da maconha medicinal é um caminho para evitar outras drogas com tantos efeitos adversos. O assunto engatinha entre geriatras, neurologistas e clínicos, embora todos concordem que os mais velhos consomem um volume excessivo de remédios. A situação aumenta o risco de iatrogenia, que se caracteriza justamente quando a interação das substâncias que compõem diferentes medicamentos leva a um quadro de complicações. Médicos e familiares deveriam se aliar em busca da desprescrição de remédios e de opções da chamada medicina complementar, que inclui acupuntura e fitoterapia. No final de outubro, foi divulgada pesquisa sobre os bons resultados obtidos com pets robôs, melhorando o humor, comportamento e cognição de idosos com demência com sintomas como ansiedade, agressividade e depressão. Pesquisadores da Florida Atlantic University testaram a eficácia de robôs interativos de custo relativamente baixo com adultos que sofriam de demência de moderada a intermediária. Os participantes foram avisados de que os pets não eram animais de verdade, mas foram observadas reações como sorrisos e conversas carinhosas com os gatinhos – que foram devidamente nomeados por seus “donos”. “Como não há cura para a demência, nosso projeto oferece uma abordagem não farmacológica para lidar com os sintomas”, afirmou Bryanna Streit LaRosa, doutora em enfermagem e autora sênior do estudo. Pense em como você gostaria que seus entes queridos fossem tratados. Pense em como gostaria de ser tratado.
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21/11 - “A medicina canabinoide é uma revolução”, diz a psiquiatra Ana Hounie
Maconha medicinal pode ser empregada com sucesso no tratamento de demências, hipertensão e outras doenças A psiquiatra Ana Gabriela Hounie tem doutorado e pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também é especialista em Síndrome de Tourette e transtorno obsessivo compulsivo. O efeito devastador dessas doenças a levou a se interessar, na década de 1990, pela utilização da Cannabis sativa como método terapêutico. No entanto, teve que esperar até 2015, quando a prescrição da maconha medicinal foi liberada pela Anvisa. De lá para cá, já atendeu a mais de 400 pacientes que fazem uso desse tipo de medicação, mas não parou por aí. Diante dos resultados positivos, começou a dar cursos para outros médicos se tornarem prescritores – cerca de 500 até agora, segundo sua estimativa. “A medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson, esclerose múltipla ou paralisia supranuclear progressiva. Apesar disso, a medicina tradicional só segue o que é publicado em periódicos científicos ou foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration, o equivalente à Anvisa nos EUA). Ainda há poucos estudos publicados e nenhum interesse por parte da indústria farmacêutica, porque seu objetivo é sintetizar novas drogas e ganhar milhões com a patente, mas as famílias testemunham as mudanças dos pacientes: pessoas com demência que voltam a reconhecer os filhos e a se alimentar sozinhos. É uma revolução”, afirma, antecipando que está finalizando, juntamente com 100 colegas, entre médicos e outros profissionais, um tratado sobre a Cannabis medicinal, livro que será lançado em breve. A psiquiatra Ana Gabriela Hounie: “a medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson e esclerose múltipla” Divulgação E como a maconha se torna um medicamento tão promissor? Nosso cérebro tem receptores (CB1 e CB2) que são estimulados por canabinoides que, por serem produzidos pelo organismo, são chamados de endocanabinoides, responsáveis por uma extensa lista de funções, incluindo ansiedade e humor. A maconha, por sua vez, tem centenas de compostos químicos, entre eles o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol) – mais recentemente, outros começaram a ser estudados, como o canabigerol. Tais compostos são fitocanabinoides, isto é, também são canabinoides e, por este motivo, conseguem estimular os receptores humanos com eficiência. Resumindo: podemos nos valer dos medicamentos derivados da maconha para reparar nosso circuito interno. “O organismo sofre ataques contínuos que vão se acumulando e o CBD é anti-inflamatório. O mecanismo da Doença de Alzheimer é o de uma neuroinflamação, e o THC consegue dissolver placas amiloides que vão se depositando, restabelecendo a comunicação neuronal. Eles abaixam a pressão, diminuem a resistência à insulina, melhoram a função da tireoide, ou seja, levam à desprescrição de medicamentos como antihipertenstivos e metforminas”, explicou a psiquiatra, acrescentando que foi somente nos anos de 1990 que a ciência passou a descrever o sistema endocanabinoide. Nos EUA, o medicamento dronabinol, produzido à base de THC, era receitado para pacientes oncológicos, submetidos à quimioterapia, ou com HIV, para estimular o apetite. Ao ser usado em casas de repouso em idosos portadores de demência com dificuldades para se alimentar, o resultado foi duplamente positivo: melhorou o apetite e diminuiu a agressividade dos doentes. Hoje há quase 60 milhões de pessoas com demência no mundo e esse número deve triplicar até 2050. Está na hora de espanar o mofo das ideias.
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19/11 - Ministério da Saúde valida imunização de pessoas que receberam lotes da CoronaVac suspensos
Em nota publicada no dia 12, pasta afirma que doses que já tinham sido aplicadas são válidas pois não foram encontrados eventos adversos. Em setembro, Anvisa determinou recolhimento de lotes envasados em fábrica não autorizada. Butantan substituiu imunizantes e deve definir nesta sexta (19) o que fará com as vacinas recolhidas. Lotes de Coronavac, do Instituto Butantan Divulgação O Ministério da Saúde validou a imunização de pessoas que receberam vacinas dos 25 lotes da CoronaVac que foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro deste ano. Ao todo, a Anvisa havia interditado 12,1 milhões de doses que foram produzidas pela Sinovac, na China, em uma fábrica não inspecionada e aprovada pela agência. A nota técnica foi publicada pela pasta no dia 12 de novembro. "O Programa Nacional de Imunizações (PNI) define que aqueles indivíduos que tenham recebido doses da vacina Covid-19 Coronavac/Sinovac/Butantan dos lotes interditados pela Anvisa (202107101H, 202107102H, 202107103H, 202107104H, 202108108H, 202108109H, 202108110H, 202108111H, 202108112H, 202108113H, 202108114H, 202108115H, 202108116H, L202106038) poderão ter suas doses consideradas como VÁLIDAS, não havendo necessidade de revacinação destes indivíduos." Em nota, o Butantan afirmou que a decisão “corrobora as afirmações de que os lotes que haviam sido suspensos pela Anvisa são tão seguros e eficazes quanto os envasados nas instalações do instituto”. Histórico Em setembro, a Anvisa determinou o recolhimento dos lotes, após interditá-los de forma cautelar. À época, a Agência afirmou que a decisão tinha sido tomada após a constatação de que os dados apresentados pelo laboratório chinês não comprovam a realização do envase em condições satisfatórias de boas práticas de fabricação. A vacina é produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Logo após a interdição, o Instituto anunciou que os lotes seriam substituídos. Segundo o Butantan, o processo foi concluído na última quarta-feira (17). Butantan define destino das doses Nesta sexta (19), os dirigentes do Instituto se reúnem para definir o que será feito com as vacinas recolhidas. O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse em coletiva de imprensa no final de setembro, que o Instituto estudava doar os lotes a países da América Latina. Até o momento, porém, não há definição do que será feito com os imunizantes. Quantidade de doses aplicadas O Ministério da Saúde não informou quantas doses do montante foram aplicadas no país. Apenas os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte divulgaram os números, à época da interdição. SP disse ter aplicado 4 milhões de doses. Já o Rio, revelou que 1.206 pessoas foram vacinadas com doses da CoronaVac de um dos lotes suspensos. No Rio Grande do Norte foram aplicadas 21 doses. Que vacina é essa? Coronavac VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região metropolitana:
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18/11 - O que se passa na cabeça das avós
Pesquisa mostra que fotos dos netos são capazes de ativar áreas do cérebro associadas com a empatia emocional Não é a primeira vez que escrevo sobre as avós e seu papel na estrutura familiar. Há muitas sortudas que, como eu, podem acompanhar o crescimento dos netos, e sabemos como deixamos para trás a autoridade que nos guiou na maternidade. Resumidamente, viramos umas “bananas” dispostas a satisfazer todos os seus desejos! Agora, pela primeira vez, cientistas da Emory University, que está entre as 20 melhores nos EUA, escanearam os cérebros de avós enquanto elas viam fotos dos netos, como se fizessem um instantâneo neural desse elo geracional tão relevante. Ver fotos dos netos ativa áreas do cérebro associadas com a empatia emocional Pixabay “O que chama a atenção é a ativação de áreas do cérebro associadas com a empatia emocional”, afirmou James Rilling, professor de antropologia na instituição e coordenador do trabalho. “Isso significa que as avós são movidas pelos sentimentos dos netos: se sorriem, elas sentem a alegria das crianças; se choram, elas vivenciam sua dor e sofrimento”, acrescentou. Por outro lado, quando veem fotos dos filhos crescidos, a ativação se dá numa área do cérebro associada com a empatia cognitiva, o que indica que a emoção é substituída por um entendimento mais racional. Os laços são fortes, claro, mas com uma resposta emocional menos intensa. Rilling disse que, embora os pais sejam vistos como os principais cuidadores ao lado das mães, isso nem sempre é verdade: “em muitos casos, as avós desempenham esse papel”. Sua afirmação vai ao encontro da “hipótese das avós” para a sobrevivência da humanidade, que já abordei em coluna anterior: depois da menopausa, ao deixar de ter seus próprios filhos e passando a ajudar a cuidar dos netos, elas tiveram papel fundamental para garantir a multiplicação dos humanos no planeta. A sociedade contemporânea apresenta outros desafios, mas a importância das avós não mudou: seu engajamento na vida de crianças e adolescentes está associado a diversos resultados positivos, que vão de melhores indicadores de saúde a sucesso acadêmico. A longevidade não é boa somente para os mais velhos.
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16/11 - Nasa seleciona voluntários para dormirem de cabeça para baixo por um mês
Os selecionados deverão comer, fazer exercícios e até mesmo tomar banho de cabeça baixa. "Isso faz com que seus corpos se adaptem como se estivessem no espaço", explica a agência espacial americana. Estudo da Nasa e Alemanha recruta voluntários para dormirem de cabeça para baixo. DLR (Agência Espacial Alemã) A Nasa, agência espacial americana, em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR, em alemão), começará a recrutar voluntários para um estudo sobre os transtornos de sono desenvolvidos em ambientes sem gravidade, como os vividos por astronautas. Os selecionados serão remunerados com 11 mil euros e precisarão dormir em uma cama inclinada. Chamado de "Nasa Bed rest studies" (estudos sobre repouso na cama, em tradução livre), a pesquisa teve início em 2019. Durante os testes, os voluntários precisam dormir por até 70 dias em uma cama inclinada a 6 graus, com a cabeça na parte mais baixa. Os voluntários "devem comer, fazer exercícios e até mesmo tomar banho de cabeça baixa. Isso faz com que seus corpos se adaptem como se estivessem no espaço. Eles são monitorados continuamente para que os pesquisadores entendam como seus corpos mudam e por quê. Os resultados permitem o desenvolvimento de medidas que ajudarão os astronautas em missões espaciais, bem como as pessoas acamadas na Terra", explica o site da Nasa. Veja mais: Como as astronautas lidam com a menstruação no espaço De fraldas e sem banheiro na SpaceX, astronautas retornam de estação espacial após 6 meses em missão Nesta fase da pesquisa, programada para acontecer durante o verão europeu de 2023, os testes irão durar 59 dias, sendo que em 30 deles os voluntários precisarão dormir na cama inclinada. De acordo com o Centro de Pesquisa de Medicina Aeroespacial, da Agência Espacial Alemã, local onde os testes ocorrerão, os voluntários devem ser saudáveis, ter entre 24 a 55 anos e estatura mínima de 153 cm e máxima de 190 cm. O pagamento de 11 mil euros pelos quase dois meses de testes deverão cobrir, segundo a agência alemã, todos os custos dos voluntários no período. Veja o que aconteceu com corpo do astronauta que deu mais de 5400 voltas na Terra Apesar de parecer empolgante contribuir com estudos da Nasa, a agência adverte os aventureiros: "Passar muitos dias na cama pode parecer ótimo, mas a maioria dos participantes concorda que o tédio se instala rapidamente. A rotina diária - tomar banho, vestir-se, comer, fazer exercícios - leva muito tempo quando você não consegue ficar de pé (...) Os participantes são incentivados a definir uma meta, como aprender um novo idioma ou fazer uma aula online. A família e os amigos podem fazer visitas, o que pode ser uma distração bem-vinda", diz texto da Nasa. "cabeça inchada, pernas de pássaro" O site da Nasa explica que, em um ambiente sem gravidade, o fluxo sanguíneo tem dificuldade em mandar o sangue para as pernas, e os fluídos podem se concentrar na cabeça do astronauta, resultando na "síndrome de cabeça inchada, pernas de pássaro", diz o texto. Por que os cientistas já sabem onde procurar vida em Marte Submeter os voluntários a períodos prolongados em uma cama inclinada, ainda de acordo com a agência espacial, permite que os pesquisadores observem os efeitos das mudanças de fluidos no nosso corpo, bem como a perda de massa óssea e muscular frequentemente experimentada pelos astronautas no espaço. "Compreender os efeitos de viver no espaço é fundamental se quisermos enviar humanos a Marte", diz o texto de divulgação do estudo da Nasa.
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16/11 - Em livro, psiquiatra francês explica como conviver com a mentira
Por que todos nós mentimos? Por que uma mentira atrai outra? O psiquiatra francês Patrick Clervoy, autor do livro Vérité ou Mensonge (Verdade ou Mentira, em tradução livre), estuda esse mecanismo psicológico universal. Novembro/2020 - O presidente Donald Trump fala durante a noite da eleição norte-americana no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 4 de novembro de 2020 Evan Vucci/AP/Arquivo Por que todos nós mentimos? Qual o mecanismo do processo psicológico que se repete desde os primórdios da humanidade? Por que uma mentira atrai outra? O psiquiatra francês Patrick Clervoy, autor do livro Vérité ou Mensonge (Verdade ou Mentira, em tradução livre), estuda esse mecanismo psicológico universal e conversou com a RFI sobre os múltiplos aspectos da mentira e dos mentirosos. O psiquiatra francês conta que, durante sua carreira, ficou “intrigado” com a dificuldade que a maioria das pessoas tinha em denunciar uma mentira ou o comportamento de um mentiroso, o que levou a escrever uma obra sobre o tema. “Há uma tendência geral em aceitar espontaneamente a mentira alheia, como se as pessoas dissessem: ok, ele está mentindo, nós aceitamos, é assim”, explicou o especialista durante o programa da RFI Priorité Santé. Um comportamento que ele julga “preocupante” para a sociedade, sobretudo em tempos de fake news e desinformação. Ele cita como exemplo a eleição do ex-presidente americano Donald Trump, que mostrou como uma nação inteira pode aceitar e colocar no poder um candidato que contava mentiras, incluindo, por exemplo, falsas informações sobre a Covid-19. O comportamento de Trump no início da pandemia e o desrespeito do próprio presidente à regras de proteção resultou em situação sanitária catastrófica nos EUA. Relembre as mentiras mais famosas de Trump Polícia Federal diz ao TSE que rede bolsonarista usa método de Donald Trump Como podemos definir a mentira? Ela é vista como uma forma de manipulação que visa interferir na ação do interlocutor, que poderia ser diferente caso soubesse a verdade. Em geral, a mentira se opõe à sinceridade ou à franqueza. Em suma, o mentiroso reinterpreta seu próprio discurso com a intenção de enganar e obter, em troca, algum tipo de benefício. “O mentiroso é alguém que se dissimula usando a aparência, palavras ou enunciados que ele quer que o outro tome como verdade”, exemplifica o autor francês. fake news Divulgação Há exemplos de mentirosos na própria natureza, diz o psiquiatra. Um deles é o cuco, um pássaro que não constrói seu próprio ninho e não cuida de seus fihotes. Seus ovos se parecem com o de outras espécies, como o rouxinol. Sua estratégia consiste em retirar um ovo do ninho do rouxinol e colocar o seu no lugar. O bebê cuco, depois de nascer, expulsa os outros passarinhos, mas continuará sendo cuidado pelo rouxinol, apesar de todas as diferenças físicas perceptíveis entre as duas espécies, incluindo o tamanho. O povo, quando aceita um dirigente como Trump, compara o especialista, age como o rouxinol, aceitando as trapaças apesar de todas as evidências. Em seu livro, ele denomina esse comportamento de "síndrome do rouxinol." A mentira pode se tornar patológica e deixar de ser simplesmente um comportamento societal? Patrick Clervoy lembra que todos nós, em situações e circunstâncias diferentes, já mentimos alguma vez na vida. Um exemplo é quando somos convidados para jantar e elogiamos um prato que, na verdade, não apreciamos tanto assim – uma mentira inofensiva, que provavelmente todos nós já contamos. Insistir na mentira “Mentir não é patológico, mas insistir em uma mentira, e não conseguir se desvencilhar dela, mostra uma dificuldade, ou uma patologia”, sublinha. No teatro, no cinema ou na literatura não faltam exemplos de personagens mentirosos. O mais célebre deles é Pinóquio, o boneco que vira humano quando, no fim da história, aprende a parar de mentir. O psiquiatra lembra que a mentira tem, de todo modo, um lado “teatral. ” “Sempre há um jogo, como no teatro, entre a verdade e a mentira, e o papel que cada um de nós assume neste jogo. Não é apenas o mentiroso que participa dele. Há também o crédulo, que se opõe à ideia que a verdade venha à tona”, diz. Como saber, nas relações sociais, se estamos diante de um mentiroso ou não? Para o psiquiatra, é impossível iniciar ou manter um relacionamento, amoroso, de amizade ou profissional, sem confiança. “Devemos dar, por princípio, um voto de confiança, mas ter uma postura vigilante, observando, verificando”, declara. “Nossa vida é difícil porque temos que de maneira permanente, julgar a qualidade da relação de confiança”, resume. Relembre:
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16/11 - Mundos físico e digital devem se fundir na saúde em breve
“O cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais”, afirma especialista Na semana passada, entre os dias 9 e 12, o Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021 reuniu especialistas para tratar de um território em franca expansão: a saúde digital. Ninguém mais discute sua validade ou aplicabilidade – essa fase já passou – e sim seu potencial de crescimento. O próximo passo deve ser, inclusive, fazer a medicina embarcar no metaverso, termo que se refere ao mundo virtual que replica a realidade. Como uma expressão de nerds e redes sociais está prestes a envolver os pacientes? Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, usa a teoria dos conjuntos para traçar o cenário dos próximos anos: “antes se imaginava que havia apenas uma área de interseção entre a saúde digital e a presencial, mas agora está claro que há uma união entre esses dois conjuntos, com experiências integradas”. Trocando em miúdos, o mundo físico e o digital caminham para ser uma coisa só. Uma sólida base de informações on-line poderá tornar o atendimento mais ágil e eficiente, como o monitoramento de portadores de diabetes e hipertensão, capaz de reduzir custos e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Imagine chatbots reconhecendo alterações na voz que indiquem a presença de uma enfermidade – é mais ou menos esse o caminho que temos pela frente. David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais” Divulgação Renata Albaladejo, coordenadora de operações da telemedicina do Einstein, enfatizou sua utilização para superar os “vazios demográficos” de especialistas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: “há uma necessidade urgente de qualificar a rede e o atendimento, por isso criamos o ambulatório digital de especialidades médicas”. Desde 2014, a instituição realizou 110 mil teleinterconsultas, nas quais os profissionais discutem o caso on-line, com interações em tempo real, enquanto o paciente é examinado. Ao falar sobre tendências e oportunidades no setor, o médico David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft, disse que assistimos ao empoderamento do consumidor de saúde, que terá acesso e controle dos seus dados, e à migração das informações para prontuários eletrônicos: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais. O cuidado será contínuo e no dia a dia da comunidade”. Ele anunciou uma parceria entre a Microsoft e a Nuance para a criação de um aplicativo que registra a conversa do médico com o paciente e a transforma num documento com todas as informações relevantes da consulta. Não se trata de uma mera gravação: a partir da base de dados que dispõe sobre a especialidade, a inteligência artificial processa a linguagem natural e organiza o relatório como o profissional de saúde faria com suas anotações. Enquanto não chegamos ao estado da arte, temos que enfrentar barreiras de todo tipo, entre as quais uma base de dados ainda muito frágil e falhas na formação do profissional de saúde, como apontou o presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Júnior. “Os futuros jovens talentos precisam entender que a telemedicina é mais uma técnica de cuidado e deve fazer parte do arsenal de que dispõem. Tenho pacientes idosos que escutam mal e preferem a teleconsulta porque, com fones de ouvido, entendem melhor o que está sendo dito. Além disso, outras pessoas, como filhos e cuidadores, podem participar. Há quem insista em permanecer no século passado, com posições estanques e hierarquizadas. Numa UTI, o técnico em oxigenação é tão indispensável para a sobrevivência do paciente quanto o médico e a enfermeira. Entretanto, convivemos com um conservadorismo brutal das sociedades médicas, que temem perder poder. Só que hoje o poder é de todos, porque o leigo também tem acesso à informação”, afirmou.
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14/11 - Sexo na velhice: psicólogo reúne histórias sobre a chama do desejo
Famílias tendem a encarar o comportamento amoroso de idosos como sinal de desvio ou desequilíbrio O psicólogo Fabrício Oliveira acaba de lançar “Sexualidade e longevidade: a essência da maturidade”, pela Portal Edições, e resume: “o apetite pela vida não se esgota com o avançar da idade”. No livro, reúne 27 histórias que falam de vivências sexuais de idosos e ressalta que, dentro do conceito de qualidade de vida, estão incluídas as experiências amorosas: “é preciso compreender que a sexualidade também é passível de ser reinventada. Os limites naturais do corpo envelhecido deveriam ser, ao contrário de empecilhos, gatilhos para outras formas de relações amorosas, não menos prazerosas do que em outras etapas da vida. Afinal, é na relação com outra pessoa que habita a importância da redescoberta e o desejo de viver”, escreve. Fabrício Oliveira: autor de “Sexualidade e longevidade: a essência da maturidade” Divulgação Ele se especializou no atendimento de idosos e luta contra o estereótipo de que a dessexualização é um processo natural da idade: “a pressão social para um comportamento sexual contido é tão intensa que a pessoa idosa não se permite viver sua libido”. Relata que, em sua experiência clínica, as famílias tendem a ignorar os sentimentos dos parentes longevos, como se o desejo e iniciativas sexuais fossem sinal de desvio, desajuste ou desequilíbrio. É assim que desfia histórias como a de Martha, de 72 anos, que descobre que o marido, que não a procura mais, consome pornografia no celular. Fabrício a ajuda a recuperar a autoestima e a resgatar a intimidade conjugal através de um ensaio sensual. Anselmo, de 68, e Laurinda, de 66, também conseguem refazer o caminho para o entendimento sexual, assim como o casal homossexual formado por Meneses e Nil, casados há 35 anos, que acende novamente a chama do relacionamento. Jefferson, por sua vez, decide sair do armário depois de três décadas de um casamento onde há companheirismo, mas nunca houve paixão. Tem o apoio da filha, mas enfrenta a reprovação do filho. Joana, de 65 anos, e Neném, que já chegou aos 70, se relacionam com homens bem mais jovens e se sentem realizadas sexualmente, embora temam a reação da família. Há casos dramáticos, como a do filho que ameaça pedir a curatela da mãe que tenta se livrar do luto que carrega há 25 anos. Todos os depoimentos são reais, apenas os nomes foram trocados. Os diálogos são saborosos e recheados de diálogos – que sirvam para jogar luz nessa discussão. Reprodução da capa do livro Divulgação
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11/11 - Não haverá longevidade ativa sem um planeta saudável
Evento paralelo na COP26 discutiu necessidade de unir as agendas do meio ambiente e do envelhecimento A COP26, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, acaba nesta quinta. Na terça, assisti a debate de um fórum paralelo sobre longevidade, que também estava sendo realizado em Glasgow (Escócia), sede do evento. O recado dos participantes foi claro: não dá para pensar em longevidade ativa sem um planeta saudável. Aliás, costumamos nos referir à natureza como algo externo – o conjunto de florestas, rios e animais – quando somos parte dela. Portanto, com a expectativa de a população mundial bater a casa dos 10 bilhões de seres humanos em 2050, está muito claro que as pessoas se tornarão cada vez mais vulneráveis diante de eventos climáticos violentos. Carol Brayne, professora da faculdade de saúde pública da Universidade de Cambridge: união das agendas de meio ambiente e longevidade Cambridge University “Temos que reunir as agendas do envelhecimento e do meio ambiente numa só, elegendo o combate à pobreza e à desigualdade como fio condutor das políticas públicas. A saúde depende de todos os acontecimentos ao longo do curso de vida de um indivíduo. Ter um meio ambiente saudável é fator indispensável para que consigamos que as pessoas vivam a maior parte de suas existências sem doenças”, resumiu a médica epidemiologista Carol Brayne, professora da faculdade de saúde pública da Universidade de Cambridge. Para Bobby Duffy, diretor do Instituto de Políticas do King´s College London, está na hora de também unir as gerações em torno desse objetivo e derrubar o mito de que somente os jovens se preocupam com o meio ambiente: “governos costumam trabalhar no curto prazo e precisamos de um comprometimento de longo prazo que não separe as políticas ambientais das de saúde e longevidade”. Relatório divulgado no começo do mês pela Associação Norte-americana de Psicologia (APA em inglês) alertou para as consequências das mudanças climáticas na saúde mental. De acordo com o trabalho, o precipício que se avizinha inclui uma penca de problemas relacionados com o aumento da temperatura: crescimento do número de vetores de transmissão de doenças; transtornos respiratórios e alérgicos; e comprometimento do abastecimento de água e alimentos, entre outros. “Os efeitos não são apenas físicos, haverá um ônus mental pesado, como observamos depois de desastres naturais que desorientam as pessoas e provocam estresse pós-traumático, ansiedade e depressão. Os vínculos sociais poderão ser fortemente afetados, com risco de aumento da violência”, afirmou Arthur C. Evans Jr., CEO da entidade.
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10/11 - Bella Hadid desabafa sobre depressão: 'Há sempre uma luz no fim do túnel'
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 11,5 milhões de brasileiros (ou 5,8% da população do país) já tiveram pelo menos um episódio de depressão. É a maior taxa do continente latino-americano. Bella Hadid publicou diversas fotos chorando ao tratar de problemas de saúde mental Reprodução/Instagram/BellaHadid A modelo americana Bella Hadid, 25, veio a público falar sobre a "montanha-russa" que tem sido sua saúde mental, com "crises e burnouts", em meio a um quadro de depressão e ansiedade. Em sua conta no Instagram, onde é seguida por 47 milhões de usuários, ela lembrou a quem estiver sofrendo também que "você não está sozinho". Ela escreveu em resposta a um vídeo da atriz e cantora americana Willow Smith sobre insegurança e ansiedade. Segundo Hadid, o material a fez se sentir "menos sozinha". A modelo compartilhou um trecho desse ao lado de uma série de fotos dela própria chorando. "Rede social não é a realidade. Para quem estiver sofrendo, se lembre disso. Algumas vezes tudo que você precisa ouvir é que não está sozinho", escreveu. "Eu já tive crises e burnouts (síndrome de esgotamento) o suficiente para saber disso: se você trabalha duro o bastante em si mesma, gastando tempo sozinha para entender seus traumas, gatilhos, alegras e rotinas, você sempre será capaz de entender ou aprender mais sobre sua própria dor e como lidar com ela". Essa não é a primeira vez que Hadid fala sobre essas doenças, que enfrenta desde a adolescência. Bella Hadid posa no tapete vermelho do Festival de Cannes Reuters/Johanna Geron Em 2019, por exemplo, a modelo disse no Dia Mundial da Saúde Mental que esse quadro de ansiedade ou depressão "era uma batalha que a maioria de nós já lidou no passado ou está lidando atualmente". Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 11,5 milhões de brasileiros (ou 5,8% da população do país) já tiveram pelo menos um episódio de depressão. É a maior taxa do continente latino-americano. Em seu post, Hadid também compartilhou alguns conselhos com seguidores que podem enfrentar problemas de saúde mental, que podem ser tratados por profissionais especializados como psiquiatras e psicólogos. "Eu quero que você saiba que há sempre uma luz no fim do túnel, e a montanha-russa sempre vai parar completamente em algum momento", disse. "Há sempre espaço para começar de novo, mas para mim sempre foi bom saber que mesmo que ocorra por alguns dias, semanas ou meses, vai melhorar, até certo ponto, mesmo por um momento." Impacto das redes sociais Bella Hadid tem feito críticas a redes sociais e ressaltado que as pessoas com problemas de saúde mental não estão sozinhas Reprodução/Instagram/Bella Hadid Em janeiro deste ano, Hadid afirmou ter se afastado das redes sociais para tentar melhorar sua saúde mental. E ela não é a única. A cantora e compositora americana Lana Del Rey fechou suas contas em setembro, e o músico inglês Ed Sheeran praticamente não usa essas plataformas desde 2015. A empresa que é dona do Instagram, Meta (ex-Facebook), tem sido alvo de críticas crescentes, incluindo uma ex-funcionária que afirmou que a plataforma voltada a fotos e vídeos "era mais perigosa que as outras formas de rede social". Frances Haugen, que denunciou a empresa, afirmou no mês passado que o Instagram tem "inquestionavelmente piorado o ódio (na internet)". Segundo ela, a plataforma se trata de "comparações sociais e sobre corpos, sobre estilos de vida e tudo isso acaba sendo muito pior entre os jovens". Uma pesquisa do instituto de pesquisa Pew, dos Estados Unidos, mostrou que quatro em cada dez americanos já foram alvo de algum tipo de abuso ou agressão na internet. Entre os mais jovens, os ataques virtuais são ainda mais comuns: seis em cada dez pessoas com menos de 30 anos disseram ter passado por isso. Em alguns casos, o ódio pode desencadear uma crise de depressão e outros transtornos mentais. É importante dizer que a ciência ainda não consegue cravar qual é a exata relação entre as redes sociais e a saúde mental. As irmãs Gigi Hadid e Bella Hadid posa no tapete vermelho do VMA 2019 nesta segunda (26) Evan Agostini/Invision/AP Há estudos que apontam que há uma correlação entre o uso de redes sociais e ter depressão, por exemplo. Mas, como qualquer bom cientista vai dizer, correlação não é o mesmo que causa. Pesquisas também indicam que pessoas deprimidas tendem a se refugiar nas redes sociais. E, aí, o que veio primeiro: o ovo ou a galinha? Outro ponto importante: a depressão e outros transtornos mentais têm uma série de causas combinadas, que passam pela genética, o ambiente social e o histórico de vida de uma pessoa. Tipos de depressão Existem classes diferentes de depressão. A depressão que impacta a maioria dos pacientes é a unipolar, também conhecida como transtorno depressivo maior. A causa mais comum é de cunho genético, mas também pode ser provocada por perdas, estresse e até problemas neurológicos. O diagnóstico depende da avaliação do histórico de doenças psiquiátricas da família, e ainda não há exames clínicos, como os de sangue ou ressonância magnética, capazes de identificar o transtorno. LEIA MAIS: Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão Outro tipo é a depressão bipolar, considerada a mais difícil de ser identificada. Um estudo publicado na revista Brasileira de Psiquiatria mostrou que, em média, leva-se oito anos para diagnosticar um paciente com depressão bipolar. O transtorno bipolar do tipo 1 é a forma mais clássica e é caracterizado pela euforia (mania e hipomania). Já o do tipo 2, que é a depressão bipolar, o paciente apresenta quadros de tristeza e hipomania — estado mais leve de euforia, otimismo e, às vezes, agressividade. Uma pessoa deprimida costuma perder o interesse pelas suas atividades cotidianas. Fica triste e desanimada por mais do que alguns dias. Pode ter problemas para dormir ou perder o apetite. Nos casos mais graves, chega a pensar em suicídio. Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda no Centro de Valorização da Vida e o Centro de Atenção Psicossocial (CAP) da sua cidade. O CVV (https://www.cvv.org.br/) funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.
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09/11 - Califórnia e Japão dão lições sobre o envelhecimento ativo
Tecnologia, serviços e leis têm como objetivo facilitar a vida dos idosos Na Califórnia, os gestores das instituições de longa permanência, as “assisted living” (moradias assistidas), terão que providenciar equipamentos de videoconferência para os residentes. A lei, aprovada no começo de outubro, visa não apenas a diminuir o isolamento dos idosos, através de visitas virtuais, mas também pretende facilitar a nova realidade pós-Covid: a expansão da telemedicina e o aumento do número de consultas on-line. No Japão, quase um terço da população tem mais de 65 anos e soluções tecnológicas voltadas para atender a esse público são bem recebidas inclusive pelos idosos Pixabay Outra lei garante aos mais velhos o acesso a uma avaliação cognitiva anual no sistema de saúde conhecido como Medicaid, voltado para as pessoas com menos recursos. Em 2020, havia cerca de 5.8 milhões de norte-americanos com a Doença de Alzheimer, sendo que quase 700 mil eram californianos. No estado, a enfermidade é a quarta causa de mortes e ter ferramentas para mapear precocemente seu surgimento pode proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes. Por falar em qualidade de vida, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão empenhados em dotar os robôs de habilidade sociais que levem para outro nível sua interação com seres humanos. Dessa forma, poderiam ser empregados em instituições de longa permanência. “Robôs estarão presentes em nosso dia a dia em breve e precisam aprender a se comunicar em termos humanos. Precisam entender quando é hora de ajudar e quando devem se limitar a observar para prevenir que algo aconteça. Estamos dando os primeiros passos, apenas arranhando a superfície”, afirmou o cientista Boris Katz. No Japão, uma das nações com maior percentual de idosos – quase um terço da população tem mais de 65 anos – soluções tecnológicas voltadas para atender esse público têm sido estimuladas e são bem recebidas inclusive pelos mais velhos. Na prateleira dos serviços e produtos “age tech”, vêm se multiplicando as pesquisas para o desenvolvimento de “wearables” (vestimentas ou calçados que monitoram o indivíduo e produzem informações que podem ser compartilhadas); exoesqueletos, estruturas que aumentam a força e a resistência do corpo, facilitando a mobilidade; e robôs de companhia. Estima-se que, lá, o tamanho do mercado voltado ao envelhecimento estará na casa dos 950 bilhões de dólares em 2025, superando segmentos como o automobilístico, o de finanças e eletrônicos. Somente nos Estados Unidos há algo com a mesma envergadura. Os japoneses têm uma expectativa de vida maior que qualquer outro povo e cultivar hábitos saudáveis faz parte de sua cultura, de maneira que os idosos são fisicamente ativos e se engajam em atividades comunitárias. Temos lições para aprender e caminhos para trilhar.
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07/11 - Problemas com gases afetam a maioria dos adultos
De acordo com pesquisa, mais de 80% das pessoas sentem algum tipo de desconforto diariamente O assunto não é dos mais agradáveis, mas o problema não conhece fronteiras: estudos mostram que, em média, um adulto pode expelir gases 20 vezes por dia. De acordo com pesquisa apresentada no UEG Week Virtual, evento internacional de gastroenterologia ocorrido mês passado, oito em cada dez adultos relatam sintomas relacionados à flatulência com frequência quase diária. A questão é que, embora soltar puns seja considerado um processo normal do organismo, está longe de ser socialmente aceitável. O resultado? Tais manifestações estão associadas a uma pior qualidade de vida, ansiedade, estresse e até depressão. Gases: mais de 80% das pessoas sentem algum tipo de desconforto diariamente Mabel Amber para Pixabay Os gases intestinais, ou flatos, encabeçam a lista: 81.3% dos entrevistados reclamaram dos seus puns. Os constrangedores roncos da barriga ficaram em segundo lugar, com 60.5% das citações. Em terceiro, vieram os arrotos (58%), seguidos por mau hálito (48.1%), sensação de estufamento abdominal (47.2%) e inchaço do abdômen (39.6%). Somente 11% afirmaram não sentir nada. O levantamento ouviu 6 mil pessoas, entre 18 e 99 anos, nos Estados Unidos, Reino Unido e México. Na média, os participantes haviam sido afetados por cerca de três sintomas diferentes nas últimas 24 horas. O trabalho foi conduzido por cientistas do Rome Foundation Research Institute, que encontraram uma correlação entre um alto índice de queixas e um impacto negativo na qualidade de vida, principalmente no grupo entre 18 e 49 anos. No mesmo evento da UEG (United European Gastroenterology), organização que reúne 30 mil profissionais da gastroenterologia, um outro estudo apontou que 11% da população mundial experimentam, com frequência, dor abdominal depois das refeições. Mais de 54 mil pessoas, de 26 países, foram entrevistadas on-line, e o desconforto era mais comum na faixa entre 18 e 28 anos. Os que sempre sentiam dor ainda enfrentavam incômodos como sensação de estufamento e abdômen inchado. Esse grupo era também o que apresentava maior sofrimento psicológico: 36% dos pacientes tinham ansiedade, enquanto o percentual caía para 25% entre os relatavam sintomas ocasionais e 18% entre os assintomáticos. A chave para resolver o mal-estar está numa dieta com o objetivo de diminuir a flatulência, já que não é possível eliminá-la totalmente. No caso das leguminosas (feijão, lentilhas, ervilhas), o melhor é deixar os grãos de molho durante a noite antes de cozinhá-los. A maior parte dos gases é produzida no intestino por carboidratos que não são quebrados na passagem pelo estômago. No intestino, que não produz enzimas para digerir esses alimentos, eles acabam sendo fermentados por bactérias, processo que produz e libera os gases. Mastigue bem, beba bastante líquido e não fale muito durante as refeições, para diminuir o volume de ar deglutido. Por último, nosso mantra: caminhe, exercite-se!
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04/11 - Consórcio vai criar atlas da senescência molecular
Mapeamento pode mudar o tratamento de doenças relacionadas à velhice Nesse maravilhoso sistema que é o corpo humano, as células se dividem e se multiplicam para substituir as que envelhecem e também para reparar estragos. No entanto, essa capacidade é afetada por inúmeros fatores, entre os quais está o envelhecimento, e dá origem às células senescentes. Além de perder a “habilidade” de se renovar, elas se acumulam e, sem função, se transformam numa espécie de “lixinho” que aumenta o risco para o surgimento de doenças cardiovasculares e pulmonares, câncer e demência. Como esses acúmulos de células senescentes representam pequenas ilhas no vasto oceano do organismo, seu estudo ainda era limitado, mas uma iniciativa ousada pretende mudar o cenário: a criação de um atlas da senescência celular para entender seu desenvolvimento e abrir caminho para novas terapias voltadas para curar doenças relacionadas ao envelhecimento. O consórcio SenNet (Cellular Senescence Network) contará com 16 equipes e terá um orçamento de 125 milhões de dólares, garantido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH em inglês), que reúnem centros de pesquisa biomédica nos Estados Unidos. Toren Finkel: professor de cardiologia e diretor do centro de envelhecimento da Universidade de Pittsburgh Divulgação: UPMC Dois projetos são liderados pela Universidade de Pittsburgh e receberão 31 milhões de dólares ao longo de cinco anos. O objetivo: mapear a senescência das células no coração e nos pulmões. Como cartógrafos moleculares, os cientistas vão pesquisar e descrever todos os aspectos de expressão gênica dessas células em tecidos e organoides criados em laboratório. “Não sabemos se a senescência celular é uma coisa ou várias coisas”, afirmou Toren Finkel, professor de cardiologia e diretor do centro de envelhecimento da universidade. “Comparando com o câncer, sabemos que linfomas são diferentes de um câncer pulmonar ou pancreático, embora todos sejam cânceres. Queremos entender como as células senescentes se comportam em diferentes tecidos e diante de diferentes tipos de estresse”, concluiu. O consórcio tem como meta mapear o maior número de órgãos e, no fim do levantamento, o atlas será publicado on-line para que outros pesquisadores possam explorar as informações. Entender esses mecanismos pode levar à criação de novas terapias capazes de localizar e destruir células envolvidas com o desenvolvimento de doenças relacionadas ao envelhecimento.
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02/11 - Saúde dos mais velhos está associada à motivação
Pesquisadores enfatizam que a discriminação é extremamente perniciosa, afetando a capacidade de engajamento dos idosos Divididas em quatro periódicos diferentes, “The Journals of Gerontology” são as primeiras revistas científicas sobre envelhecimento publicadas nos Estados Unidos. No início de outubro, foi lançado um número contendo nove artigos, que podem ser lidos gratuitamente, que se concentram numa “receita” para o envelhecimento saudável: motivação. No suplemento, pesquisadores revisaram estudos realizados na área da ciência da motivação, que investiga o que as pessoas desejam, rejeitam ou temem; como transformam esses sentimentos em objetivos a serem alcançados; de que forma continuam apegadas a essas metas ou se as abandonam; e como se dá todo o processo ao longo do tempo. Saúde dos idosos: a discriminação é perniciosa porque afeta a capacidade de engajamento, não somente em atividades prazerosas, mas inclusive no controle de doenças crônicas Ramses51 para Pixabay O trabalho é resultado de três oficinas interdisciplinares que reuniram profissionais de áreas como psicologia, psiquiatria, neurociência, geriatria, gerontologia e saúde pública. Juntos apontam para o papel central da motivação para envelhecer bem. Num deles, “Effort mobilization and healthy aging” (“O esforço da mobilização e o envelhecimento saudável”), os autores enfatizam que, embora as pessoas tenham conhecimento sobre a necessidade de manter um estilo de vida saudável, resultados positivos dependem de empenho – esforço e persistência estão ligados não apenas a fatores físicos, mas também psicológicos e sociais. Como era de se esperar, os pesquisadores ressaltam que a discriminação é extremamente perniciosa para os idosos: sua carga negativa causa estresse e reduz a autoestima, afetando sua capacidade de engajamento – não somente em atividades prazerosas, mas inclusive no controle de doenças crônicas. Eu complementaria: é o equivalente a envenená-los. Por isso, conexões sociais significativas funcionam como uma rede de proteção para alimentar o que os japoneses chamam de ikigai: um motivo para sair da cama todos os dias. Além disso, pregam que as políticas públicas de saúde deveriam oferecer à população suporte para mudanças comportamentais e a adoção de hábitos saudáveis, que vai se refletir na velhice. A “receita” está dada, mas cabe à sociedade como um todo fazer com que aconteça.
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31/10 - Saúde da mulher e menopausa, um filão bilionário
Esta é uma das áreas mais promissoras para investimentos porque 80% das decisões de compra dos produtos passam pelo crivo feminino Na mídia norte-americana, expressões como “menoculture” (cultura da menopausa) e “menotech” (tecnologia a serviço da menopausa) começaram a pipocar. O que isso quer dizer? Que o gigantesco mercado composto por mulheres entre a perimenopausa – os anos anteriores à derradeira menstruação – e a pós-menopausa está na berlinda. E não está sozinho, porque faz parte de um segmento ainda maior, em ebulição, conhecido como “femtech”, de empresas de tecnologia voltadas para o público feminino. Em artigo da consultoria Wunderman Thompson, Anu Duggal, fundadora do Female Founders Fund, que financia empreendedoras, afirmou: “esta é uma das áreas mais promissoras para investimentos, já que as mulheres controlam 80% das decisões de compra dos produtos da indústria de cuidados com a saúde, cujo volume total de negócios está na casa dos US$ 3.5 trilhões”. Anu Duggal, fundadora do Female Founders Fund, que financia empreendedoras: “as mulheres controlam 80% das decisões de compra dos produtos da indústria de cuidados com a saúde” Divulgação No primeiro semestre, a Fawcett Society, instituição britânica pelos direitos das mulheres, realizou uma pesquisa com trabalhadoras em Londres para entender melhor como os sintomas da menopausa e o comportamento dos empregadores afetam a carreira de quem está atravessando essa fase. De acordo com o Office for National Statistics, o equivalente ao IBGE do país, mulheres acima dos 50 anos representam 13% da mão de obra no país. Os resultados serão divulgados no fim do ano e o objetivo é que sirvam de parâmetro para que as companhias criem uma cultura mais acolhedora para suas colaboradoras. A startup Grace criou bracelete que detecta as ondas de calor provocadas pela menopausa e emana sensações refrescantes quando elas ocorrem Divulgação Numa de suas últimas edições, a revista “The Economist” publicou reportagem sobre o boom das “femtechs”, afirmando que tal mercado pode passar dos 22.5 bilhões de libras, referentes ao ano de 2020, para 65 bilhões, em 2027. Entretanto, ano passado as empresas focadas em resolver problemas do público feminino receberam apenas 3% de todo o investimento para tecnologia da saúde. Miopia da grossa, porque as mulheres são 75% mais propensas que os homens a adotar ferramentas digitais para cuidar da saúde. Já escrevi sobre o tema: questões femininas têm sido negligenciadas porque a medicina e a ciência ainda privilegiam estudar os homens. Até chegarmos a esse momentum que, diga-se de passagem, ocorre principalmente por motivos mercadológicos, vivemos um longo histórico de ignorar as características que tornam nosso organismo bem diferente do masculino. Duas pesquisas recentes apontam para essa desigualdade: na primeira, uma revisão de 56 testes clínicos voltados para a Doença de Alzheimer, abrangendo quase 40 mil participantes, mostrou que apenas 12.5% dos artigos esmiuçavam a questão do gênero, embora dois terços dos pacientes com a enfermidade sejam mulheres. O segundo trabalho, publicado pela Academia Norte-americana de Neurologia, identificou que as mulheres estão sub-representadas nos testes clínicos de derrames. Hora de virar o jogo.
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31/10 - Mudanças climáticas: a inesperada forma com que os tubarões podem ajudar
Em todo o mundo, as populações de tubarões estão em declínio — aumentar estes números poderia ter um efeito em cascata para ajudar a sequestrar o carbono e tornar os oceanos mais resistentes às mudanças climáticas. Os tubarões-tigre têm um impacto de longo prazo em seus ecossistemas e podem ajudar a combater as mudanças climáticas Getty Images/BBC Na ponta mais ocidental da Austrália, na chamada Shark Bay, pelo menos 28 espécies de tubarões nadam em suas águas cristalinas e pradarias marinhas — as maiores do mundo. Os tubarões-tigre, em particular, são frequentadores habituais da enseada de Shark Bay. Estes enormes peixes predadores passam seus corpos de 4,5 m pelas ervas marinhas, pegando de vez em quando um imponente peixe-boi que está no caminho como refeição. Embora a presença de tubarões-tigre seja uma ameaça para suas presas, esses predadores são cruciais para a saúde do ecossistema marinho que sustenta ambas as espécies. Na verdade, apesar da conhecida reputação dos tubarões entre os humanos, eles também podem ser um aliado poderoso para conter as mudanças climáticas. LEIA MAIS: Veja em 7 pontos como será a vida na Terra nos próximos 30 anos, segundo a ONU Um guia rápido para entender as mudanças climáticas PODCAST - ESPECIAL CLIMA: ouça todos os episódios da série de O Assunto Tudo começa com os finos fios de ervas marinhas que balançam com as ondas na parte rasa de Shark Bay. Esta erva marinha serve de alimento para os peixes-boi e dugongos — que consomem cerca de 40 kg de ervas marinhas por dia —, assim como para manatis e tartarugas-verdes. Os dugongos, que podem pesar até 500 kg, são uma rica fonte de alimento para os tubarões-tigre. Ao manter a população de peixes-boi sob controle, os tubarões-tigre em Shark Bay ajudam as pradarias marinhas a prosperar. Uma pradaria marinha próspera armazena duas vezes mais CO² por milha quadrada do que as florestas normalmente armazenam em terra. Mas, globalmente, o número de tubarões-tigre está diminuindo, incluindo algumas populações na Austrália. Na costa nordeste de Queensland, estima-se que as populações de tubarões-tigre tenham caído em pelo menos 71%, devido principalmente à pesca predatória e à captura acidental. Uma redução no número de tubarões-tigre significa mais ervas marinhas sendo consumidas por herbívoros, o que significa que menos carbono é sequestrado pela vegetação marinha. No Caribe e na Indonésia, onde as populações de tubarões diminuíram, a pastagem excessiva por herbívoros, como tartarugas marinhas, já é uma ameaça profunda aos habitats de ervas marinhas — e levou a uma perda de 90 a 100% das ervas marinhas. Além de significar que menos carbono é absorvido, a perda de ervas marinhas também torna o habitat menos capaz de se recuperar de eventos climáticos extremos causados ​​por mudanças climáticas, como ondas de calor. Uma das piores ondas de calor da Austrália Ocidental ocorreu em 2011, com a temperatura do oceano subindo até 5°C durante dois meses. Shark Bay viveu uma intensa onda de calor em 2011, fazendo com que a temperatura da água subisse até 5ºC por dois meses Getty Images/BBC A onda de calor foi catastrófica para a espécie dominante de ervas marinhas da baía, a Amphibolis antarctica, que forma pradarias ricas e densas que retêm sedimentos e fornecem alimento para os herbívoros. Mais de 90% da Amphibolis antarctica foi perdida, a maior perda conhecida em toda a baía. Esta perda de ervas marinhas foi, perversamente, um deleite para os peixes-boi, que adoram um tipo de erva marinha tropical menor e mais difícil de encontrar, normalmente protegida pela alta e densa Amphibolis antarctica. Quando as ervas marinhas tropicais estão mais acessíveis, os peixes-boi em seu entusiasmo são conhecidos por procurá-las de forma destrutiva, o chamado "forrageamento de escavação", desenterrando os rizomas de suas ervas marinhas preferidas e tornando mais difícil para o denso leito da Amphibolis antarctica se recompor. Em Shark Bay, os tubarões-tigre foram de alguma forma capazes de restaurar o equilíbrio, mantendo o número de peixes-boi baixo, e nem todas as ervas marinhas da baía foram perdidas. Mas isso levantava a seguinte questão: e se os tubarões estivessem ausentes da baía — o ecossistema dominado pela Amphibolis antarctica sobreviveria? Para descobrir, pesquisadores liderados por Rob Nowicki, da Universidade Internacional da Flórida, nos EUA, passaram um tempo no leste da Austrália, onde o número de tubarões era menor, e os peixes-boi pastavam praticamente sem serem perturbados. Lá, os mergulhadores desceram e arrancaram as ervas marinhas, simulando a pastagem dos peixes-boi quando não havia predadores para detê-los— o entusiasmado e destrutivo forrageamento de escavação. Os peixes-boi e dugongos podem ser herbívoros destrutivos, arrancando as espécies de ervas marinhas que ajudam a manter o ecossistema unido Getty Images/BBC Sem dúvida, eles observaram uma perda rápida na cobertura de ervas marinhas, particularmente de Amphibolis antarctica, e o ecossistema começou a mudar para um cenário mais tropical, dominado por ervas marinhas tropicais. "Aprendemos que, quando não é controlada, a pastagem dos dugongos pode destruir rapidamente grandes áreas de ervas marinhas quando realizam o forrageamento de escavação", diz Nowicki. Essas mudanças podem ser duradouras. "Quando as ervas marinhas se recuperam, a comunidade de ervas marinhas parece diferente, com espécies diferentes dominando." Estas descobertas enfatizaram o papel que os tubarões estavam desempenhando em Shark Bay. "Sem os tubarões-tigre controlando os dugongos, a baía provavelmente se converteria em sua maioria em ervas marinhas tropicais", afirma Nowicki. Se as populações de tubarões continuarem diminuindo no ritmo que estão ao redor do mundo, a resiliência dos ecossistemas oceânicos ricos em carbono a eventos climáticos extremos, como ondas de calor, provavelmente ficará comprometida, concluiu a equipe de Nowicki. Dito isso, Becca Selden, professora assistente de Ciências Biológicas no Wellesley College, nos EUA, diz que as consequências para Shark Bay podem ser mais profundas do que para a maioria, devido ao seu ecossistema único. "O forte efeito pode ter sido reforçado por sua cadeia alimentar comparativamente simples no ecossistema de ervas marinhas, em que os predadores limitam a pastagem por um megaherbívoro", explica Seldon. Em outras palavras, outros habitats costeiros podem não se sair tão mal quanto Shark Bay quando colocados sob pressão semelhante. Além de manter o número de peixes-boi baixo e tornar os ecossistemas de ervas marinhas mais resistentes, os tubarões-tigre também desempenham outro papel crucial na manutenção da saúde do habitat. Eles agem como fertilizantes potentes quando evacuam e quando morrem nas pradarias. "Vertebrados longevos podem atuar como sumidouros de carbono quando o carbono consumido na superfície do oceano é transferido para o fundo do oceano por fezes e/ou carcaças que caem no fundo do mar", diz Selden. Esse fenômeno, conhecido como sequestro de carbono, é bem conhecido no caso das baleias, mas há pesquisas que mostram que os mesmos benefícios existem quando se trata de tubarões. Um estudo conduzido por Jessica Williams, da Universidade Imperial College London, no Reino Unido, descobriu que os tubarões-cinzentos-dos-recifes, comumente encontrados em ecossistemas de recifes rasos, transferem nutrientes como nitrogênio para seus habitats por meio de matéria fecal. Eles estimaram que a população de mais de 8 mil tubarões cinzentos no Atol de Palmyra fornecia cerca de 94,5 kg de nitrogênio por dia. Com o número global de tubarões diminuindo, a necessidade de entender como eles sustentam seus ecossistemas se torna ainda mais premente Getty Images/BBC Como os tubarões-tigre em Shark Bay passam muito tempo caçando e se movendo pelos leitos de ervas marinhas, é provável que forneçam benefícios fertilizantes semelhantes a essas plantas. "Os grandes tubarões pelágicos podem ser os colaboradores mais importantes para esse efeito, incluindo o tubarão-azul, o tubarão-mako e o tubarão-martelo", afirma Selden. Quando se trata de aumentar o número de tubarões, os conservacionistas enfrentam um adversário formidável: a indústria pesqueira. De acordo com Nowicki e Selden, tem havido um movimento em direção a uma pesca mais sustentável, mas uma grande parte da indústria não modificou seus métodos, o que é um dos principais motivos pelos quais muitos superpredadores marinhos continuam em declínio. A variação no rigor das leis de proteção animal entre os diferentes países também desempenha um papel nisso. "Como muitos peixes predadores também são abrangentes, eles podem abranger as jurisdições de muitas nações, algumas das quais podem não protegê-los ou adotar práticas pesqueiras sustentáveis", diz Nowicki. Reduzir a pesca ilegal e não sustentável tem sido uma batalha difícil, embora os consumidores estejam se tornando mais conscientes do ponto de vista ambiental e escolhendo pescados sustentáveis, ​​em vez de não sustentáveis. "A gestão sustentável, coordenada e baseada no ecossistema da pesca é uma ferramenta importante para conservar esses predadores e seu papel ecológico. Os cidadãos comuns podem fazer isso se informando, lendo sobre ciência, exigindo que a pesca se torne ou permaneça sustentável e comprando frutos do mar sustentáveis", sugere Nowicki. Se você não tiver certeza de quais frutos do mar são realmente sustentáveis, o Marine Stewardship Council (MSC) avalia a pesca internacionalmente — portanto, se um distribuidor for certificado como sustentável, haverá um selo azul do MSC na embalagem. E além de apoiar a pesca sustentável, Nowicki diz que a única maneira de proteger verdadeiramente a vida marinha é reduzindo nossas emissões globais de gases de efeito estufa. "Em última análise, se vamos conservar nossos ecossistemas nos séculos que virão, precisaremos resolver as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, cuidar da conservação das espécies." Mesmo se as populações de tubarões forem restauradas para números mais abundantes, sua contribuição para a mitigação e sequestro do carbono será apenas uma pequena parte no esforço para conter as mudanças climáticas. Mas a abundância de tubarões tem um efeito em cascata inegável sobre os diversos ecossistemas marinhos que dependem de ervas marinhas abundantes e saudáveis ​​de uma forma ou de outra. Ao nivelar o campo de jogo ecológico, os tubarões estão fortalecendo esses ecossistemas contra a ameaça da mudança climática, para que possam viver para sequestrar carbono mais um dia. Protestos pelo mundo antes da COP26: manifestantes tomam as ruas contra mudanças climáticas
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28/10 - Condição da visão está associada a risco aumentado para demência
Pesquisa alerta para o perigo de problemas como degeneração macular, catarata e doenças relacionadas ao diabetes Publicada em setembro no “British Journal of Ophthalmology”, pesquisa sugere uma associação entre alterações de visão causadas por catarata, degeneração macular relacionada à idade e problemas do olho atrelados ao diabetes e o declínio cognitivo. É preciso esclarecer que a incidência de questões oftalmológicas aumenta com a idade, assim como a de doenças crônicas, numa espécie de círculo vicioso no qual se acrescenta mais um dado: a diminuição da capacidade visual pode significar um volume menor de estímulos, acelerando um quadro desfavorável. Pesquisa alerta para a relação entre problemas como degeneração macular, catarata e doenças associadas ao diabetes e o risco aumentado para demência Analogicus para Pixabay Para esclarecer o real vínculo entre condições oftalmológicas adversas e uma maior incidência de demência – independentemente das enfermidades do paciente – os autores do estudo analisaram informações de mais de 12 mil adultos, com idades que variavam entre 55 e 73 anos, que constavam do gigantesco banco de dados britânico conhecido como UK Biobank. Os participantes foram avaliados entre 2006 e 2010 e acompanhados até o começo de 2021. Nesse período, 2.304 casos de demência foram diagnosticados. Em comparação com as pessoas que não apresentavam complicações oftalmológicas no início do estudo, o risco de demência era 61% maior para aquelas que tinham problema de visão associados ao diabetes; 26% maior para os portadores de degeneração macular; e 11% maior para quem tinha catarata. O glaucoma não foi vinculado ao desenvolvimento de Doença de Alzheimer, mas os pesquisadores mapearam sua ligação com uma chance aumentada para demência vascular. No começo do estudo, os participantes respondiam a questionário no qual deveriam dizer se haviam sofrido infarto ou derrame; se eram hipertensos ou diabéticos; e se haviam sido diagnosticados com depressão, já que essas são condições associadas ao risco maior de demência. No entanto, ter uma alteração oftalmológica, além de uma das doenças crônicas, potencializava as chances de uma situação negativa.
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27/10 - Análise genética revela origem de múmias misteriosas encontradas no interior da China
Múmias de Tarim são descendentes de um grupo indígena asiático há muito desaparecido e não têm relação com grupos indo-europeus migrantes como se chegou a pensar. Múmia de mulher do cemitério de Xiaohe, na Bacia de Tarim Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology Desde o final da década de 1990, a descoberta de centenas de restos humanos naturalmente mumificados datando de cerca de 2.000 a.C. a 200 d.C. na área da Bacia de Tarim, na região chinesa de Xinjiang, atrai atenção internacional devido à sua aparência física "ocidental", suas roupas de lã e sua atividade agropastoril que incluía gado, ovelhas e cabras, trigo, cevada, painço e até queijo kefir. Enterradas em caixões de barco em um deserto árido, as múmias de Tarim há muito intrigam os cientistas e inspiram inúmeras teorias sobre suas origens enigmáticas. Compartilhe esta notícia no WhatsApp Compartilhe esta notícia no Telegram A atividade econômica dessas pessoas, centralizada no gado, e a aparência física incomum levaram alguns estudiosos a especular que elas eram descendentes de pastores Yamnaya, uma sociedade da Idade do Bronze altamente móvel das estepes da região do Mar Negro, no sul da Rússia. Outros acreditavam que suas origens vinham das culturas de oásis do deserto da Ásia Central do Complexo Arqueológico Bactria-Margiana, um grupo com fortes laços genéticos com os primeiros agricultores do planalto iraniano. Para entender melhor a origem da população fundadora das múmias da Bacia do Tarim, que primeiro se estabeleceram na região em locais como Xiaohe e Gumugou por volta de 2.000 AC, uma equipe internacional formada por especialistas de China, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha analisou dados genéticos de treze das primeiras múmias conhecidas da Bacia de Tarim, datando de cerca de 2.100 a 1.700 a.C., junto com cinco indivíduos que datam de cerca de 3.000 a 2.800 a.C. numa bacia vizinha, a de Dzungarian. LEIA TAMBÉM: A surpreendente história por trás da 1ª múmia egípcia grávida descoberta PERU: Arqueólogos descobrem restos mortais com mais de mil anos de 29 pessoas ISRAEL: Espada que pode ser das Cruzadas e ter mais de 900 anos é encontrada no mar Cemitério de Xiaohe, onde foram encontradas as Múmias de Tarim Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology Para grande surpresa dos pesquisadores, descobriu-se que as múmias de Tarim não eram recém-chegadas à região, mas parecem ser descendentes diretos de uma população local que havia praticamente desaparecido no final da última Idade do Gelo. Essa população, conhecida como Antigos Eurasianos do Norte (ANE, na sigla em inglês) sobrevive apenas numa fração dos genomas das populações atuais, com as populações indígenas na Sibéria e nas Américas tendo as maiores proporções conhecidas, cerca de 40%. Em contraste com as populações de hoje, as múmias da Bacia do Tarim não mostram nenhuma evidência de mistura com quaisquer outros grupos de sua época, formando em vez disso um grupo isolado anteriormente desconhecido que provavelmente passou por um gargalo genético extremo e prolongado antes de se estabelecer na Bacia do Tarim. “Os arqueogeneticistas há muito procuram por populações de ANE do Holoceno para compreender melhor a história genética da Eurásia interior. Encontramos no lugar mais inesperado ”, diz Choongwon Jeong, autor sênior do estudo e professor de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Seul. Sem mistura Diferentemente da Bacia do Tarim, os primeiros habitantes da vizinha Bacia Dzungarian descendiam não só de populações locais, mas também de populações pastoris de estepe ocidentais, como os Afanasievo, um grupo com fortes ligações genéticas com os Yamanya da Idade do Bronze inicial. A caracterização genética dos Dzungarians do início da Idade do Bronze também ajudou a esclarecer a ancestralidade de outros grupos pastoris conhecidos, como os Chemurchek, que mais tarde se espalharam para o norte nas montanhas Altai e na Mongólia. As descobertas da mistura genética em toda a Bacia de Tarim ao longo da Idade do Bronze tornam ainda mais notável que as múmias da Bacia de Tarim não exibiam nenhuma evidência de terem se misturado. No entanto, embora os grupos da Bacia do Tarim estivessem geneticamente isolados, eles não eram isolados culturalmente. A análise de seus cálculos dentários confirmou que a produção leiteira de gado, ovelhas e cabras já era praticada pela população fundadora, e que eles estavam bem cientes das diferentes culturas, cozinhas e tecnologias ao seu redor. “Apesar de serem geneticamente isolados, os povos da Idade do Bronze da Bacia do Tarim eram notavelmente cosmopolitas do ponto de vista cultural - eles construíram sua culinária em torno de trigo e laticínios do oeste da Ásia, painço do leste da Ásia e plantas medicinais como a ephedra, da Ásia Central ”, diz Christina Warinner, autora sênior do estudo, professora de Antropologia da Universidade Harvard e pesquisadora líder de grupo no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha. “Reconstruir as origens das múmias da Bacia do Tarim teve um efeito transformador em nossa compreensão da região, e continuaremos o estudo de genomas humanos antigos em outras eras para obter uma compreensão mais profunda da história da migração humana nas estepes da Eurásia”, afirmou Yinquiu Cui, autor sênior do estudo e professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin. VEJA TAMBÉM Mamute no século 21? Projeto pode recriar animal extinto há mais de dez mil anos (veja vídeo abaixo) Mamute no século 21? Projeto pode recriar animal extinto há mais de dez mil anos
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26/10 - Fonoaudiologia aprimora a capacidade de comunicação de idosos
Especialistas afirmam que foco deveria ser na prevenção, e não apenas no tratamento de patologias A longevidade trouxe à tona uma questão que antes passava meio despercebida: nossa voz também envelhece. São mudanças que impactam não somente idosos frágeis, mas quem ainda está na ativa – e assim pretende continuar até uma idade avançada. Por isso, o papel da fonoaudiologia para manter e aprimorar a competência comunicativa ganha cada vez mais espaço, e foi um dos temas do Congresso da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, realizado entre os dias 13 e 16. Para a fonoaudióloga Renata Azevedo, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), trata-se de uma ferramenta indispensável atualmente: “trabalhar a competência comunicativa de uma pessoa possibilita que a voz dê vazão às suas demandas e necessidades”, resumiu. E por que a especialista diz isso? Cerca de 50% dos idosos relatam enfrentar momentos de disfonia, o que significa apresentar algum tipo de dificuldade na emissão vocal que impeça ou atrapalhe a produção natural da voz. A professora ressaltou que o estilo de vida se reflete na voz na maturidade: hábitos como o consumo de álcool e cigarros, alimentação e sono de má qualidade, sedentarismo, excesso de estresse – todas as variáveis terão peso, mas, mesmo diante de mudanças no organismo, é possível potencializar os recursos existentes. Comunicação inclui voz, articulação, clareza, dinamismo, fluência, gestos. Perder parte desses atributos tem impacto em atividades profissionais e de lazer Joseph Shohmelian para Pixabay Com o envelhecimento, a laringe sofre duas alterações relevantes do ponto de vista fisiológico: o enrijecimento das cartilagens e a flacidez da musculatura. A rigidez impede a variação de tom e deixa a voz agudizada. Ela vai se tornando mais frágil, com menor projeção e intensidade, e é comum que saia “tremida”. A flacidez leva à perda do tônus muscular. Comunicação inclui voz, articulação, projeção, clareza, inteligibilidade, dinamismo, fluência, gestos. Perder parte desses atributos tem impacto em atividades profissionais e de lazer, nos relacionamentos e nas interações sociais. Em última instância, pode levar ao isolamento e à solidão. Nos casos de demência, Juliana Onofre de Lima, mestre e doutora pela Unifesp, e professora da UnB, enfatizou a importância de a abordagem fonoaudiológica não ocorrer apenas quando a doença está num estágio avançado. É comum que idosos só recebam atendimento quando já apresentam problemas de disfagia, que se caracteriza pela dificuldade na sequência dos movimentos da boca até o estômago ao engolir alimento, líquido, comprimido ou mesmo a saliva. “Intervenções voltadas para aprimorar a comunicação têm como objetivo maximizar a independência da pessoa pelo maior tempo possível, otimizando sua participação em atividades e incrementando sua qualidade de vida”, afirmou. Através de treino e estimulação, é possível que um paciente consiga se envolver em tarefas do dia a dia, o que, certamente, vai melhorar sua autoestima.
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24/10 - Perguntas para fazer a seu médico sobre câncer e sexo
Combater a doença é a prioridade, mas as consequências para a sua vida sexual também importam Um diagnóstico de câncer é sempre um golpe duro de se absorver. A sensação de que um buraco se abriu no chão e despencaremos em queda livre é real. Felizmente, um número cada vez maior de pacientes se recupera e retoma suas atividades. No entanto, uma questão ainda é pouco debatida nos consultórios, principalmente pelas mulheres: o sexo. Homens diagnosticados com câncer de próstata recebem um volume razoável de informações para dissipar os temores relacionados a um quadro de disfunção erétil e incontinência urinária, mas o mesmo não se aplica para nós. Combater o câncer é a prioridade, mas o resto da sua vida, o que inclui o sexo, também importa Cristhiane Louback para Pixabay Claro que combater o câncer é a prioridade no momento, mas o resto da sua vida – o que inclui a atividade sexual – também importa. Há perguntas que devem ser feitas ao oncologista e, se ele não souber responder, busque um profissional que possa ajudar. Assisti a uma palestra da médica ginecologista Stacy Tessler Lindau, professora da Universidade de Chicago, e tomei conhecimento do WomanLab, sob sua direção: trata-se de uma plataforma voltada para preservar e recuperar a função sexual feminina depois de tratamentos oncológicos, problemas cardíacos e nos desafios da menopausa. Apesar do turbilhão de emoções depois do diagnóstico, o ideal é discutir o assunto antes do início do tratamento. Deixar para depois pode significar uma dificuldade ainda maior para voltar a ter prazer. Começo por três questões fundamentais que devem ser formuladas: 1) Entre as opções de tratamento, há alguma que poderia garantir, ao mesmo tempo, uma boa chance de recuperação e preservar minha função sexual? 2) Há algo que eu deva saber ou fazer antes de começar o tratamento que possa ajudar a preservar ao máximo minha função sexual? 3) Devo parar de fazer sexo e, em caso positivo, quando será possível voltar a ter relações? Não se conforme com uma resposta do tipo: “isso agora não tem relevância, o importante é encarar o tratamento”. Quanto mais jovem for a paciente e melhor for o prognóstico, mais sentido terão essas perguntas. E há muitas outras como, por exemplo, o impacto da quimioterapia: ela vai interferir na função ovariana e provocar menopausa? De que forma isso vai prejudicar a vida sexual? Será possível se beneficiar de terapia de reposição hormonal para combater sintomas como ressecamento vaginal e falta de libido? Haverá chance de engravidar depois, ou de fazer um tratamento de fertilização? No caso de ser necessário fazer radioterapia na área genital, como prevenir efeitos colaterais que afetarão o sexo? Se houver a indicação de mastectomia, levante todos os detalhes referentes à reconstrução: quando poderá ser feita e seus riscos; se haverá perda de sensibilidade dos mamilos e dos seios. Parceiros e parceiras devem ser envolvidos em todo o processo, porque é comum que, depois de vencida a doença, os distúrbios sexuais sejam encarados como problemas psicológicos.
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19/10 - VÍDEOS: Vítimas do negacionismo
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18/10 - Hospital do Rim em SP vai começar a testar em pacientes transplantados soro anti-Covid desenvolvido pelo Butantan
Material, produzido a partir do plasma de cavalos, não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para diagnosticados com a doença. Testes foram autorizados pela Anvisa no início de maio. Entenda como funciona o soro anti-Covid O Hospital do Rim, na Vila Clementino, Zona Sul da cidade de São Paulo, vai começar nas próximas semanas a testar o soro anti-covid em pacientes transplantados. Produzido pelo Instituto Butantan, o soro não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para diagnosticados com a doença. Nos próximos dias, os médicos do hospital do rim vão selecionar os voluntários. Ainda não há prazo para divulgação dos primeiros resultados. Os testes também serão feitos em 30 pacientes com câncer do Hospital das Clínicas. Na segunda fase, devem participar um número maior, de 558 pacientes transplantados e oncológicos. Em maio deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em seres humanos. O material, feito a partir do plasma de cavalos, aguardava liberação da Agência desde o final de março, quando o pedido foi submetido à Agência pelo Instituto. Soro anti-Covid: entenda como anticorpos de cavalos podem ajudar em novo tratamento contra o coronavírus O objetivo do soro é amenizar os sintomas nas pessoas já infectadas. Ele não é capaz de curar nem de prevenir a doença. O instituto tem 3 mil frascos prontos para os testes. O objetivo é descobrir qual a dose necessária para obter os efeitos desejados. Soro anti-Covid está em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, em Sâo Paulo Instituto Butantan/Divulgação Produção do soro Para a produção do soro, os técnicos retiram o plasma - que faz parte do sangue - do cavalo e levam para a sede do Butantan, na Zona Oeste de São Paulo. Os anticorpos são então separados do plasma e se transformam em um soro anti-Covid. Os cavalos, além de ajudarem a produzir o soro, participaram dos testes. O vírus inativo não provoca danos aos animais nem se multiplica no organismo, mas estimula a produção de anticorpos. No início de março, Dimas Covas disse que os testes feitos em animais apontaram que o soro é seguro e efetivo. "Os animais que foram tratados tiveram seu pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores e esperamos que a mesma efetividade seja demonstrada agora nesses estudos clínicos que poderão ser autorizados." Fazenda onde do Butantan onde os testes foram realizados Reprodução/TV Globo VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região
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17/10 - Pesquisa desenvolvida na UFV abre novos caminhos para produção de leite humano em pó
O objetivo é trazer mais a eficiência dos Bancos de Leite Humano (BLH) e aumentar a capacidade de distribuição do alimento considerado o melhor e mais completo para os bebês. Pesquisador Otávio Augusto Silva Ribeiro desenvolveu método para leite humano em pó na UFV UFV/Divulgação A Universidade Federal de Viçosa (UFV) realiza uma pesquisa que pode ampliar a produção de leite humano em pó. O objetivo é trazer mais a eficiência dos Bancos de Leite Humano (BLH) e aumentar a capacidade de distribuição do alimento considerado o melhor e mais completo para os bebês. Durante um estudo, o pesquisador Otávio Augusto Silva Ribeiro constatou que o Leite Humano Ordenhado (LHO) não conforme, ou seja, aquele que é descartado pelos bancos de leite pela presença de sujidades físicas, também pode, após processamento, ser consumido pelos recém-nascidos. O pesquisador, que é engenheiro de alimentos e professor da Universidade Federal do Acre, explicou que 40% do LHO é descartado por não conformidade, devido a sujidades que podem ser provenientes de pelos da própria mãe ou descamação da pele do seio. Na pesquisa, Otávio realizou processos de filtração, pasteurização e homogeneização e pôde verificar a qualidade do LHO não conforme por sujidades físicas. Também foi analisado o aspecto nutricional quanto em segurança, que diz respeito à ausência de microrganismos contaminantes após pasteurização. Ele também realizou a quantificação de ácidos graxos livres durante os seis meses de armazenamento. O objetivo nesse caso foi investigar o quanto se perde na concentração desses ácidos, que têm um papel essencial no desenvolvimento da criança: da formação dos sistemas cognitivo e visual e proteção do organismo até a absorção de cálcio, com auxílio na formação do sistema ósseo. As análises concluíram que após o processamento o LHO não conforme por sujidades físicas manteve as características nutricionais do LHO conforme, que é utilizado pelos bancos de leite. O mesmo ocorreu com a segurança microbiológica depois da pasteurização. A descoberta levou o pesquisador a uma nova etapa: a do beneficiamento para a obtenção de leite humano em pó. Embora já existam estudos nesta direção, Otávio explicou que nenhum abrange todas as tecnologias que utilizou até chegar à secagem, dentre elas a homogeneização. Durante a pesquisa, Otávio desenvolveu uma técnica de processamento que adaptou tecnologias já existentes para a utilização no leite humano, para que, a partir dos parâmetros usados, não houvesse perdas expressivas nos componentes nutricionais. A homogeneização por ultrassom, o spray dryer e a liofitização para obtenção do leite humano em pó foram algumas dessas tecnologias. A técnica desenvolvida resultou em um leite humano homogeneizado em pó que manteve, praticamente, todas as características nutricionais do LHO. Houve apenas uma redução da concentração de imunoglobulinas (proteínas de defesa), mas elas continuaram presentes. A “É um alimento melhor que as fórmulas alimentares comerciais, já que, mesmo processado, ainda é composto somente por leite humano”, destacou o pesquisador. Perspectivas Apesar de o foco inicial da pesquisa ter sido o LHO com sujidades físicas, a técnica que o ex-estudante de doutorado da UFV desenvolveu para a obtenção do leite humano homogeneizado em pó pode ser utilizada tanto no leite não conforme quanto no conforme. Isso porque o leite em pó não necessita dos 18 graus negativos de temperatura de congelamento para o armazenamento. Além dessa vantagem, o armazenamento pode se dar, por exemplo, em embalagens a vácuo, que demandam espaços menores e facilitam o transporte para locais com maior demanda. Otávio destacou a grande contribuição social da pesquisa pela possibilidade que traz de melhorar as formas de utilização do leite humano ordenhado pelos bancos. Além de reduzir as perdas por descarte de leite humano, o que aumenta o volume que pode ser utilizado. O engenheiro de alimentos lembra que a comercialização do leite humano no Brasil é proibida. Por isso, as técnicas de processamento que desenvolveu são destinadas exclusivamente ao banco de leite humano. A pesquisa demonstrou que é possível utilizar o leite humano em pó com segurança, mas para a produção necessita de investimentos nos bancos de leite. As análises do pesquisador ocorreram na UFV, entre 2017 e 2021, nos laboratórios de Operações e Processos (Departamento de Tecnologia de Alimentos) e de Biocombustíveis (Departamento de Engenharia Agrícola) e no Núcleo de Microscopia e Microanálise. A pesquisa resultou na tese Caracterização nutricional e beneficiamento do leite humano ordenhado descartado por não conformidade, desenvolvida com o apoio da Capes, CNPq, Fapemig e Petrobras. O trabalho teve início em uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), por meio do coordenador da rBLH-BR, João Aprígio Guerra de Almeira, ex-aluno da UFV, e da responsável pelo Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano, Danielle Aparecida da Silva. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes
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17/10 - Preconceito contra os idosos limita a inovação e a expansão econômica
Consultora afirma que baby boomers são uma força que não pode ser ignorada No começo do mês, assisti a diversas palestras da semana de inovação da Age Well, iniciativa canadense focada no desenvolvimento de tecnologias a serviço do envelhecimento, mas a que mais me chamou a atenção foi dedicada a formas de combater o ageísmo (ou etarismo), isto é, o preconceito contra os mais velhos. Anne Marie Wright, consultora de marketing e negócios há 25 anos, afirmou que os baby boomers, os nascidos entre 1946 e 1964, dispõem de cerca de 33 trilhões de dólares no Canadá – nos EUA, a riqueza acumulada por eles chega a quase 60 trilhões de dólares! – e são uma força que não pode ser ignorada: “o preconceito limita a inovação e a expansão econômica. O mercado deveria se preocupar menos em falar com os jovens e tentar entender esse novo sênior que é muito diferente de gerações anteriores”. Casal idoso em banco: mercado desconsidera poder de compra dos mais velhos Joaquin Aranoa para Pixabay Jane Barratt, secretária-geral da Federação Internacional de Envelhecimento (IFA em inglês), lembrou que o preconceito se manifesta na forma como pensamos, sentimos e agimos – e temos que trabalhar em todas essas frentes. Além disso, enfatizou que é preciso criar um ambiente favorável ao envelhecimento e um sistema de cuidados abrangente, que inclua as instituições de longa permanência: “nosso objetivo tem que ser possibilitar que as pessoas tenham a oportunidade de continuar fazendo o que valorizam”. Gregor Sneddon, diretor-executivo da HelpAge Canadá, ressaltou a importância de um ambiente acolhedor para o aprendizado contínuo: “é fundamental quebrar a primeira barreira, a do idoso achar que é velho demais para aprender”. Naquele país, há programas que disponibilizam tablets para idosos sem recursos e transformam jovens em mentores dos maduros para guiá-los no mundo on-line. Por último, a escritora Oliver Senior, de quase 80 anos, sintetizou numa frase sua disposição: “eu sou engajada com o mundo, quero saber o que está acontecendo e participar”. Todos conhecemos o poder das palavras. No entanto, se elas moldam e refletem o preconceito, podem igualmente ser utilizadas para combatê-lo. A expressão “tsunami grisalho”, apesar da forte carga negativa – afinal, é sinônimo de destruição – está tão enraizada que seu equivalente em inglês tem mais de 30 milhões de resultados. No vídeo “What´s old?” (“O que é ser velho?”), disponível nesse link, um grupo de adultos jovens muda radicalmente seu conceito sobre a velhice depois de ser apresentado a idosos que estão bem longe da visão estereotipada que tinham dessa fase da vida. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, publicado em março, reforça que o preconceito está associado a um quadro de saúde física e mental de pior qualidade, declínio cognitivo e menor expectativa de vida. O isolamento social e a solidão também aumentam o risco de violência e abusos. A instituição sugere três estratégias para mudar a situação: através de leis e políticas públicas; de programas de educação contra os estereótipos negativos que envolvem a velhice; e de intervenções intergeracionais, que estimulem a convivência entre jovens e velhos. Que tal fazer parte do movimento? O blog entra num brevíssimo recesso nesta semana. A coluna voltará a ser publicada no próximo domingo, dia 24. Até lá.
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14/10 - Estudo descarta mutações genéticas que ameacem saúde de descendentes de vítimas em Chernobyl
Pesquisadores de vários países, entre eles o Brasil, analisaram material genético de cerca de 100 famílias ucranianas vítimas do acidente nuclear de 1986. Resultado foi publicado na revista Science. Pesquisa mostra que filhos de vítimas de Chernobyl não tiveram mutações genéticas Um estudo publicado na revista Science descartou mutações genéticas capazes de ameaçar a saúde de descendentes de pessoas que foram expostas à radiação da explosão de Chernobyl, em 1986. A pesquisa, coordenada pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, envolveu 38 pesquisadores de universidades de vários países, entre eles o Brasil. Eles analisaram o material genético de cerca de 100 famílias ucranianas e constaram que os filhos nascidos entre 1987 e 2002 de vítimas do acidente nuclear não desenvolveram mutações acima do esperado. Um dos participantes dessa análise é Leandro Machado Colli, coordenador do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto (SP). Segundo ele, foram selecionados pais e filhos da mesma família, sendo o pai ou a mãe vítima do acidente. A partir disso, os pesquisadores coletaram materiais genéticos e fizeram o sequenciamento para identificar quais eram as mutações que a criança tinha, mas que os pais não. "Isso [mutações] é muito comum na evolução da espécie humana, todos nós temos isso, mas queríamos saber se por causa da radiação, teria um maior efeito nessas crianças. E a gente não encontrou, encontrou as mesmas taxas [comparado a quem não foi exposto à radiação]. A mesma taxa de mutações novas. Então não tem um excesso de mutação, como era muito especulado." Leandro Machado Colli, coordenador do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto (SP), integrou estudo Reprodução/EPTV 'Traz luz' Colli explica que pessoas que foram expostas a altos níveis de radiação, como em Chernobyl, acumulam mutações no DNA a longo prazo e podem ser acometidas por várias doenças, inclusive câncer. Porém, os resultados obtidos no estudo demonstram que a chance de os descendentes terem essas doenças no decorrer da vida por conta da radiação é muito pequena, o que "traz luz" a pais e filhos. "Em vários desses acidentes, as pessoas decidiram não ter filhos, com medo de passar esse efeito para o próximo. Esse estudo traz luz, mostrando que se existe alguma coisa, ela é muito pequena. Do ponto de um estudo extremamente amplo, com mais de uma centena de pessoas, com sequenciamento completo, profundo, a gente não encontrou diferenças do que acontece normalmente com a população." Pesquisadores analisaram o material genético de cerca de 100 famílias ucranianas Reprodução/EPTV Agora, os pesquisadores querem analisar outros acidentes nucleares com níveis e tipos de radiação diferentes aos de Chernobyl para averiguar se também não houve impactos genéticos nesses casos. De qualquer forma, Leandro Colli acredita que essa primeira pesquisa já pode trazer maior tranquilidade em eventuais novos acidentes. "A gente espera que não aconteçam novos acidentes, mas se isso acontecer, temos hoje dados mais robustos para tranquilizar essas pessoas no seu planejamento de continuidade da vida após esse tipo de acidente." Arredores da usina nuclear de Chernobyl Getty Images/Via BBC Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
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14/10 - Riscos que estão à nossa volta
Consumo de açúcar, deficiência de ferro, poluição atmosférica e ruídos: “armadilhas” relacionadas a inúmeras doenças O surgimento de doenças crônicas na meia-idade não é uma mazela que se restringe ao Brasil. Estudo britânico que acompanha 17 mil pessoas nascidas na Inglaterra, Escócia e no País de Gales divulgou sua última atualização em agosto e os dados foram desanimadores: um em cada três indivíduos perto dos 50 anos era portador de alguma doença crônica e, nesse grupo, 34% tinham duas ou mais enfermidades. Esse é um grande desafio para a longevidade: como viver muito com qualidade? Contornar algumas “armadilhas” que estão à nossa volta pode ser um primeiro passo. Redução no consumo de açúcar diminuiria a incidência de doenças cardiovasculares e diabetes Edward Lich para Pixabay Quem acompanha esse blog sabe como abordo insistentemente a importância do exercício como ferramenta poderosa para nos manter saudáveis, mas hoje não vou tratar disso. Reuni três pesquisas sobre riscos que nos cercam, para que sirvam de reflexão sobre como nos proteger. A primeira mostra que, somente nos EUA, cortar o equivalente a 20% do açúcar nos alimentos industrializados e 40% nas bebidas poderia prevenir quase 2.5 milhões de eventos cardiovasculares (o que inclui infartos e derrames); 490 mil mortes por problemas cardiovasculares; e 750 mil casos de diabetes da população adulta daquele país ao longo da sua existência. “O açúcar é o aditivo mais óbvio a ser reduzido para quantidades razoáveis”, afirmou Dariush Mozaffarian, coautor do trabalho e reitor da escola de nutrição da Tufts University. E acrescento: se não há uma política pública nesse sentido, faça sua parte e diminua substancialmente o consumo. O segundo estudo, divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, apontou que aproximadamente 10% dos novos casos de doença coronariana ocorridos no intervalo de uma década, a partir da meia-idade, poderiam ser evitados se fosse corrigida a deficiência de ferro que os pacientes apresentavam. O levantamento contou com mais de 12 mil pessoas, com idade média de 59 anos, sendo 55% delas mulheres, e mostra como é importante manter uma alimentação saudável e fazer exames regularmente. Aliás, eleja o feijão como um dos grandes aliados da sua dieta! Por fim, mas igualmente relevante: de acordo com a revista científica da American Heart Association, a exposição à poluição e a ruídos faz mal para o coração. O artigo detalha pesquisa que acompanhou, durante 20 anos, cerca de 22 mil enfermeiras dinamarquesas acima dos 44 anos, avaliando o impacto dessas variáveis ambientais na saúde. “Ficamos surpresos como os dois fatores ambientais, a poluição atmosférica e o barulho das ruas, interagiram. A poluição tem mais peso na incidência de falência coronariana, mas as mulheres expostas aos dois fatores foram as que apresentaram maior incidência do problema”, disse Youn-Hee Lim, autor sênior do estudo e professor da University of Copenhagen.
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12/10 - Pesquisa mostra que cariocas e fluminenses não se preparam para a velhice
Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde O Rio de Janeiro concentra uma das maiores populações de idosos do país e, por isso mesmo, pode funcionar como uma espécie de laboratório sobre o envelhecimento. No entanto, se dependermos dessa referência, a situação não é boa: de acordo com pesquisa realizada pela consultoria Hype50+ para a operadora Leve Saúde, cariocas e fluminenses da Região Metropolitana não estão se preparando como deveriam para a jornada da longevidade. Envelhecimento: metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde Pasja1000 para Pixabay O objetivo do levantamento foi traçar um perfil sobre hábitos e a saúde de pessoas com mais de 55 anos, moradoras dos municípios do Rio, de Niterói e Duque de Caxias. A pesquisa qualitativa teve dez grupos on-line, com 42 participantes: homens e mulheres, com e sem convênio médico, das classes A, B e C. Foi criado ainda um grupo de cuidadores de idosos com mais de 75 anos, também com e sem convênio, das classes B e C. Além disso, o trabalho quantitativo teve 1.005 entrevistas presenciais. Apesar da consciência sobre a importância da prevenção, há uma grande distância entre saber e a prática. Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admitiu nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde. O percentual é maior na faixa entre 65 e 74 anos (61%) e acima dos 75 (60%). Interessante é que 57% dos que estão entre 65 e 74 anos avaliam sua saúde como boa ou ótima, mesmo que sejam portadores de doenças crônicas. No grupo dos 55-64 anos, o percentual é de 63%. O estudo utilizou os parâmetros da faculdade de saúde pública da Universidade Harvard (EUA) sobre cinco hábitos que poderiam prolongar a vida em pelo menos uma década: alimentação saudável, atividade física, peso controlado, consumo reduzido de álcool e não fumar. Com base nesses critérios, 52% declararam ter uma dieta equilibrada, 41% realizam atividade física, 54% afirmaram controlar o peso e 95% entendem o risco do tabagismo, mas apenas 29% têm conhecimento sobre a necessidade do consumo moderado de álcool. Apesar de não ter sido o principal foco da pesquisa, ficou clara a relevância da figura dos cuidadores familiares, sendo que a maioria deles (56%) era composta por filhos dos idosos. Entretanto, eles reconhecem não estar preparados para a demanda física, emocional e financeira dessa rotina.
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11/10 - Por que as conversas triviais são tão importantes para nossa saúde mental
As trocas de palavras com estranhos sobre nada importante em particular, curiosamente, são as que nos ajudam a se sentir conectados com o mundo. Voltar ao local de trabalho tem algumas vantagens. Falar com os colegas sobre coisas sem importância é uma delas. Getty Images/BBC É típico. Existem coisas que nós não valorizamos, a não ser depois que as perdemos. E uma das coisas que nós perdemos, pelo menos temporariamente, durante a pandemia, e muitos de nós começamos a estranhar, é aquilo que em inglês é chamado de "small talk" — ou, a conversinha, aquele bate-papo superficial. São essas conversas casuais que mantemos com estranhos ou gente que apenas conhecemos de vista, na fila do ônibus, numa loja, no parque passeando com o cachorro ou do lado da impressora do escritório e que são sobre... nada. Mesmo aqueles que dizem odiar essas interações banais — que no Reino Unido giram principalmente em torno do clima — admitiram, durante o confinamento imposto pela covid-19, que lamentavam sua ausência. E por que essas conversas nos fazem falta? Que papel elas desempenham no nosso bem-estar? Conectados com o mundo Esse tipo de interação costuma "nos deixar de bom humor. Isso ocorre, em parte, porque elas nos ajudam a nos sentirmos conectados com outras pessoas, e isso é algo realmente importante para os seres humanos", disse à BBC Mundo Gillia Sandstrom, professora de psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido. Sandstrom investigou o impacto que as relações fracas (em oposição aos laços profundos) têm sobre nós. "Nós precisamos sentir que somos parte de um grupo e parte de algo maior", ela acrescenta. Falar sobre trivialidades com estranhos nos faz sentir que podemos "confiar nas pessoas e que o mundo em geral é um lugar seguro, como a nossa comunidade". Mas, além desses benefícios, diz a especialista, essas conversas rápidas nos ajudam a aprender coisas novas. Não espere que alguém inicie a conversa, você pode tomar a iniciativa Getty Images/BBC "Não aprendemos muito com as pessoas que estão mais perto de nós, porque de algum modo sabemos o que elas sabem. Assim, ironicamente, adquirimos mais informação nova de conhecidos e estranhos do que daqueles que são mais próximos de nós." A ausência desses encontros durante os confinamentos fez com sentíssemos falta dessa sensação de novidade, destaque Sandstrom. Essas conversas "trazem algo de novo e imprevisível à nossa vida. Quando conversamos com um estranho não sabemos qual direção que a conversa vai tomar ou de que vamos falar. Isso pode assustar um pouco e é uma das razões pelas quais a gente evita falar com estranhos". "Mas essa imprevisibilidade é também um dos grandes prazeres que existem", afirma. Podemos notar também que, quando não estamos com um ânimo bom, nós não tendemos a mostrar isso durante um desses encontros casuais. Isso ocorre porque nós tratamos de apresentar nosso melhor lado a quem não nos conhece bem, já que queremos que esse intercâmbio seja bem-sucedido. "Ao agir como se estivéssemos de bom humor, isso acaba fazendo com que nos sintamos melhor", explica Sandstrom, que acredita que todos esses efeitos "sejam acumulativos". No trabalho Essas conversas superficiais não apenas nos fazem nos sentir mais à vontade no âmbito pessoal, mas também nos permitem crescer e nos sentirmos mais seguros no ambiente profissional. O que seria da vida sem bate-papo no salão? Getty Images/BBC "Imaginemos que você seja minha chefe e me dê um trabalho para fazer. Se cada vez que nós interagirmos você me der tarefas e nem sequer me perguntar como estou, como foi meu fim de semana etc, se não faz nada para iniciar uma conversa casual, eu não terei nenhuma conexão com você", diz Fine. E isso fará com que eventualmente alguém procure emprego onde as pessoas se preocupam mais com o funcionário ou paguem mais, por exemplo. "As conversas superficiais geram conexão, e isso faz com que a gente se preocupe com as coisas." Por outro lado, um estudo mencionado por Sandstrom verificou que as pessoas que tem mais laços fracos, ou seja, mais conhecidos no trabalho são consideradas mais criativas por seus superiores. Elas são fundamentais "para a colaboração e para gerar confiança", assegura Debra Fine, autora do livro The Fine Art of Small Talk (em português, A Delicada Arte da Conversa Trivial). Falar sobre o clima é um hábito comum aos britânicos Getty Images/BBC "Isso está vinculado à ideia de que uma pessoas tem acesso a mais tipo de informação: se ela fala com gente de departamentos diferentes na empresa, ela pode aprender um pouco mais — e organiza as coisas de forma diferente — que alguém que somente fala com as mesmas três pessoas", argumenta a psicóloga da Universidade de Essex. Apesar de isso ser mais comum em algumas culturas que em outras, a grande maioria participa desse tipo de rituais. Há cerca de um século, o pai da antropologia social, o polonês-britânico Bronislaw Malinowski, argumentou que a "small talk" não era de domínio exclusivo das sociedades ocidentais, e seu objetivo não era comunicar ideias, mas sim cumprir uma função social: estabelecer vínculos pessoais. Isso mesmo que a temática — assim como as normas sobre o que é aceitável e o que não é — varie segundo a cultura e a região do mundo. Dessa forma, enquanto no Reino Unido, como mencionamos antes, uma clássica maneira de ter conversas superficiais é falar sobre o tempo, e outros países é comum iniciar um bate-papo em torno de uma reclamação (quanto tempo o ônibus demora para chegar, como é ruim o serviço de um estabelecimento etc). Aprendizado Nem todo mundo se sente como um peixe dentro d'água quando se trata de entrar nesse tipo de diálogo com pessoas que não pertencem a seu círculo mais próximo. Lembro-me de uma amiga que costumava olhar, cuidadosamente, pelo olho mágico e colocar o ouvido na porta de sua casa antes de sair para não cruzar com algum de seus vizinhos. Na maioria das vezes, aqueles que evitam essas conexões fazem isso por falta de interesse em outras pessoas. Para muitos, é uma questão de personalidade: ficar cercada de outras pessoas provoca ansiedade porque temem uma reação negativa. Falar sobre o clima é um hábito comum aos britânicos Getty Images/BBC Mas muitos também evitam essas interações simplesmente porque não sabem como se comportar. "Ao menos que já tenha nascido com esse dom e que isso saia de forma natural, a maioria não faz isso bem", explica Fine. Mesmo assim, trata-se de uma habilidade que se pode adquirir por meio da observação e, sobretudo, da prática. Conselhos para iniciar uma conversa trivial A primeira coisa que é preciso lembrar é que o início de uma conversa depende de você mesmo. "Não se pode esperar que alguém fale com você numa festa ou num evento da escola. É você que precisa estar disposto a assumir o risco", diz Fine. Ao menos que você esteja num evento profissional, não pergunte "No que você trabalha?". É melhor perguntar "O que você faz?", e a outra pessoa pode te responder o que ela quiser lhe dizer. "O importante é mostrar interesse de uma maneira que a outra pessoa lhe dê uma resposta verdadeira e que exija dela uma resposta de mais de uma palavra", afirma a especialista na arte da conversação. Por exemplo: em vez de "Como foi seu fim de semana?", a que alguém pode responder simplesmente com um "bem, obrigado", você pode dizer: "Me conta sobre o que de mais interessante você fez no fim de semana". É possível seguir dicas sobre como iniciar uma conversa aleatória e encerrar o papo sem ser mal educado Getty Images/BBC Outra ferramenta disponível é o que Fine chama de informação "gratuita". Se você está num encontro social, a outra pessoa certamente conhecerá o anfitrião, assim como você, e você pode perguntar como eles se conheceram, por exemplo. Se você participa de um evento como voluntário, você pode perguntar a um outro voluntário coo foi que se ele se envolveu nessa organização. Você deve evitar todo tipo de pergunta que matam a conversa. Em situações em que você não conhece muito bem a outra pessoa, não faça perguntas sobre as quais você não sabe o tipo de resposta que podem gerar, recomenda Fine. Ou seja, é melhor perguntar "E a vida? Alguma novidade?", em vez de algo sobre seu marido, que você viu faz um ano, porque você não sabe se eles continuam juntos, por exemplo. E o mesmo vale para o trabalho: não parta do pressuposto de que a pessoa continua no mesmo emprego. "É muito melhor pedir a ela "Me fala sobre as novidades do trabalho", já que a outra pessoa lhe contará o que ela quiser contar sobre esse assunto. Outra recomendação que Fine faz é que você não entre em competição enquanto conversa, coisa que muitos de nós fazemos sem que percebamos. Isso significa que, se alguém lhe fala sobre como se sentiu mal trabalhando sozinho em casa durante a pandemia, não responda dizendo que para você foi pior porque, além disso, tinha seus filhos o tempo todo em casa. É muito melhor responder: "Parece que foi bem difícil para você mesmo. Já consegue ver uma luz no fim do túnel?". ...e para encerrar o papo sem ser mal-educado Por último, encerrar uma conversa é tão importante como começá-la, sobretudo se não quisermos ficar presos num papo que parece não ter fim. Porém, também não querermos ofender ou ferir os sentimentos de nosso interlocutor. Fine recomenda indicar que a conversa está prestes a chega ao final exibindo o que chama de "bandeira branca", em referência à que se usa nas corridas automobilísticas para indicar ao condutor que estamos entrando na última volta. As conversas triviais são tão importantes na vida pessoal quanto no trabalho Getty Images/BBC Ela dá exemplos de frases de "bandeira branca": "Me diga uma coisa, antes de eu sair", ou "Eu queria te fazer uma última pergunta", ou "Eu vou ter que sair, mas me explica uma coisa" etc. Outro ponto importante, afirma Fine, é que se você diz que vai sair daquela interação para fazer alguma coisa, que você realmente faça isso. "Se você acaba de dizer a alguém 'foi ótimo falar com você, mas estou desesperada para comprar um café', e no caminho à cafeteria você encontra outra pessoa, e seu interlocutor vê como você está falando longamente com ela, vai ficar ofendido, e isso pode queimar pontes." "A essa nova pessoa, diga simplesmente que você vai comprar um café e que ela te acompanhe, ou então que você está indo comprar um café e já volta." São todas regras muito simples, que podemos colocar em prática para nos conectarmos mais facilmente com as pessoas que nos rodeiam e, com isso, nos sentirmos melhor.
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10/10 - Por que seu telefone celular não está te deixando menos inteligente
Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, escrevem sobre o impacto dos smartphones nas nossas habilidades cognitivas. Toda tecnologia nova levanta preocupações sobre como pode afetar negativamente nossa capacidade de pensar, reter e processar informações Getty Images/BBC A tecnologia digital é onipresente. Nos últimos 20 anos, temos dependido cada vez mais de smartphones, tablets e computadores — e essa tendência tem se acelerado devido à pandemia de Covid-19. A sabedoria popular nos diz que a dependência excessiva da tecnologia pode prejudicar nossa capacidade de lembrar, prestar atenção e exercer autocontrole. De fato, estas são habilidades cognitivas importantes. No entanto, os temores de que a tecnologia suplantaria a cognição podem não ser bem fundamentados. Tecnologia altera a sociedade Sócrates, considerado por muitos o pai da filosofia, estava profundamente preocupado com a forma como a tecnologia da escrita afetaria a sociedade. Como a tradição oral de fazer discursos requer um certo grau de memorização, ele tinha receio de que a escrita eliminasse a necessidade de aprender e memorizar. Esta passagem é interessante por duas razões. Primeiramente, mostra que houve uma discussão intergeracional sobre o impacto das novas tecnologias nas habilidades cognitivas das futuras gerações. Esta continua sendo a realidade até hoje: o telefone, o rádio e a televisão foram todos saudados como arautos do fim da cognição. Isso nos leva à segunda razão pela qual esta citação é interessante. Apesar das preocupações de Sócrates, muitos de nós ainda somos capazes de guardar informações na memória quando necessário. A tecnologia simplesmente reduziu a necessidade de certas funções cognitivas, e não nossa capacidade de executá-las. Piora da cognição Além das alegações da mídia popular, algumas descobertas científicas foram interpretadas como sugerindo que a tecnologia digital pode levar a uma perda de memória, atenção ou funções executivas. Após o escrutínio dessas afirmações, no entanto, percebemos duas suposições argumentativas importantes. A primeira suposição é que o impacto tem um efeito duradouro nas habilidades cognitivas de longo prazo. A segunda suposição é que a tecnologia digital tem um impacto direto e não moderado na cognição. Ambas as suposições, no entanto, não são respaldadas diretamente por resultados empíricos. Uma análise crítica das evidências sugere que os efeitos demonstrados foram temporários, não de longo prazo. Por exemplo, em um estudo importante que investigou a dependência das pessoas em formas externas de memória, os participantes eram menos propensos a lembrar partes de informações quando era dito a eles que essas informações seriam salvas em um computador e eles teriam acesso a elas. Por outro lado, se lembravam melhor das informações quando era dito a eles que não seriam salvas. Há uma tentação de concluir a partir dessas descobertas que o uso da tecnologia leva a uma memória pior — uma conclusão que os autores do estudo não tiraram. Quando a tecnologia estava disponível, as pessoas confiavam nela, mas quando não estava disponível, elas ainda eram perfeitamente capazes de lembrar. Sendo assim, seria precipitado concluir que a tecnologia prejudica nossa capacidade de memória. Além disso, o efeito da tecnologia digital na cognição pode ser devido ao quão motivado alguém está, em vez de seus processos cognitivos. De fato, os processos cognitivos operam no contexto de objetivos para os quais nossas motivações podem variar. Especificamente, quanto mais motivadora for uma tarefa, mais engajados e focados vamos estar. Esta perspectiva reformula as evidências experimentais que mostram que os smartphones prejudicam o desempenho em tarefas de atenção sustentada, memória de trabalho ou inteligência fluida funcional. Fatores motivacionais tendem a desempenhar um papel nos resultados das pesquisas, levando em conta especialmente que os participantes muitas vezes consideram as tarefas que são solicitados a fazer no estudo como irrelevantes ou enfadonhas. Como há várias tarefas importantes que realizamos usando a tecnologia digital, como manter contato com entes queridos, responder e-mails e desfrutar de entretenimento, é possível que a tecnologia digital comprometa o valor motivacional de uma tarefa experimental. Vale ressaltar que isso significa que a tecnologia digital não prejudica a cognição; se uma tarefa for importante ou envolvente, os smartphones não vão afetar a capacidade das pessoas de executá-la. Mudança na cognição Ao fazer uso da tecnologia digital, os processos cognitivos internos estão menos focados no armazenamento e computação de informações. Em vez disso, esses processos convertem informações em formatos que podem ser descarregados em dispositivos digitais — como frases de pesquisa — e depois recarregados e interpretados. Este tipo de descarregamento cognitivo acontece quando as pessoas fazem anotações no papel, em vez de confiar certas informações à memória de longo prazo, ou quando as crianças usam as mãos para ajudar a fazer conta. A principal diferença é que a tecnologia digital nos ajuda a descarregar conjuntos complexos de informações com mais eficácia e eficiência do que as ferramentas analógicas, e isso sem sacrificar a precisão. Um benefício significativo é que a capacidade cognitiva interna, que é liberada de ter que executar funções especializadas, como lembrar um compromisso da agenda, fica livre para outras tarefas. Isso, por sua vez, significa que podemos realizar mais, cognitivamente falando, do que jamais seríamos capazes antes. Desta forma, a tecnologia digital não precisa ser vista como competindo com nosso processo cognitivo interno. Em vez disso, ela complementa a cognição, ampliando nossa capacidade de fazer as coisas. *Lorenzo Cecutti é aluno de doutorado em marketing na Universidade de Toronto, no Canadá. Spike W. S. Lee é professor associado de administração e psicologia na mesma instituição. Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias
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10/10 - O que é o lar, doce lar ideal quando envelhecemos?
Viver em casa ou procurar uma comunidade voltada para o público sênior são opções bem distintas, ambas com defensores Conforme envelhecemos, muda o conceito do que é o lar, doce lar? Podemos pensar do ponto de vista do imóvel: para quem teve filhos, a casa vazia parece grande demais, enquanto quem sempre viveu só talvez continue se sentindo confortável no espaço que ocupa. No entanto, se ajustarmos o foco para conexões sociais, será que aquele ainda é um lugar que estimula a socialização, no qual a pessoa se sente parte de uma comunidade, ou não há mais laços, apenas um isolamento progressivo? A longevidade produz diferentes grupos de velhos e cada um tem necessidades específicas, por isso devemos fugir de generalizações. A maioria prefere a ideia de envelhecer em casa, até um eventual limite imposto por sua capacidade física e intelectual. Mas há também os defensores de comunidades desenhadas para o público sênior, que advogam que essa convivência vai alimentar espírito e intelecto. Quem tem razão? Não acredito que exista uma única resposta para a questão, mas ponho em discussão alguns pontos levantados num debate realizado no dia 30 de setembro pelo laboratório de inovação da AARP, a associação dos aposentados norte-americanos, que reúne quase 40 milhões de afiliados. A maioria das pessoas prefere a ideia de envelhecer em casa, até um eventual limite imposto por sua capacidade física e intelectual Gerd Altmann para Pixabay De um lado estava Tach Branch-Dogans, fundadora e CEO da The Network for Later-Life Transitions, empresa especializada em criar um ambiente favorável para o chamado “aging in place”, isto é, envelhecer em casa. “Lar é algo que associamos a alegria, bem-estar. É onde estão nossos objetos e referências, e ninguém quer se separar do seu passado. Hoje em dia, a tecnologia é uma poderosa aliada, através de sensores e aplicativos, para garantir a independência dos idosos e dar segurança a seus filhos, amigos e familiares, que podem checar se está tudo bem”, afirmou. Seu trabalho inclui fazer um levantamento da rotina da pessoa e propor adaptações: “muitas vezes, o idoso diminui sua circulação pelo imóvel e podemos convencê-lo a reutilizar o espaço ocioso de outra forma, até chamando alguém para morar com ele, ou a se mudar para um lugar menor, mas que mantenha os laços que mais preza”. Os números são expressivos: em 2030, 20% dos norte-americanos terão mais de 65 anos e, desse contingente, 22% – o equivalente a 15 milhões – não terão cônjuge, filhos ou familiares. Quem sugere uma solução completamente diversa é Nick Smoot, fundador e CEO do Innovation Collective: “lar é o lugar das rotinas que desenhamos ao longo da nossa história, do pertencimento, da segurança. Essa é uma relação que construímos com pessoas, e não com objetos. A dispersão das famílias só tem agravado o problema do isolamento. Quando tentam me convencer de que o idoso pode participar e contribuir com sua comunidade, eu pergunto como isso é possível, se as vizinhanças também se isolaram e está cada um no seu casulo?”. O modelo de cohousing surgiu na Dinamarca na década de 1960: um condomínio cuja disposição das moradias é feita para facilitar a proximidade de seus ocupantes, com áreas de lazer compartilhadas, mas garantia de privacidade. Você só socializa quando quiser, mas é o tipo de alternativa para quem tem dinheiro no bolso. Por aqui, há um longo caminho pela frente quando se trata de residências para idosos. São poucas e caras as opções de boas instituições de longa permanência (ILPI), o nome palatável para espantar o preconceito que cerca casas de repouso ou asilos. Entretanto, questões como o respeito ao exercício da sexualidade e à orientação sexual têm se mostrado um enorme desafio que o setor não aborda. No dia 1º de outubro, foi lançado um novo site da Frente Nacional de Fortalecimento das ILPIs, cuja proposta é oferecer orientação para melhorar o atendimento desses estabelecimentos. É possível consultar a lista de instituições disponíveis em cada município e haverá cursos de capacitação. Foram elaboradas diversas cartilhas: guia de manejo da Covid-19, cuidados fisioterapêuticos e orientações para os profissionais, entre outras. A Frente foi criada em abril de 2020, fruto de um movimento de mais de 1.500 voluntários de formação profissional variada: de cuidadores a médicos; de gestores a professores universitários.
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